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moacircaetano


ARMISTÍCIO

moacircaetano


Ah, Senhor, tudo o que lhe peço
é um sono sem sonhos, desmaio
o fim de tudo que é vivo
o fim do mundo, uma pequena morte

Ah, Senhor, após tantos anos lhe rezo
e tudo o que lhe peço
é o fim dos combates, o armistício
que cessem todas as formas de hostilidade
enquanto retiro os corpos do meio da estrada

E tudo o que ofereço
é a minha covardia, a bandeira branca
a rendição incondicional
e a vontade de voltar mais cedo pra casa...




 Escrito por moacircaetano às 14h03
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UM SONHO - VERSÃO THAÍS

moacircaetano


Um sonho perpassa

a noite de lua

tamanha ternura

estranha mistura

 

no olho do bicho inscrito

antigo estranho maldito




 Escrito por moacircaetano às 13h59
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MARIANÍSSIMA

MARIANA ANTONELLI


Não sei de nada
nada
de você eu sei
Eu sei
que nada sou
quando nada
de você
vem...

só pétalas de rosas vermelhas
a cairem em camera lenta
no tapete da minha sala...

(mais uma cena clichê de amor)
http://www.alemdoumbigo.blogger.com.br/



 Escrito por moacircaetano às 22h48
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UM SONHO

moacircaetano

Um ra

so tu

nho mis

per nha

pas tra

sa es

a ra

noi nu

te ter

de nha

lu ma

a ta

 

no to

o di

lho mal

do nho

bi tra

cho es

ins go

cri ti

to an


Blogado ao som de "Just Like Heaven" - The Cure
"...And moving lips to breathe her name
I opened up my eyes
And found myself alone alone..."


 Escrito por moacircaetano às 10h59
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POEMAS DA AMIGA - TRECHO II

Mário de Andrade


Se acaso a gente se beijasse uma vez só...
Ontem você estava tão linda
Que o meu corpo chegou.

Sei que era um riacho e duas horas de sede,
Me debrucei, não bebi.
Mas estou até agora desse jeito
Olhando quatro ou cinco borboletas amarelas
Dessas comuns brincabrincando no ar.
Sinto um rumor...




 Escrito por moacircaetano às 10h46
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Poesia num lugar desse?...


Essa eu vi numa tira do Garfield.
Vê se não é uma poesia já pronta:

"Eu odeio envelhecer
mas, infelizmente,
envelhecer me ama loucamente!"

Hahahahahahahah...




 Escrito por moacircaetano às 13h28
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USINA

moacircaetano


A usina levanta-se todo o dia, religiosamente, às seis horas da manhã

 

Em seus órgãos inutilizados ou debilitados, o medo corre

Envelhecida, suas cãs ao pouca tornam-se apenas reminiscências

 

de um mundo que foi, já não é, nunca mais será

como foi um dia, usina

de sonhos, de fogo, de guerra

usina

de álcool, de chuva, de terra

usina.




 Escrito por moacircaetano às 13h26
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FÁBRICA

moacircaetano

Fabricar novas vidas onde antes perdidas

fabricar loucura onde morte e paúra

fabricar linimento onde mora o tormento

fabricar silicone nas estradas sem nome

 

fabricar o futuro se derrubam o muro

fabricar lucidez, acabar com a mudez

fabricar histeria onde existe agonia

fabricar filisteus na ausência de Deus

 

fabricar somente pro exercício da mente

fabricar escombros que pesam nos ombros

fabricar mansidão na estrada de chão

 

fabricar o perigo , o gérmen de trigo

fabricar perdigotos e lançar ao esgoto

fabricar novo eu já que o velho morreu


Blogado ao som de "Bodies" - Smashing Pumpkins
"The tragedies reside in you
the secret sights reside in you
the lonely nights divide you in two...
...love is suicide!



 Escrito por moacircaetano às 21h43
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ALFABETO DRUMMOND

M     MULHER ANDANDO NUA PELA CASA 


Mulher andando nua pela casa
envolve a gente de tamanha paz.
Não é nudez datada, provocante.
É um andar vestida de nudez,
inocência de irmã e copo d'água.

