QUEIMANDO ETAPAS
moacircaetano
eu te amo você está me sufocando!
pai, me leva ao parquinho? não chore, eu venho te ver todo final de semana!
que lindo, você sempre sabe o que eu estou pensando! que saco, você sempre sabe o que eu estou pensando!
seus problemas acabaram!!! não aceitamos devolução!
venha para o mundo de marlboro o senhor tem dois meses de vida...
o choro primeiro o suspiro último...
Escrito por moacircaetano às 09h47
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ALFABETO DRUMMOND
U UMA ROSA
Uma rosa, em dia de chuva
é uma rosa
espalha em torno uma presença
luminosa
Escrito por moacircaetano às 08h35
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CENTELHA
moacircaetano
Parem com esse barulho insuportável
dos cabelos crescendo na madrugada !
Parem com esse barulho — parem ! —
das unhas se desenvolvendo, do suor na vossa cara
Parem imediatamente, eu imploro,
com o som das bactérias se multiplicando,
dos olhos se movendo, de Deus pensando,
parem, parem, parem !
Interrompam o barulho surdo da lua
e de seus comparsas que insistem em brilhar,
com o ruído das formas nuas,
pois só o silêncio (a)final me interessa,
sua quietude, intensa, intrínseca,
sem música, sem álcool, sem festa !
Trilha Sonora: Isobel - Björk "in a heart full of dust lives a creature called lust it susprises and scares like me..."
Escrito por moacircaetano às 15h27
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CRIANÇAS
moacircaetano
Do rio da vida surgem estrelas é tão bom vê-las à margem, lindas...
Crianças são fios que unem os sonhos de adultos enfadonhos em seu fastio
a algo que um dia se esqueceram: o rio de vida de onde nasceram...
Inspirado num post do Mosaico
Ah, e não se esqueçam de visitar: http://moacircaetano.fotoblog.uol.com.br/
Escrito por moacircaetano às 23h22
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CONVITE
Às palavras se juntam a luz... às imagem se juntam os versos.
E até onde me escondo me perseguem os olhos do universo...
http://moacircaetano.fotoblog.uol.com.br/
Escrito por moacircaetano às 20h13
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INSIDE OUT
moacircaetano
Encontrei-me novamente meio bicho, meio gente no espaço pré-determinado sentado exatamente ao teu lado.
Olhei meio de lado como que um pouco medo já não era mais tão cedo e já tinhas revelado teu tão pouco segredo
Me esqueci completamente do que vim fazer aqui desapareci quase que completamente e você sorri?
Me deitei na miha jaula e meus olhos revoltosos carregavam minha alma da tua pele alva pros meus montes rochosos...
Trilha Sonora: The World Outside - Paloalto "Consequence is waiting for you Can you feel it up inside..."
Escrito por moacircaetano às 11h51
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ALFABETO DRUMMOND
T TRISTEZA NO CÉU
No céu também há uma hora melancólica. Hora difícil, em que a dúvida penetra nas almas. Por que fiz o mundo? Deus se pergunta e se responde:não sei.
Os anjos olham-no com reprovação, e plumas caem. Todas as hipóteses: a graça, a eternidade, o amor caem, são plumas.
Outra pluma, o céu se desfaz. Tão manso, nenhum fragor denuncia o momento entre tudo e nada, ou seja, a tristeza de Deus.
Escrito por moacircaetano às 11h39
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PANO RÁPIDO
Na Europa, roubaram "O Grito", de Edward Munch.
No Brasil, nos roubaram o grito da garganta há muito tempo...
Escrito por moacircaetano às 09h51
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MEMÓRIA
moacircaetano
Impressionante como teu corpo se encaixa em mim o tamanho perfeito, o número certo a pele, alabastro, marfim
Impressionante como suas mãos cabem, certinhas dentro das minhas
como suas pernas se entrelaçam enquantos seus braços me abraçam
como sua boca me devora quando nos esquecemos da hora
Impressionante como cabe dentro do meu abraço como fica linda por cima e deliciosa por baixo
Impressionante como tua mão fica bem nas minhas costas como teus olhos adentram minha alma e quase me retalham em postas
Ah, e o silêncio que compartilhamos mesmo no momento mais sublime... o ritmo que me leva ao infinito o ritmo que seu corpo imprime
Impressionante como nada destoa a perfeição se insinua enquanto lá fora não existe o mundo, o tempo, a rua...
