NÚPCIAS
moacircaetano
Iza era feliz num sonho. Não se dava com o mundo e suas raias do absurdo.
Um dia Iza sucumbiu. Igreja, véu e grinalda. E num álbum de retratos escondeu a sua alma.
Escrito por moacircaetano às 15h20
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AQUI
moacircaetano
Estou aqui. Como um rasgo no pano da mesa de bilhar. Como a luz do sol superexpondo a perfeita composição. Como uma nuvem escondendo o sol. Como um eclipse lunar.
Aqui estou eu. Como um catarro incrustrado na sua garganta. Como uma pedra entre os seus dentes. Como areia movediça. Como uma extrema unção.
Estou aqui. E cabe a ti o que fazer de mim!
Escrito por moacircaetano às 13h32
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DESFRAGMENTAÇÃO - ÚLTIMO POST
Seguem as duas últimas desfragmentações do conto COINCIDÊNCIA, de Nano Costa, postado aqui no dia 25.
Hoje, sou Eu e mais o Ramon Alcântrara.
INCIDÊNCIA moacircaetano
Tempos nojentos esses! Não tem um dia sequer que eu não tenha que enforcar ao menos uns quatro desgraçados! Antigamente eu até tinha prazer, mas agora... todo dia a mesma coisa, todo dia essa multidão, esse barulho, esse fedor de urina, de morte e desespero! E essa cambada de vagabundos? Não têm nada pra fazer? Vão pra casa, seus cornos. Suas mulheres devem estar dando pro vizinho agora! Vão pra casa, suas vagabundas, vão cuidar dos seus filhos! Lá vem mais um! Esse matou o próprio filho, como pode? Em outros tempos, eu teria um prazer imenso em mandar um degenerado desses pro Inferno. Mas hoje... A vontade que me dá é soltar esse pobre coitado; deixa o cara matar mais um monte de meninos por aí, ao menos desocupa um pouco o mundo! Ei, o que é aquilo? O que está acontecendo? Quem é essa velha?... O que...? (Ai meu filho deixa esse desgraçado ir embora me enforca no lugar dele me leva pra longe desse mundo não posso mais viver qualquer coisa é melhor que esse inferno bla bla bla bla bla bla) Com prazer, minha senhora! Alguma coisa diferente, pra variar! Nunca enforquei uma velha, deixa eu sentir como é a pele dela!(...) Áspera, que horrível! E que bafo medonho! Meu Deus, nem dente tem nessa boca! Merece a forca por crime de feiúra... hahahahahahahahah!!! Ei, cadê o cara que eu soltei? Mandei ele ficar aqui no canto! Agora só está esse menino no lugar dele! Que inferno!...Ah, foda-se! Vou matar logo essa velha!(TUMP)E essa porra desse menino, porque está chorando?Ah, caralho, lá vem mais um, deixa eu preparar o cadafalso!!!
http://moacircaetano.zip.net/
DESFRAGMENTO DA FORCA Ramon Alcântara
" [ ] huuuuu [ ] trile, trile, trile.... snock, snock...TRAGU TRAGU TRAGU... trile, trile, trile... [ ] snock, snock.... TRAGU, TRAGU, TRAGU.... trile, trile, trile..... splechium...... trile, trile..... enhencu, enhencu..... trile, trile...... [ ]"
http://literatura.nadadenovo.zip.net/
Escrito por moacircaetano às 14h18
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DESFRAGMENTAÇÃO - MAIS UM
Continuação da desconstrução do conto COINCIDÊNCIA, de Nano Costa, aqui postado no dia 25.
Dessa vez, é Murilo Guimarães quem nos desconstrói.