O corpo nem sequer é percebido
pelo ritmo que o leva.
Transitam curvas em estado de pureza,
dando este nome à vida: castidade.

Pêlos que fascinavam não perturbam.
Seios, nádegas (tácito armistício)
repousam de guerra. Também eu repouso.




 Escrito por moacircaetano às 20h56
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PARANOID ANDROID

radiohead

   please could you stop the noise im tryin a get some REST?
from all the unbornchikkenvoicesin my head?
                                          huh what´s that??

when i am king you will be the first against the wall
       with your opinions which are of no consequence at all
                                   huh what´s that??

  aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaambition makes you look very ugly

  k ic k i n g  s q u e e l i n g  gucci  l i t t le  p i g g y

 

you dont remember ´´why dont you remember my name? off with his head, off with
his head man. why wont he reme mber my name?_´´
´´ ´´i guess he does_"´´

 

raindown raindown come on raind down on me
froma great height. from a gra\eeaa haaaeeeeeiii. haaaaeeeeeiiii
rain down rain down come on rain down on me
froma great height. from a great aaaaaaeeeeee
raindownrain down come on raindown onme.
froma great heightfrom a great

 

thats it sir youre leaving_        the crackle of pig skin

the dust & the screaming           the yuppies networking

the panic                          the vomit

the panic                          the vomit

god loves his children             god loves his children yeah




 Escrito por moacircaetano às 15h03
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ANDRÓIDE PARANÓIDE

Tradução livre por moacircaetano

   por favor sem esses ruídos eu só querum pouquinho de paz!
ruídosgrasnadosgrunhidosqueeunão aguento mais!
                                          hah o que é isso??

quando eu for rei você é o primeiro no paredão
            com suas opiniões sem futuro sem efeito sem razão
                                   hah o que é isso??

  aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaambição  mata as flores dos caminhos

  f ut e b o l  c a rn a va l  gucci  l e i t õe z i nh o s

 

 você não se lembra ´`porque não lembra quem eu sou? 
                                   banido da suamente, banido
subitamente. porque nãose lem bra de mim?_´
          ´´tomara que sim_´´

 

chuvágua chuvágua cai caisobre mim
vem cai do alto. vem cai do\aaaa aaaaaaaaltooo. aaaaaaaltooooo
chuva água chuva água cai gotas d´água sobre mim
cai ládo alto. vem cai lá do aaaaaaaallllllll...
chuváguachuva água cai sobremim
lado alto lá do alto sobre mim

 

veja o queestá deixando_           sua pele, suja, descamando

a poeira, a algaravia              da Bolsa a gritaria

o pânico                           o vômito

o pânico                           o vômito

vinde a mim as criancinhas         vinde a mim as criancinhas yeah!




 Escrito por moacircaetano às 14h07
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ALFABETO DRUMMOND (BIS)

    LEMBRETE


Se procurar bem, você acaba encontrando

não a explicação (duvidosa) da vida,

mas a poesia (inexplicável) da vida.




 Escrito por moacircaetano às 20h35
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ALFABETO DRUMMOND

    LIRA ROMANTIQUINHA


Porque me trancas
o rosto e o riso
e assim me arrancas
do paraíso?

Porque não queres,
deixando o alarme
(ai, Deus: mulheres!)
acarinhar-me?

Porque cultivas
as sem-perfume
e agressivas
flores do ciúme?

Acaso ignoras
que te amo tanto,
todas as horas,
já não sei quanto?

Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma,
o peito meu?

Anjo sem fé
nas minhas juras,
porque é que é
que me angusturas?

Minh'alma chove
frio, tristinho.
Não te comove
este versinho?


Blogado ao som de "O Mundo" - Karnak
"Porque você me trata mal,
se eu te trato bem?
Porque você me faz o mal,
se eu só te faço bem?"