E cada vez, cada encontro é como se fosse a primeira vez! E assim nosso sonho se fez...
Escrito por moacircaetano às 08h20
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ALFABETO DRUMMOND
S SALÁRIO
Ó que lance extraordinário aumentou o meu salário e o custo de vida, vário, muito cima do ordinário, por um milagre monetário deu um salto planetário. Não entendo o noticiário. Sou um simples operário, escravo de ponto e horário, sou caxias voluntário de rendimento precário, nível de vida sumário, pra não dizer primário, e cerzido vestuário. Não sou nada perdulário, muito menos salafrário, é limpo meu prontuário, jamais avancei no Erário, não festejo aniversário e em meu sufoco diário de emudecido canário, navegante solitário, sob o peso tributário, me falta vocabulário para um triste comentário. Mas que lance extraordinário: com o aumento do salário, aumentou o meu calvário!
Atual como nunca...
Escrito por moacircaetano às 08h05
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ALFABETO DRUMMOND
R RECONHECIMENTO DO AMOR
Amiga, como são desnorteantes os caminhos da amizade. Apareceste para ser o ombro suave onde se reclina a inquietação do forte (ou que forte se pensava ingenuamente). Trazias nos olhos pensativos a bruma da renúncia: não querias a vida plena, tinhas o prévio desencanto das uniões para toda a vida, não pedias nada, não reclamavas teu quinhão de luz. E deslizavas em ritmo gratuito de ciranda.
Descansei em ti meu feixe de desencontros e de encontros funestos. Queria talvez - sem o perceber, juro - sadicamente massacrar-te sob o ferro de culpas e vacilações e angústias que doíam desde a hora do nascimento, senão desde o instante da concepção em certo mês perdido na História, ou mais longe, desde aquele momento intemporal em que os seres são apenas hipóteses não formuladas no caos universal.
Como nos enganamos fugindo ao amor! Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar sua espada coruscante, seu formidável poder de penetrar o sangue e nele imprimir uma orquídea de fogo e lágrimas. Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu em doçura e celestes amavios. Não queimava, não siderava; sorria.
Mal entendi, tonto que fui, esse sorriso. Feri-me pelas próprias mãos, não pelo amor que trazia para mim e que teus dedos confirmavam ao se juntarem aos meus, na infantil procura pelo Outro, o Outro que eu me supunha, o Outro que te imaginava, quando - por esperteza do amor - senti que éramos um só.
Amiga, amada, amada amiga, asim o amor dissolve o mesquinho desejo de existir em face do mundo com olhar pervagante e larga ciência das coisas. Já não defrontamos o mundo: nele nos diluímos, e a pura essência em que nos transmutamos dispensa alegorias, circunstâncias, referências temporais, imaginações oníricas, o vôo do Pássaro Azul, a aurora boreal, as chaves de ouro dos sonetos e dos castelos medievos, todas as imposturas da razão e da experiência, para existir em si e por si, à revelia de corpos amantes, pois já nem somos nós, somos o número perfeito: UM.
Levou tempo, eu sei, para que o Eu renunciasse à vacuidade de existir, fixo e solar, e se confessasse jubilamente vencido, até respirar o júbilo maior da integração. Agora, amada minha para sempre, nem olhar temos de ver nem ouvidos de captar a melodia, a paisagem, a transparência da vida, perdidos que estamos na concha ultramarina de amar.
Existem momentos na obra de um poeta em que notamos claramente que este atingiu aquele ponto supremo onde nada mais existia a não ser a poesia e o objeto desta. Momentos em que produz-se um texto tão sublime que parece impossível pensar-se ter sido executada por mãos humanas, e não por anjos... ou demônios. Este poema de Drummond é um desses momentos. Tomo sempre o cuidado de ler esse poema com uma freqüência menor que gostaria, pois o arrebatamento a que me leva me traz sempre o medo de não conseguir mais voltar ao mundo real...
Ah, e como seria bom não mais voltar ao mundo real...
Escrito por moacircaetano às 08h41
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PONTO DE INTERROGAÇÃO
moacircaetano
Onde as sombras não tocam o chão é ali que se esconde o princípio do teu sorriso o início do que sou...
apesar das placas de perigo continuo, impreciso...