DESFRAGMENTANDO O MENINO Murilo Guimarães
Deixar-se ir O pai do garotinho leva alguns minutos até alcançá-lo. Abaixa-se e vê seus olhinhos enuviados no meio da multidão, que esperava a forca dos doze condenados. O homem segura forte a mão do menino e lhe entrega o pião. A velhinha acompanha atenta a ação entre pai e filho, chora e lhe acena pela última vez. O pai então leva a mão aos olhos do filho e o impede de ver a execução da velha senhora. Eles seguem para casa, o menino contempla o pião por todo o percurso. O homem não lhe solta a mão.Os dias rodam, a vida passa, o pião é brinquedo de todas as horas. O pai torna-se cada vez mais distante, entrega-se ao trabalho, há muito tempo sem a mulher, que morreu também misteriosamente. A criança vez por outra encara seu pai e o vê repetindo os golpes do machado na madeira recém extraída, para fazer a lenha do forno onde assam as cerâmicas que vendem juntos na feira. Naquela tarde, o tempo passa tranqüilo. De repente, do machado pula uma farpa que se enterra no olho do pai. O menino deixa o pião para socorrê-lo e se espanta com as lágrimas vermelhas que se formam abaixo do olho esquerdo.No domingo em que se completava o primeiro mês dos enforcamentos, a madrinha passa para levar o garoto à missa matinal. O menino informa que pedirá a Deus pela alma da mulher que morrera em seu lugar. O pai abraça-o e lhe pede para que comam juntos o almoço.O menino chega da missa e encontra o pai cozinhando. O cheiro forte da comida toma toda a casa e o menino se anima. A madrinha despede-se, beija a face do garoto e sai, mesmo percebendo a estranheza do momento.Pai e filho sentam-se e comem silenciosamente. O primeiro a cair estremecendo no chão foi o pai. A criança desespera-se, mas em pouco tempo também já tremia. Antes de morrer, repara que o quadro com a fotografia da mãe não estava mais sobre o armário feito pelas mãos do homem que agoniza ao seu lado. Procura, como que para realizar um último desejo. Vê que o retrato se deixa entrever entre os bolsos da camisa do pai, ensopada de sangue coalho. Lembra-se da mãe de sua mãe à espera da forca. A madrinha, que tanto se parece com elas, retorna e chora, ao ver que nada mais pode ser feito. O garotinho desenha na face um sorriso cândido, no momento em que se entrega à vontade inquestionável da morte.
http://livrodebolso.zip.net/http://livrodebolso.zip.net/
Escrito por moacircaetano às 18h17
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DESCONSTRUÇÃO - CONTINUAÇÃO
Continuação da desconstrução do conto COINCIDÊNCIA, de Nano Costa, aqui postado no dia 25.
Dessa vez, o pedaço é autoria de Decca.
SOLILÓQUIO DO CONDENADO Decca
Filha da puta! ... que pressa é essa?... alimentará, os porcos com meus próprios horrores... os carniceiros podem esperar,... adie a degustação e faça-os gozar nas calças de tanta satisfação e quiçá vomitar seus males, se tiverem coragem... duvido!... enganem-se se dizendo melhores que eu,... "Mãe?! Mamãe?!!"... Bastaaaaaaaaaaaaa!,... Cala a boca, moleque jazido! Ela se foi... foi embora,... já não chega a minha dor? Já não me atordoou o suficiente denunciando meu fracasso e acusando-me: incompetente?,... e esse seu sorriso doce e o amor inocente pela vaca da sua mãe?... merda! Tinha que espelhar o pior de meus erros em mim?... Tinha que me esfaquear com seu sorriso chamando a mãe?,... e agora jaz, como eu, por essa mesma vagabunda que me deixou!... por que foi que partiu?... vamos, terminem logo,... sirvam-me aos porcos,... quando foi que deixei de te servir?... Quando?... onde está, Hannah?... Não a vejo! Vaca!... onde esteve? onde está? ... cala a boca, velha maldita! ... cala-te! ... a voz, ... essa voz... algo de conhecido,... algo de vivido,... Como, no meu lugar? ... está maluca? ... Eu o esfaqueei,... preciso dar um basta,... preciso,... cadela, vai me emocionar agora?... esse beijo me traz a memória do que não tive,... e esse cheiro envelhecido?! (...) rodopio em lembranças esquecidas de um tempo remoto,... cinco anos,... pião perdido no tempo num rodopio do destino,... Por que me vejo nesse olho só?... e vocês, porcos,... ela é melhor que todos juntos e não suportam suas próprias culpas? Vejam! Olhem! (...) Olhem, covardes!,... Olhem para a... "Mãe?! Mamãe?!!",... olhe para mim com esse olho e só,... (soluço)... adeus!
http://papirus.zip.net/
Escrito por moacircaetano às 18h51
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DESFRAGMENTAÇÃO
Esta semana nosso querido Nano Costa nos propôs um interessante desafio: noa ofereceu, tal qual um Deus tardio, um filho seu para o sacrifício, salvando-nos assim.
