ARMISTÍCIO
moacircaetano
Ah, Senhor, tudo o que lhe peço é um sono sem sonhos, desmaio o fim de tudo que é vivo o fim do mundo, uma pequena morte
Ah, Senhor, após tantos anos lhe rezo e tudo o que lhe peço é o fim dos combates, o armistício que cessem todas as formas de hostilidade enquanto retiro os corpos do meio da estrada
E tudo o que ofereço é a minha covardia, a bandeira branca a rendição incondicional e a vontade de voltar mais cedo pra casa...
Escrito por moacircaetano às 14h03
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UM SONHO - VERSÃO THAÍS
moacircaetano
Um sonho perpassa
a noite de lua
tamanha ternura
estranha mistura
no olho do bicho inscrito
antigo estranho maldito
Escrito por moacircaetano às 13h59
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MARIANÍSSIMA
MARIANA ANTONELLI
Não sei de nada nada de você eu sei Eu sei que nada sou quando nada de você vem...
só pétalas de rosas vermelhas a cairem em camera lenta no tapete da minha sala...
(mais uma cena clichê de amor)
http://www.alemdoumbigo.blogger.com.br/
Escrito por moacircaetano às 22h48
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UM SONHO
moacircaetano
Um ra
so tu
nho mis
per nha
pas tra
sa es
a ra
noi nu
te ter
de nha
lu ma
a ta
no to
o di
lho mal
do nho
bi tra
cho es
ins go
cri ti
to an
Blogado ao som de "Just Like Heaven" - The Cure "...And moving lips to breathe her name I opened up my eyes And found myself alone alone..."
Escrito por moacircaetano às 10h59
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POEMAS DA AMIGA - TRECHO II
Mário de Andrade
Se acaso a gente se beijasse uma vez só... Ontem você estava tão linda Que o meu corpo chegou.
Sei que era um riacho e duas horas de sede, Me debrucei, não bebi. Mas estou até agora desse jeito Olhando quatro ou cinco borboletas amarelas Dessas comuns brincabrincando no ar. Sinto um rumor...
Escrito por moacircaetano às 10h46
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Poesia num lugar desse?...
Essa eu vi numa tira do Garfield. Vê se não é uma poesia já pronta:
"Eu odeio envelhecer mas, infelizmente, envelhecer me ama loucamente!"
Hahahahahahahah...
Escrito por moacircaetano às 13h28
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USINA
moacircaetano
A usina levanta-se todo o dia, religiosamente, às seis horas da manhã
Em seus órgãos inutilizados ou debilitados, o medo corre
Envelhecida, suas cãs ao pouca tornam-se apenas reminiscências
de um mundo que foi, já não é, nunca mais será
como foi um dia, usina
de sonhos, de fogo, de guerra
usina
de álcool, de chuva, de terra
usina.
Escrito por moacircaetano às 13h26
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FÁBRICA
moacircaetano
Fabricar novas vidas onde antes perdidas
fabricar loucura onde morte e paúra
fabricar linimento onde mora o tormento
fabricar silicone nas estradas sem nome
fabricar o futuro se derrubam o muro
fabricar lucidez, acabar com a mudez
fabricar histeria onde existe agonia
fabricar filisteus na ausência de Deus
fabricar somente pro exercício da mente
fabricar escombros que pesam nos ombros
fabricar mansidão na estrada de chão
fabricar o perigo , o gérmen de trigo
fabricar perdigotos e lançar ao esgoto
fabricar novo eu já que o velho morreu
Blogado ao som de "Bodies" - Smashing Pumpkins "The tragedies reside in you the secret sights reside in you the lonely nights divide you in two... ...love is suicide!
Escrito por moacircaetano às 21h43
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ALFABETO DRUMMOND
M MULHER ANDANDO NUA PELA CASA
Mulher andando nua pela casa envolve a gente de tamanha paz. Não é nudez datada, provocante. É um andar vestida de nudez, inocência de irmã e copo d'água.
O corpo nem sequer é percebido pelo ritmo que o leva. Transitam curvas em estado de pureza, dando este nome à vida: castidade.