 Escrito por moacircaetano às 20h32
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GOIÂNIA

moacircaetano

Uma cidade sob tensão

uma cidade sob fios de tensão…

 

sob as árvores

sob as flores

sob as nuvens

brota a alma da cidade

feita de verde e de cinza

feita de concreto e paixão

 

Na cidade

a vida corre nas veias

a vida corre nas vias

asfálticas

 

No asfalto

os carros deixam suas marcas

os homens deixam suas parcas

pegadas

 

 

Calor e areia cobrem o solo do planalto central

e

ao meio-dia

uma cidade pulsa!




 Escrito por moacircaetano às 20h26
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Manual de Boas Maneiras para quem chega:

Thais
Entre.
Invada.
Casa e pernas.
E, acredite, agora são seus:
Vida, olhos, neuroses e pele.
Mexa em todos os papéis
e queime o que for necessário.
Suje e não limpe.
Complique o que já é complicado.
Viole o que te parece imaculado
E deixe manchas que não saem.
Entre.
Invada.
Com escândalo e paciência
Porque é assim que eu te receberei.
Blogado ao som de "Karma Police" - Radiohead


 Escrito por moacircaetano às 14h09
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ALFABETO DRUMMOND

K    KREEN - AKARORE 


Gigante que recusas
encarar-me nos olhos,
apertar minha mão
temendo que ela seja
uma faca, um veneno,
uma tocha de incêndio:
gigante que me foges,
légua depois de légua,
e se deixo os sinais
de minha simpatia,
os destrói: tem razão.
Malgrado meu desejo
de declarar-te irmão
e contigo fruir
alegrias fraternas,
só tenho para dar-te
em turvo condomínio
o pesadelo urbano
de ferros e de fúrias
em contínuo combate
na esperança de paz
- uma paz que se esconde
e se furta e se apaga
medusada de medo,
como tu, akarore,
na espessura da mata
ou no espelho sem fala
das águas do Jarina.



 Escrito por moacircaetano às 12h58
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PENSAMENTOS

Decca
Pensamentos a quarar na estreita réstia de sol

                   vem a chuva

              borra os pnonsemates

              e
               s
                c
                 o
                  r
                   r
                    e 
                     m

             pEneTRaM

               i n f i l t r a m
             i n f i l t r a m
           i n f i l t r a m
         i n f i l t r a m
       i n f i l t r a m
     i n f i l t r a m
   i n f i l t r a m
 i n f i l t r a m
 n f i l t r a m
 f i l t r a m
 i l t r a m
 l t r a m
 t r a m
 r a m
 a m
 m

 se brotará, não sei
 nem todos são semente fecunda.




 Escrito por moacircaetano às 22h43
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ALFABETO DRUMMOND

    JOSÉ


E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?

 

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?

 

E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio – e agora?

 

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?

 

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, para onde?




 Escrito por moacircaetano às 22h25
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ALFABETO DRUMMOND

I     IGUAL-DESIGUAL


Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes saõ iguais.
Todos os amores iguais, iguais, iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações cruéis, piedosas ou indiferentes são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.


Blogado ao som de "All Mine" - Portishead
"Never enough, render your heart to me...
All mine, you have to be..."



 Escrito por moacircaetano às 20h25
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ZUÊRA

moacircaetano

Mas pra quê tanta zuêra

pra quê tanto azuá

muié sem êra nem bêra

si só na sua cabicêra

meu corpo vai si incostá?

 

Pra quê tanto ciúmi

tanta danura, tanta brabêza

corte de faca sem gume

fio di prumo sem firmêza

pra quê tanto azidumi

si mi sarva do negrumi

seu risu i sua beleza?

 

I si ocê inda duvidá

dus meus zóio, da minha paxão

eu só posso ti falá

pra pegá o meu coração

pegá ele i sigurá

sintino a força brotá

sintino uma força du cão

 

I aí quandocê sintí

ocê vai tremê todinha

vai querê nunca mais sumí

vai querê sê intão só minha

i nóis vâmu vivê ali

no cantinho qui eu iscoí

eu, ocê i a nossa casinha.