Explico: ofereceu um conto de sua autoria para que cada um de nós o desconstruísse; ou seja, tecesse seu próprio conto a partir de sua prole.
Hoje, segue o original:
COINCIDÊNCIA Nano Costa
O Tempo e o Destino completam-se, são paradoxos que giram em eterna harmonia: O Tempo é o consumir da vida, o Destino é o nascer de novas possibilidades...A coincidência é o encontro de ambos por uma força maior...
Um homem é levado para forca, foi condenado a morte por ter esfaqueado seu próprio filho de cinco anos, o povo enfurecido grita: "Forca ao assassino!" O homem segue sem ânimo, triste, desiludido, vai sendo arrastado pelo Garroteador para o cadafalso, até que uma velhinha, cega de um olho, no meio da multidão grita: "Me enforquem no lugar deste desgraçado!" Fez silêncio... O Garroteador sorriu e disse: "Se assim deseja, assim será..." A velhinha num lento remanso foi até o homem que estava imóvel, incrédulo; ela lhe deu um beijo e entregou um pião, se dirigiu para a corda púrpura e seguiu a sina escolhida, a multidão fechou os olhos, ela, permaneceu com o único que tinha, arregalado, e, em seus últimos suspiros, pode ver um garotinho no meio da multidão lhe dando adeus com os olhinhos imersos em lágrimas.
http://literatura.nadadenovo.zip.net/
Escrito por moacircaetano às 16h43
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LEMBRANÇAS DE GUERRA
moacircaetano
Lembranças de guerra adentro baús fechados por décadas poeira nos olhos que cega por séculos despojos de guerra
Lembranças de guerra um quepe, um distintivo, a bala extraída do seio da carne crua a foto em preto e branco do pelotão orgulhoso a placa de identificação a dor antiga no osso (piora tanto nas noites frias...) lembranças que às vezes nem mesmo são suas
Lembranças de guerra Lembranças na boca do gosto de terra Lembrança dos dedos no gume da faca Lembranças insones, que choram, que berram
Lembranças de guerra o sono, que nunca, nunca mais veio o sopro de ódio roncando no peito Lembranças, resquícios, resíduos de guerra...
Escrito por moacircaetano às 11h01
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CHUVA
moacircaetano
Não sei como, mas ela sabia que iria chover!
Deitado sobre os lençóis, podíamos ver através da janela o mormaço que se elevava pela tarde. O céu, sem uma nuvenzinha seuqer. Calor. Insuportável. Levantou-se. Foi até a janela. Maravilhei-me, pela milésima vez, com a visão de suas coxas, suas costas, seus braços. E aquela delicada região entre as costas e o início dos quadris, onde pêlos tênues como o próprio ar se entrelaçavam aos dedos da brisa morna. E o suor. Muito suor. Muito calor! Mas divago! O que interessa é que ela olhou para o céu, azul infinito, e me disse, com aquela voz de destruir corações: "Vai chover!" Eu só podia rir! "Vem pra cama, vem..."
E enquanto descansávamos da segunda batalha, alguns pingos entraram, cintilantes, pela janela!
Escrito por moacircaetano às 10h09
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MICROCOSMO
moacircaetano
O sol até poderia sair não tivesse tanto medo da chuva!
A pressão da areia sob meus pés: isso sim, é realidade!
Com as mãos feridas, peguei o arco-íris. Num movimento súbito, quebrei-o. A tinta se espalhou pelos meus dedos...
Infelizmente Deus não se dispõe a barganhas...
Escrito por moacircaetano às 10h46
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ARDIL
moacircaetano
Esse ardil infantil, doente, pueril
sem razão sem expectativa, sem senão
destituído de lógica, puro improviso
interpretação vídeo de baixa resolução
sem sorriso tempestade, chuva de granizo
implosão diário, blog, atualização
sequencial randômico, multimodal
e a visão das suas unhas no meu coração!