Escrito por moacircaetano às 08h26
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Mais Manuel Bandeira
CONSOADA
Quando a Indesejada das gentes chegar (Não sei se dura ou caroável), Talvez eu tenha medo. Talvez sorria, ou diga:
_Alô, iniludível! O meu dia foi bom, pode a noite descer. (A noite com os seus sortilégios.) Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, A mesa posta, Com cada coisa em seu lugar.
Escrito por moacircaetano às 22h05
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MADRUGADA
moacircaetano
Calem a boca, infiéis! Silêncio, criaturas da noite. Neste momento, a mulher amada dorme.
Desliguem seus motores, monstros do tráfego. DJ´s, cantores, bêbados, prostitutas e dementes, mendigos, atores, pervertidos, garçons e delinqüentes, trombadinhas, assassinos, ambulâncias, enfermeiros, legistas, motoristas, michês, travestis e baderneiros, todo ser que se move na textura líquida e mórbida da noite,
calem suas malditas bocas!
Em sua cama uma mulher dorme e seus sonhos são carinhos, rosas e cores, seu peito arfa em um movimento ritmado, sagrado, seus olhos fechados, seus lábios entreabertos, sua pele se insinua sob os lençóis e seu corpo vibra.
E é imperdoável que enquanto isso o mundo continue a girar ignorantemente; é incompreensível que a maquinaria do tempo não pare e num gesto respeitoso se ajoelhe a seus pés.
Sim, meus amigos, a mulher amada dorme! E eu aqui, insone, desperto, só queria estar em sua presença, em seu quarto, em sua cama e, humilde, inspirar o ar que sai de sua boca, lentamente...
Escrito por moacircaetano às 19h49
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Um pouco de Manuel Bandeira
MOMENTO NUM CAFÉ
Quando o enterro passou Os homens que se achavam no café Tiraram o chapéu maquinalmente Saudavam o morto distraídos Estavam todos voltados para a vida Absortos na vida Confiantes na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado Olhando o esquife longamente Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade Que a vida é traição E saudava a matéria que passava Liberta para sempre da alma extinta.
Escrito por moacircaetano às 22h03
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MUDE
Andei passeando pelo mundo enlouquecido do Edson Marques.
À medida que meus olhos seguiam suas palavras, a poesia fluia de dentro de mim, como num descarrego da minha parte de insanidade.
Alguns dos resultados:
14 de agosto
Amores vão e vêm A verdade não pertence a ninguém Apenas o coração, monológico inverte o sentido do relógio e transforma o que foi alegria no intervalo mínimo de um dia...
13 de agosto
Tomando sol
Relendo Neruda
Pablo, preciso de ajuda!
7 de agosto
A beira do abismo
coincide com o caminho
onde o prêmio ao vencedor
é um cálice de vinho
Nas mãos, apenas nada
e um pouco de vazio
e na linha de chegada
um poeta em desvario
30 de julho
Minha mão ensandecida
parte em busca subitamente
do que brota, oh, semente
de tua mente pervertida
e do meu salto incandescente...
Blogado ao som de "Take this Bottle" - Faith no More "I can wait to love in heavan I cam wait for you Far away..."
Escrito por moacircaetano às 12h39
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IR REAL
moacircaetano e Decca
Espreitava dos dois passos quadrados que lhe cabiam na sua cotidianidade. Arriscava suas atitudes kamikazes no vasto espaço do seu ser, cometendo suas maiores loucuras e extravagâncias. Talvez por isso fugisse sempre para dentro de si quando a turbulência no entorno ameaçava - com atrocidades ou calmarias excessivas - o conforto interno instalado.
Pena que dessa vez não fosse possível! Não! Dessa vez fora longe demais, rompera todos os seus limites, distendera a realidade até um ponto impensável. Seu ser tornara-se pequeno demais para sua loucura! E o que havia de realidade já não encontrava alinhamento. O vampiro estava a solta. Supostamente morto. Saído do túmulo para sugar o sangue dos vivos, sentia-se assim!
E a substância passara a ser conseguida na dialética: devorador-devorado. Ávido de viver, consumia-se, e em sua costumeira insaciabilidade fronteiriça, percorreu o gosto da distância, alargando-se. Deflorando-deflorado. Devorando-devorado. E como amaldiçoado donatário recém urgido, experimentou a permeabilidade do viver.