Pêlos que fascinavam não perturbam. Seios, nádegas (tácito armistício) repousam de guerra. Também eu repouso.
Escrito por moacircaetano às 20h56
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PARANOID ANDROID
radiohead
please could you stop the noise im tryin a get some REST? from all the unbornchikkenvoicesin my head? huh what´s that??
when i am king you will be the first against the wall with your opinions which are of no consequence at all huh what´s that??
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaambition makes you look very ugly
k ic k i n g s q u e e l i n g gucci l i t t le p i g g y
you dont remember ´´why dont you remember my name? off with his head, off with his head man. why wont he reme mber my name?_´´ ´´ ´´i guess he does_"´´
raindown raindown come on raind down on me froma great height. from a gra\eeaa haaaeeeeeiii. haaaaeeeeeiiii rain down rain down come on rain down on me froma great height. from a great aaaaaaeeeeee raindownrain down come on raindown onme. froma great heightfrom a great
thats it sir youre leaving_ the crackle of pig skin
the dust & the screaming the yuppies networking
the panic the vomit
the panic the vomit
god loves his children god loves his children yeah
Escrito por moacircaetano às 15h03
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ANDRÓIDE PARANÓIDE
Tradução livre por moacircaetano
por favor sem esses ruídos eu só querum pouquinho de paz! ruídosgrasnadosgrunhidosqueeunão aguento mais! hah o que é isso??
quando eu for rei você é o primeiro no paredão com suas opiniões sem futuro sem efeito sem razão hah o que é isso??
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaambição mata as flores dos caminhos
f ut e b o l c a rn a va l gucci l e i t õe z i nh o s
você não se lembra ´`porque não lembra quem eu sou? banido da suamente, banido subitamente. porque nãose lem bra de mim?_´ ´´tomara que sim_´´
chuvágua chuvágua cai caisobre mim vem cai do alto. vem cai do\aaaa aaaaaaaaltooo. aaaaaaaltooooo chuva água chuva água cai gotas d´água sobre mim cai ládo alto. vem cai lá do aaaaaaaallllllll... chuváguachuva água cai sobremim lado alto lá do alto sobre mim
veja o queestá deixando_ sua pele, suja, descamando
a poeira, a algaravia da Bolsa a gritaria
o pânico o vômito
o pânico o vômito
vinde a mim as criancinhas vinde a mim as criancinhas yeah!
Escrito por moacircaetano às 14h07
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ALFABETO DRUMMOND (BIS)
L LEMBRETE
Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida.
Escrito por moacircaetano às 20h35
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ALFABETO DRUMMOND
L LIRA ROMANTIQUINHA
Porque me trancas o rosto e o riso e assim me arrancas do paraíso?
Porque não queres, deixando o alarme (ai, Deus: mulheres!) acarinhar-me?
Porque cultivas as sem-perfume e agressivas flores do ciúme?
Acaso ignoras que te amo tanto, todas as horas, já não sei quanto?
Visto que em suma é todo teu, de mais nenhuma, o peito meu?
Anjo sem fé nas minhas juras, porque é que é que me angusturas?
Minh'alma chove frio, tristinho. Não te comove este versinho?
Blogado ao som de "O Mundo" - Karnak "Porque você me trata mal, se eu te trato bem? Porque você me faz o mal, se eu só te faço bem?"
Escrito por moacircaetano às 20h32
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GOIÂNIA
moacircaetano
Uma cidade sob tensão
uma cidade sob fios de tensão…
sob as árvores
sob as flores
sob as nuvens
brota a alma da cidade
feita de verde e de cinza
feita de concreto e paixão
Na cidade
a vida corre nas veias
a vida corre nas vias
asfálticas
No asfalto
os carros deixam suas marcas
os homens deixam suas parcas
pegadas
Calor e areia cobrem o solo do planalto central
e
ao meio-dia
uma cidade pulsa!