Ao som de "Miss You Love" - Silverchair "...and I love the pain, a breeding ground for hate..."
Escrito por moacircaetano às 08h55
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UM DIA...
moacircaetano
Um dia teus olhos brilharam mais que o necessário e enxergando nisso motivo vário me submeti
àquilo que dentro de mim se acelerava às batidas no peito, o ritmo do sangue no ventre nas veias do tremor nas pernas
e aí sem que tivesse controle ou vontade sem que soubesse o que é que me cabe caí
desabei com tudo no chão de vidro estilhaço estilete estilingue estranheza me feri...
Ao som de Auto Pilot - Queens of the Stone Age "I waana fly, wanna ride with you, Is this the best that you can´t do? Ahhh, auto pilot, no control..."
Escrito por moacircaetano às 11h59
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EXCESSO DE BAGAGEM
Desde que criei esse blog, um dos itens que mais me orgulho é a relação de Links Amigos. Fiz um compromisso comigo mesmo de linkar apenas os blogs de que eu gostasse realmente, e que complementassem o que sinto, o que escrevo; enfim, o que sou.
Pra isso, coloquei pra mim mesmo um limite: apenas 20 blogs estariam linkados, sempre. Assim, eu me obrigaria a pensar muito antes de substituir um já existente por outro novo.
Porém, nesses últimos dias, tenho recebido muitas visitas novas, e todas elas com tanto em comum comigo, e de tão grande qualidade, que não posso deixá-las sem seus caminhos por aqui. No entanto, as que já estão linkadas são impossíveis de serem apagadas. Assim, vou deflorar minha relação de links e colocar todas essas pessoas maravilhosas que têm entrado em minha vida. Abaixo os limites!
São elas:
http://solstar04.zip.net/
www.poetisasimone.weblogger.com.br
www.meuparedro.blogger.com.br
http://johnpaulvc.blog.uol.com.br/
http://literatura.nadadenovo.zip.net/
www.tendesse.weblogger.terra.com.br
http://www.ahoamor.blogger.com.br/
http://www.descobrindoavida.weblogger.terra.com.br/
Beijos e abraços a todos!
Escrito por moacircaetano às 11h21
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ALGO
moacircaetano
Há nos seus olhos algo de sangue! Algo de dor, algo de morte. Há nos seus olhos algo de grande!
Há alguma coisa em seus olhos que vai acabar nos matando. Algo de muito estranho, muito forte e que não quer estar, estando!
Algo triste. Confuso. Inacabado. Sem uso.
Algo estéril. Extinto. Algo! Eu sinto...
Há nos seus olhos algo de mim!
Escrito por moacircaetano às 16h59
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FIM
moacircaetano
Vem ver o fim do mundo comigo!
Aperta sua mão na minha mão bem forte muito muito muito forte encosta teu olho teu olho no meu vamos andando mesmo a pé até o Morro do Aranha ou o Morro do Além vem, senta comigo aqui no telhado dessa casa vamos esperar...
Quando as chamas mais altas chegarem a nossos pés você me dá um beijo no rosto eu te abraço um pouquinho mais forte um breve momento de anunciação e nos dissolvemos, quase numa prece...
Ao som de "Poles Apart" - Pink Floyd "Did you know?... I never thought that you´d lose that light in your eyes..."
Escrito por moacircaetano às 10h25
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Os olhos de Cérbero
moacircaetano
água pra sua sede pão pra minha fome estranheza é meu apelido volátil meu sobrenome
se calo, é por timidez se falo, sou microfone morte, só uma por vez vida ainda que insone
histórias de assombração um tango à meia-luz esgoto, e da prisão trouxe teus olhos azuis
os dentes dilacerados os braços postados em cruz meu sangue, pobre coitado veneno embebido em pus
e antes que eu me esqueça de tudo o que já te fiz meto uma bala na cabeça e morro um pouco feliz!