 Escrito por moacircaetano às 20h15
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ALFABETO DRUMMOND

H     HIPÓTESE


E se Deus é canhoto

e criou com a mão esquerda?

Isso explica, talvez, as coisas deste mundo. 


Blogado ao som de "Tola foi Você" - Ângela Rô Rô
"Agradeço tanto,
agradeço por você não ser do jeito que eu sou
Agradeço tanto naõ ter me dado o seu amor!"



 Escrito por moacircaetano às 09h09
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STACATTO

moacircaetano


Sebastião. Ser simples. Siciliano.

Sempre sua segurança seria surpreendida, sobretudo se seus sonhos seguissem se sucedendo, sanguessugas solenes.

Sentia sua sexualidade suficientemente sólida; saciava-se; sexo singularmente saboroso. Somente singelo senão: sabia-se sáfaro! Sementes secas! Sêmen sem substância...

Solícito, sustentou sobrinhos, sobrinhas.

Suas sobrinhas seguiam sugando sua segurança. Suores súbitos surgiam, sem serenidade, sal sulfúrico!

Sônia seria sempre sacrossanta, sobrevivendo sob sua sensibilidade. Suave, sagrada, subaproveitada. Subjugada. Soterrada sob sua solidão.

Samira supunha-se succubus, sugando secretas seivas sob seus sonhos sodomitas. Sáfia, safista, safadíssima. Sua saga sagrava sua safadeza.

Sandra sucumbiu, selou sua sorte - sabiamente - sob sagrado sacramento. Seu sacrilégio seria se subverter seguidamente, santo sacrifício.

Suely sabia sua senha, sacou seu salário sete semanas seguidas. Sem ser sensibilizada, sumiu. Sem sentença. Sem sentimentalismos.

Sebastião...

Sobre seus sobrinhos, saliente-se sua sina soturna, sobremaneira sinais sinistros, suspense...

Sílvio, sacerdote sacripanta,surrou sacristãos, saqueou sinagogas, surrupiou sacristias. Sublime sacrílego, salvou-se solenemente supondo-se santo.

Sérgio, sectário; sedentário; safenado; senil. Seduziu suas sobrinhas! Seqüestrou serviçais. Selvagem. Secretamente, sonetos simbolistas.

Sobre Samir: sua sensual senhora separou-se. Saiu se saciando sobejamente sob seu sem-saber. Sofrendo, Samir soube. Sucidou-se.

Soares, segundo-sargento, satisfazia sua sofreguidão seviciando soldados subalternos, sebosos, suados. Sugava suas sujidades. Sodomia.

Sebastião...

Subfebril, sentiu-se submergir. Sua sobrevivência sob sombras soava simplesmente sem sentido. Supliciado, saiu sozinho.

Samba. Sinuca. Sexo. Surras. Surrealismo.

Surtou!

Sofreu síncope. Seu suspiro sereno sobreveio...

Silêncio!

(...)

Sua Santidade soube. Santificou-o.

Satanás sorriu, surpreso!




 Escrito por moacircaetano às 11h03
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COEFICIENTE DE SEGURANÇA

moacircaetano

O poema salta, num instante,

do fosso escuro da mente

para a folha reconfortante;

 

e outro salto, hesitante,

das mãos do autor, fremente,

para o canto de uma estante.

 

Se revelando, de repente,

de sôfrega e tímida amante

aos olhos de toda a gente,

 

perpassa a distância incidente

entre a idéia de um farsante

e a leitura de um demente.




 Escrito por moacircaetano às 09h27
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ALFABETO DRUMMOND

    GIRASSOL


Aquele girassol no jardim público de Palmira.
Ias de auto para Juiz de Fora; a gasolina acabara;
havia um salão de barbeiro; um fotógrafo; uma igreja; um menino parado;
havia também (entre vários) um girassol. A moça passou.
Entre os seios e o girassol tua vontade ficou interdita.

