Perigo
Cuidado! Lá vem o amanhã. Com seus dentes afiados, seu sorriso meio de lado e sua pele de lã.
Cuidado, muito cuidado. Lá vem o futuro. Escalando montanhas, pulando muros, espreitando nossas jugulares. Espalhando petróleo pelos mares.
Cuidao, eu já disse... Lá vem o que há de vir. Com doses maciças de Lexotan, Vicodin e Saquinavir.
Muito cuidado, aí vamos nós. Com nossas garras desgastadas, nossas ovelhas desgarradas e sem saber se estamos sós...
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Escrito por moacircaetano às 15h17
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Alineversário
Enquanto não encontro Aline invento Aline ilustro Aline em cores diversas crio milhares de conversas desenho Aline com mil lápis de cores perfumo Aline com orvalho e flores e com giz e carvão e carinho rabisco um novo caminho que vai de mim até ela
Aline aquarela
Enquanto não abraço Aline busco de Aline a presença nos corredores da imaginação nas folhas caídas no chão na primavera de nossa amizade no verão da minha vontade de beijar Aline de jeito na esquina do pretérito perfeito
Aline espreito
Enquanto não posso Aline imagino Aline e eu e Aline e eu e Aline e balões coloridos e eu cantando parabéns pra Aline nessa data querida no dia da esquina de seus anos de vida e marco no meu calendário
Alineversário
Escrito por moacircaetano às 20h52
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Vício
Eu me mato aos poucos. Saboreio cada gota, cada gole, cada tragada, cada porrada que parte minha vida ao meio.
Eu me mato devagar. Não há pressa. Cada dia é anestesia pra dor que me atravessa.
Eu me mato de forma lenta e contínua. E nem preciso me esforçar... A vida é tão pequenina!
Eu me mato e não há nada a fazer. Não há mais espaço em mim pra tanto ser!
Escrito por moacircaetano às 08h35
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CONVITE (Passeio Completo)
Vamos? para lugares tranquilos... onde cantem os galos e cri-criem os grilos?
Vamos? pra lugares distantes? Onde um dia estivemos mas nunca fomos antes?
Vamos? Ser um do outro, só por um dia? Mesmo que nasça o amanhã e tudo pareça fantasia?
Vamos? mas tem que ser hoje, tem que ser à noitinha... você vestida de estrelas, eu de raios de lua, eu só seu, você só minha...
Escrito por moacircaetano às 17h47
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Motivo
Amar é quase uma coincidência. Um encontro improvável. Amor é coisa meio sem jeito. Pra não dizer impossível.
No entanto amamos.
E continuamos amando, ainda que saibamos o quão complicado pode ser.
E escrevemos livros e rodamos filmes e fazemos músicas e programas de tevê.
E seguimos amando.
E choramos, sofremos, morremos, fazemos chorar, fazemos sofrer, fazemos morrer e ainda assim amamos.
E a mais óbvia constatação depois de tanto senão seria uma só: Amor é pó. E ao pó retorna. Não seria melhor fechar a porta?
E apesar de tantas informações ignoramos nosso instinto de sobrevivência e amamos, amamos, amamos, além do limite do real.
Por esse simples motivo: sem amor, a vida é sem sal.
Escrito por moacircaetano às 11h55
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Declaração
Dizem que o sofrimento purifica a alma. Fodam-se, seus jumentos! O que eu quero é calma!
Dizem que a dor, meu amigo, enobrece o espírito. Vão todos pro inferno. Quero apenas o que é lírico.
Gostam de dizer que o trabalho enobrece o homem, vejam só. Grande merda! O que eu quero é ócio, cerveja, praia e sol.
Um certo amigo me dizia que é só com sacrifício que as coisas valem a pena... Ah, estúpido amigo, tudo que eu queria era ganhar na Mega-Sena.
Quem trabalha demais, pode notar, fica meio metido a besta. Eu? Hahahahahahahahaha!!!! Eu só quero sombra e água fresca.
Escrito por moacircaetano às 10h02
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Sem segredo
É só poeira e dispersão. Nada demais. Um pouco de amor. Talvez paixão. E nada de paz.
É só a vida em progressão. Intermitente. É só um dia após o outro. É só a gente.
E não tem muito segredo a vida. É isso aí mesmo. Um pouco de loucura. Manutenção. E alguns tiros a esmo.
Please! Nothing to do with reality! It´s just a poem!
Escrito por moacircaetano às 00h37
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PASTORIL
Perto dela, é sempre, sempre verão... suores que nos escorrem pelas costas, o corpo se dissolvendo em respostas que correm nossa pele e tocam o chão.
Perto dela, o que é outono hiberna. E sobre as folhas que caem entre nós, nos perdemos entre nossas tantas pernas e nos tornamos tempestades e sóis.
Perto dela, enfim faz-se a primavera. Cores e cheiros e vida se libertam. E por entre as borboletas nos amamos...
E um pouco de inverno não tem importância... Já que, da feia madeira da distância fazemos a cama onde nos deitamos.
Escrito por moacircaetano às 14h04
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INSERT
Caros amigos passageiros, não se assustem se de repente cairem máscaras de emergência do teto. Não entrem em desespero só porque o fim está perto.
Respirem com a tranquilidade possível o ar que lhes deixamos disponível. Não pensem em coisas tristes como descompressão ou morte. Pelo amor de Deus, sejam fortes.
Cartões com instruções foram deixados na poltrona à sua frente. Leiam cuidadosamente em caso de acidente.