Pela primeira vez em sua vida, deixou a cargo de outros seu destino. Cansara-se de ser o responsável por todas as mazelas desse mundo. Chega! Já era momento de permitir-se a loucura que sempre procurara em seus versos. Era hora de se transformar em seus próprios versos! E quem não gostasse, que fechasse as páginas e interrompesse a leitura! Levantou-se, dobrou os lençóis... ah, fodam-se os lençóis! Desfez a cama novamente e saiu. Tinha um encontro marcado consigo mesmo.
Nunca me senti à vontade pra escrever em prosa. Talvez porque a poesia sempre tenha naturalmente fluido, enquanto a prosa me obriga a uma concentração e esforço que não sei se sou capaz. Por isso sempre adio. Sempre protelo. E sempre acabo por desistir. Mas dessa vez tive uma guia maravilhosa. Que me levou pelo caminho. Que pegou na minha mão. Que me salvou do bicho papão. Até que não tropecei muito... Beijos, Decca.
Escrito por moacircaetano às 15h48
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ANTES
moacircaetano
Antes da sede, água antes da fome, pão Antes do ódio, calma antes do nome, travessão
Antes do olho, retina antes do sim o não Antes do sonho, realidade antes do sono, ação
Antes do brilho, opaco antes da entrada, anunciação Antes do riso, lágrima antes do pedido, permissão
Antes do jogo, treino antes do passe, recepção Antes do abraço, beijo antes do tosco, precisão
Antes do corpo, alma antes do sopro, criação Antes do simples, tudo que me traga confusão
Antes da mala, alça antes do soco, provocação Antes do tudo, nada antes do cérebro, coração
Antes do choro, alívio antes do alívio, palpitação Antes do susto, solitude antes da luz, escuridão
Antes do teu corpo, o nada antes do teu olho, solidão Antes de mim, você e sua doce presença, o toque da tua mão…
Blogado ao som de "What do you want from me" - Pink Floyd "I´m not the one you need What do you want from me? You can have anything you want You can drift, you can dream, even walk on water, anything you want..."
Escrito por moacircaetano às 20h36
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POEMAS A 4 MÃOS
moacircaetano e Decca
> AMOR
Quando o amor acordou, estava morto Nada havia, pulsação, emoção. Arrefecia.
Quando o amor acordou, anoitecia De azul em azul, inebriante, vestiu o céu de uma noite negra e fria
E antes que adormecesse novamente despertando assim em sobrevida recolhi todos os vestígios de lembranças tingidas e fui em frente
E sem querer, reinventei o amor onde antes não havia germinando em mim incubadora a revelia
> SECRETO SILÊNCIO
Secreto silêncio que atordoa mil formas fantásticas fazendo-se a toa em giz com escritas fáceis e borradas
e em tua voz promessas nunca antes reveladas...
> LIMBO
Quando o amor acordou, estava morto jazia a minha sombra perambulante (antes agora que antes) e eu, descompasso fenecendo dormia à sombra do gigante
E já não era mais o mesmo já não era quem um dia fui acreditando ter sido, compadecido extasiado, de um nada amortecido extenuado, estendendo-me a esmo
Estorvo inútil com graça recolhido antes de estorricar e de ser para sempre banido!
Não vou aqui dizer quem fez o que, mesmo porque um verso de um acaba por instigar a mente e as mãos do outro, transformando a percepção do poema, que passa a trilhar novos caminhos.
E o mais incrível é como essas poucas linhas aproximaram, infiltraram, permearam nossas almas.
Obrigado, Decca...
Escrito por moacircaetano às 12h43
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AGOSTO
Não é a toa que o mês de agosto tem má fama! Vejam só:
AGOSTO DE 1914: Começa a Primeira Guerra Mundial
AGOSTO DE 1945: Os EUA jogam a bomba atômica em Nagazaki (em 6 de agosto, pra ser mais exato...)
AGOSTO DE 1954: O jornalista Carlos Lacerda leva um tiro no atentado da Rua Toneleros. O governo de Getúlio Vargas entra em crise. Getúlio se suicida no dia 24.
AGOSTO DE 1961: Jânio Quadros renuncia à presidência do Brasil.
AGOSTO DE 1962: Morre Marylin Monroe.
AGOSTO DE 1965: Morre a cantora Carmen Miranda, que morria de medo de morrer em agosto.