Escrito por moacircaetano às 20h26
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Manual de Boas Maneiras para quem chega:
Thais
Entre. Invada. Casa e pernas. E, acredite, agora são seus: Vida, olhos, neuroses e pele. Mexa em todos os papéis e queime o que for necessário. Suje e não limpe. Complique o que já é complicado. Viole o que te parece imaculado E deixe manchas que não saem. Entre. Invada. Com escândalo e paciência Porque é assim que eu te receberei.
Blogado ao som de "Karma Police" - Radiohead
Escrito por moacircaetano às 14h09
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ALFABETO DRUMMOND
K KREEN - AKARORE
Gigante que recusas encarar-me nos olhos, apertar minha mão temendo que ela seja uma faca, um veneno, uma tocha de incêndio: gigante que me foges, légua depois de légua, e se deixo os sinais de minha simpatia, os destrói: tem razão. Malgrado meu desejo de declarar-te irmão e contigo fruir alegrias fraternas, só tenho para dar-te em turvo condomínio o pesadelo urbano de ferros e de fúrias em contínuo combate na esperança de paz - uma paz que se esconde e se furta e se apaga medusada de medo, como tu, akarore, na espessura da mata ou no espelho sem fala das águas do Jarina.
Escrito por moacircaetano às 12h58
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PENSAMENTOS
Decca
Pensamentos a quarar na estreita réstia de sol
vem a chuva
borra os pnonsemates
e s c o r r e m
pEneTRaM
i n f i l t r a m i n f i l t r a m i n f i l t r a m i n f i l t r a m i n f i l t r a m i n f i l t r a m i n f i l t r a m i n f i l t r a m n f i l t r a m f i l t r a m i l t r a m l t r a m t r a m r a m a m m
se brotará, não sei nem todos são semente fecunda.
Escrito por moacircaetano às 22h43
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ALFABETO DRUMMOND
J JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Escrito por moacircaetano às 22h25
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ALFABETO DRUMMOND
I IGUAL-DESIGUAL
Eu desconfiava: todas as histórias em quadrinhos são iguais. Todos os filmes norte-americanos são iguais. Todos os filmes de todos os países são iguais. Todos os best-sellers são iguais. Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais. Todos os partidos políticos são iguais. Todas as mulheres que andam na moda são iguais. Todas as experiências de sexo são iguais. Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais e todos, todos os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais. Todas as fomes saõ iguais. Todos os amores iguais, iguais, iguais. Iguais todos os rompimentos. A morte é igualíssima. Todas as criações da natureza são iguais. Todas as ações cruéis, piedosas ou indiferentes são iguais. Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa. Não é igual a nada. Todo ser humano é um estranho ímpar.
Blogado ao som de "All Mine" - Portishead "Never enough, render your heart to me... All mine, you have to be..."
Escrito por moacircaetano às 20h25
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ZUÊRA
moacircaetano
Mas pra quê tanta zuêra
pra quê tanto azuá
muié sem êra nem bêra
si só na sua cabicêra
meu corpo vai si incostá?
Pra quê tanto ciúmi
tanta danura, tanta brabêza
corte de faca sem gume
fio di prumo sem firmêza
pra quê tanto azidumi
si mi sarva do negrumi
seu risu i sua beleza?
I si ocê inda duvidá
dus meus zóio, da minha paxão
eu só posso ti falá
pra pegá o meu coração
pegá ele i sigurá
sintino a força brotá
sintino uma força du cão
I aí quandocê sintí
ocê vai tremê todinha
vai querê nunca mais sumí
vai querê sê intão só minha
i nóis vâmu vivê ali
no cantinho qui eu iscoí
eu, ocê i a nossa casinha.
Escrito por moacircaetano às 20h15
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ALFABETO DRUMMOND
H HIPÓTESE
E se Deus é canhoto
e criou com a mão esquerda?
Isso explica, talvez, as coisas deste mundo.
Blogado ao som de "Tola foi Você" - Ângela Rô Rô "Agradeço tanto, agradeço por você não ser do jeito que eu sou Agradeço tanto naõ ter me dado o seu amor!"
Escrito por moacircaetano às 09h09
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STACATTO
moacircaetano
Sebastião. Ser simples. Siciliano.
Sempre sua segurança seria surpreendida, sobretudo se seus sonhos seguissem se sucedendo, sanguessugas solenes.