Vontade garota de voar, de amar, de ser feliz, de viajar, de casar, de ter muitos filhos;
vontade de tirar retrato com aquela moça, de praticar libidinagens, de ser infeliz e rezar;
muitas vontades; a moça nem desconfiou...
Entrou pela porta da igreja, saiu pela porta dos sonhos.

O girassol, estúpido, continuou a funcionar.


Blogado ao som de "Alta Noite" - Arnaldo Antunes
"No caminho que ninguém caminha, alta noite já se ia,
ninguém com os pés na água..."



 Escrito por moacircaetano às 09h20
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ALFABETO DRUMMOND

F    F


               forma
               forma
               forma

                              que se esquiva 
                              por isso mesmo viva
                              no morto que a procura

a cor não pousa
nem a densidade habita
nessa que antes de ser

deixou de ser          não será
mas é

               forma
               festa
               fonte               
               flama
               filme

e não encontrar-te é nenhum desgosto
pois abarrotas o largo armazém do factível
onde a realidade é maior que a realidade




 Escrito por moacircaetano às 15h45
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DISTÂNCIA IMPOSSÍVEL

moacircaetano
4530 dias nos separam...


 Escrito por moacircaetano às 14h57
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ALFABETO DRUMMOND

   ENLEIO


Que é que vou dizer a você?
Não estudei ainda o código
de amor.

Inventar, não posso.
Falar, não sei.
Balbuciar, não ouso.

Fico de olhos baixos
espiando, no chão, a formiga.

Você sentada na cadeira de palhinha.
Se ao menos você ficasse aí nessa posição
perfeitamente imóvel, como está,
uns quinze anos (só isso)
então eu diria:
Eu te amo.

Por enquanto sou apenas o menino
diante da mulher que não percebe nada.

Será que você não entende, será que você é burra?


Blogado ao som de "Bom Conselho" - Chico Buarque
"Ouça um bom conselho,
eu lhe dou de graça:
inútil dormir, a dor não passa!"


 Escrito por moacircaetano às 14h55
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HISTÓRIA FOFA

moacircaetano, copiando descaradamente trechos de Renata Corrêa
Poesia dói
Quando não sai !
Sem pensar
Expulso:

Pula Dia
Dia Lua
Lua Clara
Clara Tua

 

Nunca mais Clara
Nunca mais Lua
Muito menos tua
 

A Clara nós nunca mais vimos.

Reza a lenda que ela mora na Alemanha com a mãe, e que guarda em uma caixa todas as poesias de amor.




 Escrito por moacircaetano às 23h48
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CONVERSA DE DOIDOS


deixe-me ir embora, o "papo tá bom", mas eu ando fazendo muita associação livre e uma coisa puxa outra,... fuiiii (deixando alguns beijos)
Decca | 05/06/2004 18:17



Associações livres

moacircaetano

 

Associações livres

Escoriações livres

Ex-corações livres

 

Dois corações vivos

Dos corações vivo

Decoração viva

 

Decca oração viva

Decca, horas são vivas!

Declarações! Viva!


meu jogo de adivinhar você (adorei essa frase, vou usar como título...)

Decca

Reconheço a letra e imagino uma forma
que verte da necessidade do que me emociona.

Caminho um caminho contrário e,
das letras em 'pixels', busco as mãos que dedilham o teclado,
subo um antebraço imaginário e num segundo,
um corpo se ergue estufando-me a mente que mente para alegrar-me
e se faz o que me emociona, presente num contorno sem definição (e precisa?).

Brinco de encaixar a sonoridade de uma voz que desconheço
e que dela fala (cala) em mim,
em uma cadência de rima poética
faz-me bailar em viés, de uma linha em outra e em entrelinhas,
e me amacio no que dali evidencio.


Obrigado por essa conversa de doidos. Como é bom ser maluco nesse mundo quadradinho!



 Escrito por moacircaetano às 22h40
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ALFABETO DRUMMOND

  DEUS E SUAS CRIATURAS


Quem morre vai descansar na paz de Deus.

Quem vive é arrastado pela guerra de Deus.

Deus é assim: cruel, misericordioso, duplo.