AGOSTO DE 1976: O ex-presidente Juscelino Kubitschek morre em acidente de carro.
AGOSTO DE 1977: Morre Elvis Presley.
AGOSTO DE 1973: Nasce Moacir Caetano.
Hahahahahahhahhahahah...
Escrito por moacircaetano às 20h43
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2032
moacircaetano
Na volta
dentro da mala elastotermotemporal
várias camisetas, chaveiros e bonés
onde se lê: "LEMBRANÇAS DE MARTE"
escrito em 32 línguas e dialetos.
Escrito por moacircaetano às 20h12
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Engraçado como às vezes as grandes lições vêm de onde menos esperamos!
Em uma conversa descontraída com uma grande amiga minha, quando falávamos sobre um assunto que nada tinha a ver com o que se seguiu, descobri que sua cunhada e o marido - pessoas que conheço de passagem e com os quais nunca troquei uma frase contendo mais de dez palavras - pessoas comuns, como você e eu, guardavam consigo uma linda história de amor. Namoraram, ainda jovens, mas por essas voltas malucas que a vida dá, acabaram por se separar. Cada um seguiu sua vida. Casaram-se com outras pessoas, e o mundo seguiu seu giro eterno. Muitos anos depois, separaram-se. Reencontraram-se. E, como se o Destino jogasse sua cartada final, reapaixonaram-se e estão hoje juntos.
Isso me fez pensar em como erramos diariamente ao manter o foco de nossa vida em pontos tão próximos, tão limitados quanto o hoje e o amanhã! Quão pequeno, quão irrisório é esse período de tempo perante todo o curso de nossas vidas! Como teimamos em nos considerar certos, donos de nossa vontade, senhores do nosso destino; quando nem ao menos sabemos o que o futuro nos reserva!
E quantas histórias de amor espreitam cada esquina...
E certamente esses dois nunca saberão como a história de suas vidas me tocou, e continuarão conversando comigo em frases de menos de dez palavras, sem saber que o poeta dentro de mim verá agora não um homem e uma mulher, mas um conto de amor personificado...
Escrito por moacircaetano às 23h11
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SEGUNDO DOMINGO DE AGOSTO
moacircaetano
Sim, estamos todos aqui
poucas vezes isso acontece
poucas vezes nos reunimos
poucas vezes isto já vi
tecido que o tempo não tece
O pai o filho as filhas
reunidos alegres e tristes
juntos insólito estranho
tornados de simples ilhas
a peças gerais de rebanho
Sim, estamos todos aqui
e o olho mesmo que chora
é a boca que me sorri
saudade alegria tristeza
crepúsculo ocaso aurora
Uma a um te olhamos no rosto
à luz explícita da tarde
se encontram sagrado e profano
e se nos apresenta o gosto
de tudo que é doce e que arde
E arde, porém é tão próprio
às famílias, aos pais e aos filhos
aos dilemas, à realidade
é vício, heroína, é ópio
é amargo mas traz saudade
Voltando ao ponto: estamos
juntos após tanto tempo
juntos após tantos anos
reencontrando o que fomos
reavendo o que perdemos
É certo que nunca é fácil
a arte do reencontro
a arte do equilíbrio
entre a ruga em nossa face
e o sorriso meio esconso
é engraçado como hoje vejo
em mim tanto de ti
eu que apenas esperava
- mais que esperança, desejo -
distância do que vivi
Só hoje vejo que tudo
mais que ausência ou erosão
é complexo mas não previsível
é aquilo que é raiz
mas no tronco encontra razão
Esse insípido alheamento
que não estende sua mão
que não admite sentimento
que represa, isola, contém
soterrado entre o desvão
Esse medo de se doar
economia de efusão
sombra, despojo de guerra
céu de encontro ao chão
espelho de encontro à terra
Mas é só, e estamos juntos
embora só por enquanto
sem armas, mas sem rendição
apenas a leve tensão
permeando o pouco encanto...
Escrito por moacircaetano às 09h56
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UM DIA NO PARAÍSO (PRA SEMPRE PERDIDO...)
moacircaetano, se apropriando e se infiltrando em texto da Deb
Era bem mais velha... e nem havia muita afinidade entre elas... talvez a diferença de idade impedisse uma aproximação ou amizade... até então parecia haver uma rejeição natural entre ambas... mas... um dia a mais velha ficara responsável pelo bem-estar da menina enquanto os adultos resolviam compromissos fora...