Sentia sua sexualidade suficientemente sólida; saciava-se; sexo singularmente saboroso. Somente singelo senão: sabia-se sáfaro! Sementes secas! Sêmen sem substância...
Solícito, sustentou sobrinhos, sobrinhas.
Suas sobrinhas seguiam sugando sua segurança. Suores súbitos surgiam, sem serenidade, sal sulfúrico!
Sônia seria sempre sacrossanta, sobrevivendo sob sua sensibilidade. Suave, sagrada, subaproveitada. Subjugada. Soterrada sob sua solidão.
Samira supunha-se succubus, sugando secretas seivas sob seus sonhos sodomitas. Sáfia, safista, safadíssima. Sua saga sagrava sua safadeza.
Sandra sucumbiu, selou sua sorte - sabiamente - sob sagrado sacramento. Seu sacrilégio seria se subverter seguidamente, santo sacrifício.
Suely sabia sua senha, sacou seu salário sete semanas seguidas. Sem ser sensibilizada, sumiu. Sem sentença. Sem sentimentalismos.
Sebastião...
Sobre seus sobrinhos, saliente-se sua sina soturna, sobremaneira sinais sinistros, suspense...
Sílvio, sacerdote sacripanta,surrou sacristãos, saqueou sinagogas, surrupiou sacristias. Sublime sacrílego, salvou-se solenemente supondo-se santo.
Sérgio, sectário; sedentário; safenado; senil. Seduziu suas sobrinhas! Seqüestrou serviçais. Selvagem. Secretamente, sonetos simbolistas.
Sobre Samir: sua sensual senhora separou-se. Saiu se saciando sobejamente sob seu sem-saber. Sofrendo, Samir soube. Sucidou-se.
Soares, segundo-sargento, satisfazia sua sofreguidão seviciando soldados subalternos, sebosos, suados. Sugava suas sujidades. Sodomia.
Sebastião...
Subfebril, sentiu-se submergir. Sua sobrevivência sob sombras soava simplesmente sem sentido. Supliciado, saiu sozinho.
Samba. Sinuca. Sexo. Surras. Surrealismo.
Surtou!
Sofreu síncope. Seu suspiro sereno sobreveio...
Silêncio!
(...)
Sua Santidade soube. Santificou-o.
Satanás sorriu, surpreso!
Escrito por moacircaetano às 11h03
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COEFICIENTE DE SEGURANÇA
moacircaetano
O poema salta, num instante,
do fosso escuro da mente
para a folha reconfortante;
e outro salto, hesitante,
das mãos do autor, fremente,
para o canto de uma estante.
Se revelando, de repente,
de sôfrega e tímida amante
aos olhos de toda a gente,
perpassa a distância incidente
entre a idéia de um farsante
e a leitura de um demente.
Escrito por moacircaetano às 09h27
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ALFABETO DRUMMOND
G GIRASSOL
Aquele girassol no jardim público de Palmira. Ias de auto para Juiz de Fora; a gasolina acabara; havia um salão de barbeiro; um fotógrafo; uma igreja; um menino parado; havia também (entre vários) um girassol. A moça passou. Entre os seios e o girassol tua vontade ficou interdita.
Vontade garota de voar, de amar, de ser feliz, de viajar, de casar, de ter muitos filhos; vontade de tirar retrato com aquela moça, de praticar libidinagens, de ser infeliz e rezar; muitas vontades; a moça nem desconfiou... Entrou pela porta da igreja, saiu pela porta dos sonhos.
O girassol, estúpido, continuou a funcionar.
Blogado ao som de "Alta Noite" - Arnaldo Antunes "No caminho que ninguém caminha, alta noite já se ia, ninguém com os pés na água..."
Escrito por moacircaetano às 09h20
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ALFABETO DRUMMOND
F F
forma forma forma
que se esquiva por isso mesmo viva no morto que a procura
a cor não pousa nem a densidade habita nessa que antes de ser já deixou de ser não será mas é
forma festa fonte flama filme
e não encontrar-te é nenhum desgosto pois abarrotas o largo armazém do factível onde a realidade é maior que a realidade
Escrito por moacircaetano às 15h45
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DISTÂNCIA IMPOSSÍVEL
moacircaetano
4530 dias nos separam...