Lembrem-se que os assentos são flutuantes e que estamos aqui para lhe atender, fazendo sempre o melhor pra você.
Então, se é pra morrer, que seja de forma espetacular. TAM. Levando você pro lado de lá.
Escrito por moacircaetano às 11h51
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Orla
Pedra. Branca. Leve. Saltita três vezes na água. Amor que termina sem mágoa.
Duas vezes pulula esta outra. E súbito perde o equilíbrio. Amor morto. Cacófato e delírio.
Esta estanca, pesada e soturna. Mergulha no mar. Sem fim. Amor sem início, sem meio e sem mim.
A srta. Lomyne me presenteou "gregamente" (rs...) com um desses memes que circulam por aí. Esse é pra indicar quatro livros bons e um nem tanto. Como gostei das indicações dela, vou fazer a lição de casa:
A Jangada de Pedra (José Saramago) - o talvez maior prosador da língua portuguesa (pau a pau com Machado de Assis) entrega um livro perfeito, como é de costume. Cada parágrafo tem poesia pra horas de reflexão. Um ritmo apaixonante. E a cadência típica de Saramago, com sua prosa-pensamento. Essencial.
Crônica de uma Morte Anunciada (Gabriel Garcia Marquez) - Não, não é o mais importante da obra de Marquez. Mas certamente é o meu preferido, não sei bem porque. Rápido, certeiro e preciso. E ainda assim pleno de poesia e magia. E, como já se sabe, o início mais revelador da literatura mundial.
Christine (Stephen King) - Sim, porque nem só de cultura elevada vive o Homem. Se posso gostar de Mozart e ainda assim ouvir rock, porque não posso gostar de Stephen King? O primeiro livro "grande" que li na vida, aos dez anos. Não parei até chegar ao fim, nem pra almoçar. Nem dormia direito. Depois li mais três vezes, aos quinze e aos vinte e dois. E continua sendo um dos meus favoritos.
Édipo Rei (Sófocles) - 'cause Greeks rocks! Yeah!!!!!!!!!
O Pequeno Príncipe (Saint-Exupèry) - O "não-tão-bom". Mas ainda assim uma bela história. Se virou clichê, é porque foi repetido e repetido e repetido. Mas vale a pena se despir da carapaça adulta e viajar pelas estrelas com o menininho de cabelos loiros. O único livro que já li em três idiomas. rssss...
Agora os condenados: Czarina, Ady, Leandro Jardim, Múcio Góes e Sandra Souza.
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Escrito por moacircaetano às 10h31
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Natural
A vida, a vida é como um rio visto de cima do avião. Pois que vai pelas encostas, pelas congruências do solo. Pelos caminhos que à Terra se dão.
Sim, tem um rumo definido, uma seta, um norte. Alguns lhe chamam fim, outros outra vida. Por comum chamamos-lhe morte.
E, serpente, a vida se fia por entre bosques, cerrados e florestas. Por entre flores e flúvias arestas, por entre várias, quase infinitas regiões... por dúvidas, erros e mudanças, opções.
E vai, e vem, e navega a vida pelo curso de seu próprio ser, insatisfeito. Pensa-se às vezes em outra direção, mas qual... logo o destino corrige-lhe o timão.
E é bela a vida, quando num passo único, flutua e dança e quase toca seu próprio passado voltando à sua imagem e semelhança.
Mas o sabem os experientes: é apenas coreografia. Tem outros expedientes, a vida e sua companhia.
Um ou outro, mais atento, sabedor das artimanhas das artes, divide, feliz, a vida em partes e delicia-se ao sabor dos momentos. Pois, afinal, se a vida é curva, é porque a dirigem os ventos.
Escrito por moacircaetano às 00h20
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Serviço de Bordo
Amor-comida-de-avião. Tão pequeno, não mata a fome. Sem sal, com gosto de plástico, à força é que se come.
Amor-comida-de-avião. Preso em minúsculas embalagens. Não é amor pra vida inteira. Só serve pra curtas viagens.
Amor-comida-de-avião. Alimenta por uma hora. Ou menos. Me desculpe, senhor. No momento é o que temos.
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Escrito por moacircaetano às 09h01
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Despedida
E a barriga da terra se abriu. À borda, alguns pranteavam o destino que ninguém assistiu.
Absortos - já dizia Bandeira - pensavam na morte. Conseqüentemente pensavam na vida, roteiro sem norte.
Não compreendiam o momento e desperdiçavam suas lágrimas, migalhas ao vento.
Onde fim, leia-se renascimento.
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Escrito por moacircaetano às 12h04
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Resposta
Sim. Ainda quero morar contigo. Ainda quero dançar. Vestir-nos de sol e de mar. Ainda quero amar contigo.
Sim. Ainda quero-te vento solar. Ainda quero dizer-te que nunca é tarde demais. Quero sobretudo a paz que mora embaixo do teu vestido. Ainda quero-te abrigo.
Ainda te quero, pra sempre, nuvem, nua em pêlo... um girassol na noite do teu cabelo.
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Escrito por moacircaetano às 15h42
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Contra tempo
Em época de CD´s é difícil ser vitrola... impossível dirigir mansamente mansamansamansamente minha caraminhola.
Em época de internet não dá mais pra ser videocassete.
Em tempos tão bicudos não há lugar pra poetas preguiçosos e barrigudos.
Com a velocidade da luz escrevo um poema zástrás sobre amores demais e olhos azuis.
Mas não fica suficientemente cool. Em tempos de tecnologia é preciso ser wide-spread-totally-full!
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Escrito por moacircaetano às 11h14
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