Esse corpo que nunca antes parecera tão suave, tão sublime tão povoado de estrelas
agora brilhava, incêndio evanescendo-a intumescendo-a arrancando-a da inocência
A outra parece ter levado a tarefa a sério demais... e tratava a menina como a um bebê... foi engraçado... Resolveu banhar e colocar a menina para dormir... a menina que nunca recebera tanta atenção da prima chata, aceitou encantada com a brincadeira... Deu um banho bem cuidadoso na menina... enrrolou-a na toalha... aliás, em duas... uma só para os cabelos... depois, já no quarto, desembaraçou seus cabelos...
negros, os cabelos desciam até a curva suave dos quadris quantos desvios pelo caminho! quantas armadilhas, quantos ardis...
...fez-a deitar e delicadamente enxugou todo o seu corpo... a casa estava toda fechada... e o ambiente sombrio que as cortinas proporcionavam já indicava à menina algo de familiar...
seu corpo então lembrou-se do que nunca havia acontecido memória antiga, antepassada memória há muito adormecida
e o corpo, satisfeito, reagia arrepios, tremores, ofegava afogava-se no mar de sensações no corpo a alma se afogava...
e a prima não parecia ter pressa em vestir a menina... essa não reclamou, mesmo porque não sentia frio... Vamos dormir??? Depois eu visto você – disse a prima com um olhar curioso... a menina, então, não tinha mais nenhuma dúvida do que estava acontecendo... sorriu...
a noite então em dia se transformou, subitamente a luz da lua, suave e fria, tornou-se em sol, lúgubre, quente e dos mais de mil raios explodiram em luzes divinas, incandecentes...
Escrito por moacircaetano às 18h53
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7 DE AGOSTO
moacircaetano
O mundo não acabou nada, nada de fantástico interrompeu o giro do mundo e seu revestimento plástico
Os oceanos não secaram nem o planeta se desintegrou nenhuma morte, nenhum dano nem um poema, nenhum show
Apenas um pombo sentou-se à janela Fez cocô em meu parapeito e fugiu, rindo-se, o tagarela
Olhando aquilo, ri também Afinal, o que não faz mal também não chega a fazer bem!
Blogado ao som de "Behind Blue Eyes" - Limp Bizkit "...But my dreams, they aren´t as empty as my conscious seems to be I have hours, only lonely my love is vengeance that´s never free..."
Escrito por moacircaetano às 16h39
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ALFABETO DRUMMOND
Q QUERO
Quero que todos os dias do ano todos os dias da vida de meia em meia hora de 5 em 5 minutos me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo, creio, no momento, que sou amado. No momento anterior e no seguinte, como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão que me amas que me amas que me amas. Do contrário evapora-se a amação pois ao não dizer: Eu te amo, desmentes apagas teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado. Não exijo senão isto, isto sempre, isto cada vez mais. Quero ser amado por e em tua palavra nem sei de outra maneira a não ser esta de reconhecer o dom amoroso, a perfeita maneira de saber-se amado: amor na raiz da palavra e na sua emissão, amor saltando da língua nacional, amor feito som vibração espacial.
No momento em que não me dizes: Eu te amo, inexoravelmente sei que deixaste de amar-me, que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido Eu te amoamoamoamoamo, verdade fulminante que acabas de desentranhar, eu me precipito no caos, essa coleção de objetos de não-amor.
Escrito por moacircaetano às 18h13
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IMSOMNIA
moacircaetano
Apenas mais algumas horas...
Mais uma vela no bolo mais uma ruga no rosto mais um copo de cicuta sem gosto
mais um rosto que olha mais um olho que vê mais uma mão que implora porque?
e se não vejo motivo e se não vejo razão apenas deito, cansado em vão.
mais uma vela no bolo mais um bis da mesma canção ao fundo a voz do silêncio refrão!
Blogado ao som de "A long, hard road out of hell" - Marylin Manson "I wanna live, I wanna love, but it´s a long, hard road out of hell..."
Escrito por moacircaetano às 17h54
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AGOSTO
moacircaetano
Será que até hoje você não entendeu
o que eu não ousei te dizer?
Será que você nunca percebeu
o que me esforço por não demonstrar?
Meu Deus! Será possível que até hoje
não notou nos vincos em meu rosto
as coisas que nunca passei?