Escrito por moacircaetano às 14h57
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ALFABETO DRUMMOND
E ENLEIO
Que é que vou dizer a você? Não estudei ainda o código de amor.
Inventar, não posso. Falar, não sei. Balbuciar, não ouso.
Fico de olhos baixos espiando, no chão, a formiga.
Você sentada na cadeira de palhinha. Se ao menos você ficasse aí nessa posição perfeitamente imóvel, como está, uns quinze anos (só isso) então eu diria: Eu te amo.
Por enquanto sou apenas o menino diante da mulher que não percebe nada.
Será que você não entende, será que você é burra?
Blogado ao som de "Bom Conselho" - Chico Buarque "Ouça um bom conselho, eu lhe dou de graça: inútil dormir, a dor não passa!"
Escrito por moacircaetano às 14h55
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HISTÓRIA FOFA
moacircaetano, copiando descaradamente trechos de Renata Corrêa
Poesia dói
Quando não sai !
Sem pensar
Expulso:
Pula Dia Dia Lua Lua Clara Clara Tua
Nunca mais Clara
Nunca mais Lua
Muito menos tua
A Clara nós nunca mais vimos.
Reza a lenda que ela mora na Alemanha com a mãe, e que guarda em uma caixa todas as poesias de amor.
Escrito por moacircaetano às 23h48
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CONVERSA DE DOIDOS
deixe-me ir embora, o "papo tá bom", mas eu ando fazendo muita associação livre e uma coisa puxa outra,... fuiiii (deixando alguns beijos) Decca | 05/06/2004 18:17
Associações livres
moacircaetano
Associações livres
Escoriações livres
Ex-corações livres
Dois corações vivos
Dos corações vivo
Decoração viva
Decca oração viva
Decca, horas são vivas!
Declarações! Viva!
meu jogo de adivinhar você (adorei essa frase, vou usar como título...)
Decca
Reconheço a letra e imagino uma forma que verte da necessidade do que me emociona.
Caminho um caminho contrário e, das letras em 'pixels', busco as mãos que dedilham o teclado, subo um antebraço imaginário e num segundo, um corpo se ergue estufando-me a mente que mente para alegrar-me e se faz o que me emociona, presente num contorno sem definição (e precisa?).
Brinco de encaixar a sonoridade de uma voz que desconheço e que dela fala (cala) em mim, em uma cadência de rima poética faz-me bailar em viés, de uma linha em outra e em entrelinhas, e me amacio no que dali evidencio.
Obrigado por essa conversa de doidos. Como é bom ser maluco nesse mundo quadradinho!
Escrito por moacircaetano às 22h40
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ALFABETO DRUMMOND
D DEUS E SUAS CRIATURAS
Quem morre vai descansar na paz de Deus.
Quem vive é arrastado pela guerra de Deus.
Deus é assim: cruel, misericordioso, duplo.
Seua prêmios chegam tarde, em forma imperceptível.
Deus, como entendê-lo?
Ele também não entende suas criaturas,
condenadas previamente sem apelação a sofrimento e morte.
Blogado ao som de "Minha Casa" - Zeca Baleiro "...vejo o mundo passar como passa: uma escola de samba que atravessa. Pergunto: onde estão meus tamborins?"
Escrito por moacircaetano às 14h29
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FEIRA
moacircaetano
Olha o amooooor!
Baratiiiiiinho!
Só um reaaaalllll...
Escrito por moacircaetano às 22h19
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ALFABETO DRUMMOND
C CANÇÃO DE NAMORADOS
Oi, era uma vez uma garotinha de meia-soquete e saia-xadrez
Ai, era uma vez um poeta magriço de cara-de-pau metido a escocês.
Ui, supergamado pela garotinha, nosso vate exclama: - Calma, que esta é minha!
Ei, daí por diante - delícia completa - seguem abraçados garotinha e poeta.