Seua prêmios chegam tarde, em forma imperceptível.

Deus, como entendê-lo?

Ele também não entende suas criaturas,

condenadas previamente sem apelação a sofrimento e morte.


Blogado ao som de "Minha Casa" - Zeca Baleiro
"...vejo o mundo passar como passa:
uma escola de samba que atravessa.
Pergunto: onde estão meus tamborins?"



 Escrito por moacircaetano às 14h29
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FEIRA

moacircaetano


Olha o amooooor!

Baratiiiiiinho!

Só um reaaaalllll...




 Escrito por moacircaetano às 22h19
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ALFABETO DRUMMOND

  CANÇÃO DE NAMORADOS 


Oi, era uma vez
uma garotinha
de meia-soquete
e saia-xadrez

Ai, era uma vez
um poeta magriço
de cara-de-pau
metido a escocês.

Ui, supergamado
pela garotinha,
nosso vate exclama:
- Calma, que esta é minha!

Ei, daí por diante
- delícia completa -
seguem abraçados
garotinha e poeta.




 Escrito por moacircaetano às 23h49
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Momento

moacircaetano

Súbito,

O oásis estava diante de mim!

 

Ela era riacho

—água pura, cristalina—

e eu era todo sede

—infinita, infinda sede.

 

Debrucei-me,

porém não bebi;

 

fiquei ali, a meio caminho,

entre o paraíso e o inferno,

entre sua boca e o abismo!

 

Fiquei ali, parado,

prolongando o prazer do momento…




 Escrito por moacircaetano às 23h43
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ALFABETO DRUMMOND

BALADA DO AMOR ATRAVÉS DAS IDADES


Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria do meu bergantim.
Mas quando eu ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje, sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos. 


Blogado ao som de "Flores do Mal" - Barão Vermelho
"Não me atire num mar de solidão,
você tem a faca, o queijo
e o meu coração nas mãos..."


 Escrito por moacircaetano às 12h24
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Para você...

Rhiannon

 Adoro cortinas
Que se abrem
Adoro o silêncio
Antes do grito
Adoro o infinito
de um momento
rápido
O instrumento gasto
O ator aflito

O coração na boca
Antes da palavra louca
Que eu não digo
Adoro te imaginar
Mesmo sem ter
te visto

Adoro os detalhes
Olhares,
atalhos,
botões,
adoro as pausas
entre as canções
Soluções da natureza
Riquezas da criação


http://spm.zip.net/



 Escrito por moacircaetano às 12h09
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ALFABETO DRUMMOND

AMOR


O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
que à vida imprime cor, graça e sentido.

"Amor" - eu disse - e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim.




 Escrito por moacircaetano às 10h55
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INTERMEZZO

moacircaetano

(barulho de porta se abrindo)

 

— Quem és tu?

— Não me conheces?

— Decerto não..

 

(surpresa)

— Achei que tivesses morrido!

 

(aborrecimento)

— Como, se sou parte de ti?

— Uma parte indesejada,

imprópria, defeituosa,

inválida, cancerosa,

de mim mesmo desterrada!

— Entanto, abriste a porta para mim;

antes, me convocastes;

do exílio ressurgi,

mais forte, como notastes.

 

(negação, ressentimento)

— Desta cadeira acaso levantei?

Acaso fui teu receptor?

Tantos anos; já nem sei

se és mesmo o mesmo amor!

 

— Oh, pronuncias meu nome!

Que coragem, quanto denodo!

Já não é o mesmo homem!

Tens mais viço, mais estofo!

 

(resignação)

— Se estou melhor, se pressentis

algo em mim de existência,

foi duramente adquirido

durante tua longa ausência;

Mas se vens, se te apresentas;

fica, faz o que quer

e leva, de recompensa

minha alegria de viver...


Blogado ao som de "Entre Seus Rins" - Ira!
"Meu exílio
é em seu corpo inteiro
és meu país estrangeiro
ah, como eu gosto de você..."



 Escrito por moacircaetano às 10h52
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