Anos de decepções e desgostos,
contratempos que nunca sofri...
As lágrimas que não derramei,
as dores que não tive ainda
oportunidade de sentir...
Será que não vai respeitar
o luto pelo qual não passei?
Não vê que meus ouvidos são surdos
pelo trovão que não troou,
pelo choro que não chorei,
pelo grito que não saiu?
Se é assim, vá embora
por essa porta que acabo de desenhar
com lápis sem grafite,
com minha pena sem tinta,
com carvão já consumido,
com minha mão já decepada.
Eu, antes mesmo de nascer.
O mundo, antes do caos...
Escrito por moacircaetano às 23h27
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http://sps.blig.ig.com.br/
Thais
Não, nossas portas ainda estão fechadas Mas, entre, se não há outro jeito. Talvez elas ainda não estejam acordadas. Quer mesmo conhecer do que o desejo é feito?
Sou Laura, puta velha e cafetina. Estômago alimentado à estricnina. Nosso trabalho é abrir pernas sob pagamento: Dinheiro, comida ou qualquer espécie de sofrimento. Venham, meninas: esta mulher quer fazer poesia Escrevendo sobre nossas vidas de pouca categoria.
*
Olá, meu nome é Beatriz. Sou capaz de fazer qualquer homem arder. Puta, vagabunda, prostituta, meretriz. Não há mais o que escrever.
Há trabalho: o sol já ilumina o mundo Abram as janelas. Que cheiro nauseabundo! Há sêmen por todo lado. E cinzeiros ainda lotados. O dinheiro ainda está por contar. É tarde: eles não demorarão a chegar.
*
Não ouça uma palavra do que se disse! Sou Marília, dançarina que todos procuram. Não vejo aqui apenas imundice. Vejo desejo e beleza quando me perfuram.
Presto serviços como se não fosse iniciante. Satisfação para mendigo, juiz, operário e almirante. Você sorri... Sabe que minto? Está proibido o orgasmo que nunca sinto. Ou me engano quanto ao seu sorriso? Imagina um mundo de prazeres paraíso?
**
Desista, você jamais entenderia Porque o mundo não desiste de acreditar que somos pornografia? se apenas pagamos todo erro que existe.
Que bobagem é essa de liberdade sexual? Aqui, há séculos, tudo permanece igual. Somos mulheres de outra qualidade. Nosso útil corpo não serve para maternidade. Desculpe, esqueci de me apresentar: sou Dulcinéia, disseminadora de purulentas gonorréias.
***
Falha palavra! Silêncio que auxilia a compreender o que se dizia. Não fale poema! Sua ausência agora é meu tema.
Escrito por moacircaetano às 23h23
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SELFLESSNESS
moacircaetano
Não procure por respostas
Eu não as tenho
Tenho apenas sonhos impossíveis, suores pela madrugada
e noites sem sono.
Não me peça motivos
Não os conheço
Conheço apenas o sentimento que me preenche
E que é puro, insistente
E infinito
Não me peça consolo,
Piedade, clemência,
Entendimento ou compreensão.
O que é isso?
Tenho apenas em minhas mãos
O nada.
Blogado ao som de "Freak on a Leash" - Korn "Everytime I start to believe Something is rapen and taken from me..."
Escrito por moacircaetano às 17h20
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Faça o que quiser, mas não me ame.
Ana Paula Mangeon
Não me ame em dias de outono, Não me ame quando eu chorar ou quando eu estiver gargalhando. Não me ame quando eu contemplar quando eu encontrar beleza quando eu parecer delicadeza. Não me ame quando eu sussurrar seu nome ou quando eu lhe olhar de esgueira.
Não me ame sóbria, nem ébria. Não me ame em êxtase. Não me ame etérea.
Não me ame por minhas palavras. Não me ame por camaradagem. Não ame também o personagem.
Não me ame quando eu estiver dançando, ou quando eu estiver flertando, ou quando eu lhe dedicar um sorriso. Não me ame quando não for preciso.
Não me ame lépida, nem me ame zen Não me ame aqui, nem me ame além. Não me ame nos segundos em que eu vou de zero a cem. Não me ame, eu não sei amar ninguém.
Faça o que quiser, mas não me ame quando eu não lhe amar também.
Escrito por moacircaetano às 17h19
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