Escrito por moacircaetano às 23h49
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Momento
moacircaetano
Súbito,
O oásis estava diante de mim!
Ela era riacho
—água pura, cristalina—
e eu era todo sede
—infinita, infinda sede.
Debrucei-me,
porém não bebi;
fiquei ali, a meio caminho,
entre o paraíso e o inferno,
entre sua boca e o abismo!
Fiquei ali, parado,
prolongando o prazer do momento…
Escrito por moacircaetano às 23h43
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ALFABETO DRUMMOND
B BALADA DO AMOR ATRAVÉS DAS IDADES
Eu te gosto, você me gosta desde tempos imemoriais. Eu era grego, você troiana, troiana mas não Helena. Saí do cavalo de pau para matar seu irmão. Matei, brigamos, morremos.
Virei soldado romano, perseguidor de cristãos. Na porta da catacumba encontrei-te novamente. Mas quando vi você nua caída na areia do circo e o leão que vinha vindo, dei um pulo desesperado e o leão comeu nós dois.
Depois fui pirata mouro, flagelo da Tripolitânia. Toquei fogo na fragata onde você se escondia da fúria do meu bergantim. Mas quando eu ia te pegar e te fazer minha escrava, você fez o sinal-da-cruz e rasgou o peito a punhal... Me suicidei também.
Depois (tempos mais amenos) fui cortesão de Versailles, espirituoso e devasso. Você cismou de ser freira... Pulei muro de convento mas complicações políticas nos levaram à guilhotina.
Hoje, sou moço moderno, remo, pulo, danço, boxo, tenho dinheiro no banco. Você é uma loura notável, boxa, dança, pula, rema. Seu pai é que não faz gosto. Mas depois de mil peripécias, eu, herói da Paramount, te abraço, beijo e casamos.
Blogado ao som de "Flores do Mal" - Barão Vermelho "Não me atire num mar de solidão, você tem a faca, o queijo e o meu coração nas mãos..."
Escrito por moacircaetano às 12h24
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Para você...
Rhiannon
Adoro cortinas Que se abrem Adoro o silêncio Antes do grito Adoro o infinito de um momento rápido O instrumento gasto O ator aflito
O coração na boca Antes da palavra louca Que eu não digo Adoro te imaginar Mesmo sem ter te visto
Adoro os detalhes Olhares, atalhos, botões, adoro as pausas entre as canções Soluções da natureza Riquezas da criação
http://spm.zip.net/
Escrito por moacircaetano às 12h09
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ALFABETO DRUMMOND
A AMOR
O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo acha a razão de ser, já dividido. São dois em um: amor, sublime selo que à vida imprime cor, graça e sentido.
"Amor" - eu disse - e floriu uma rosa embalsamando a tarde melodiosa no canto mais oculto do jardim, mas seu perfume não chegou a mim.
Escrito por moacircaetano às 10h55
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INTERMEZZO
moacircaetano
(barulho de porta se abrindo)
— Quem és tu?
— Não me conheces?
— Decerto não..
(surpresa)
— Achei que tivesses morrido!
(aborrecimento)
— Como, se sou parte de ti?
— Uma parte indesejada,
imprópria, defeituosa,
inválida, cancerosa,
de mim mesmo desterrada!
— Entanto, abriste a porta para mim;
antes, me convocastes;
do exílio ressurgi,
mais forte, como notastes.
(negação, ressentimento)
— Desta cadeira acaso levantei?
Acaso fui teu receptor?
Tantos anos; já nem sei
se és mesmo o mesmo amor!
— Oh, pronuncias meu nome!
Que coragem, quanto denodo!
Já não é o mesmo homem!
Tens mais viço, mais estofo!
(resignação)
— Se estou melhor, se pressentis
algo em mim de existência,
foi duramente adquirido
durante tua longa ausência;
Mas se vens, se te apresentas;
fica, faz o que quer
e leva, de recompensa
minha alegria de viver...
Blogado ao som de "Entre Seus Rins" - Ira! "Meu exílio é em seu corpo inteiro és meu país estrangeiro ah, como eu gosto de você..."
Escrito por moacircaetano às 10h52
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