Escrito por moacircaetano às 10h41
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THE LAST ONE THAT WAS PRINTED
moacircaetano
Não se sabe ao certo se o que interessa é o que ouve ou o que se atesta Não se sabe ao menos o endereço do que deixa a vida mas não tem preço Minha mãe não soube o que aconteceu até o dia em que viu o que perdeu e eu corifeu apenas sorria pois meu mundo era música e poesia
e ainda que me digam que é mito ainda assim teimo e repito e ainda que lhe ouça o conselho respeito apenas meu espelho e apesar de me esconder sempre mais e mais e mais fundo o momento da criação é a data do fim do mundo!
Ao som de I Am Mine - Pearl Jam "We're all different behind the eyes There's no need to hide..."
Escrito por moacircaetano às 11h29
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Reação
moacircaetano
No fun do
as part ículas já de cantadas
começam a as sumir
a for ma cristalina
brilhante una simples
e o mais principia a desaparecer...
Que efeito terá o fogo?
Escrito por moacircaetano às 14h41
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Descobriram meus segredos mais íntimos.
Paulo Godoy Maruca Junior
Acho que isso acontece com todo mundo .... Eu recebo toda semana. São aqueles emails, denominados spam oferecendo: - Viagra - Viagra Natural - Aparelhos para aumentar o tamanho do pênis - Diplomas pela internet (inclusive de medicina) sem ter que cursar nada - Fórmulas para ficar rico sem trabalhar - Empréstimos a juros irrisórios - Serviços espirituais para reaver um amor perdido ou conseguir um novo amor - Curso infalível de sedução que vai me propiciar a oportunidade de comer as mulheres mais lindas do universo - Remédios difíceis (abortivos, anti-HIV, quimioterápicos para câncer, anti-hipertensivos, anti-depressivos)
Afinal de contas quem foi que contou pra essa gente que, além de ter um pau pequeno, sou broxa, não consegui me formar, não consigo ganhar mulher, não consigo ganhar dinheiro, preciso fazer um aborto, tô com AIDS, com pressão alta, depressão, com câncer e mais tudo de ruim que se puder imaginar?! Eram segredos que eu guardava a sete chaves!! A internet, realmente, abriu meus segredos para todo mundo.
http://paulomaruca.zip.net
Luz e Palavras: http://moacircaetano.fotoblog.uol.com.br
Escrito por moacircaetano às 09h38
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INSPIRAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO
clímax valéria tarelho
fina e tímida: a chuva, quando garo(t)a.
até que cresce, perde a pose: engrossa, goza aos montes.
ante-clímax moacircaetano
Amazing suas palavras, dançando no hazing...
Delighting De lá de dentro de mim Dinastia Ming
I love each one of your words me move
And you Em mim Aninho I´m in...
Luz e Palavras: http://moacircaetano.fotoblog.uol.com.br
Escrito por moacircaetano às 11h11
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Luz e Palavras:
http://moacircaetano.fotoblog.uol.com.br
Escrito por moacircaetano às 12h13
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DEMÔNIO (inspirado em trecho de Nietzche)
moacircaetano
E se hoje abrisses tua porta e em pé, solícito, impune lhe aparecesse um demônio? Se se lhe oferecesse nas brumas fugazes do sonho?
Te diria, inclemente: "A partir de hoje, exatamente hoje, viverás conforme esse mesmo dia, sem surpresas, até o dia de tua morte;
Sem nada que lhe surpreenda, sem sonho, sem oferenda, sem suspiros, sem aspirações, sem novos livros, novos filmes, sem novas pessoas, sem novas canções;
atado ao tecido conhecido desse dia para toda a eternidade permanecerás não mais descobertas, não mais deslumbramento, não mais presentes ou ofertas
E cada dor, a saberás! Cada alegria, cada agonia cada grão de arroz degustado cada gole d'água, cada centavo um ensaio eterno, eternizado.
E ao final do dia, eu, de novo a te oferecer nada mais que nada a não ser o fim da perspectiva o fim do que é vivo, do que vibra apenas a mesma, mesma jornada".
Ah, se isso acontecesse não enlouquecerias ante a idéia do imutável e o desespero decerto preencheria o teu dia!
Mas acaso não é isso que fazes contigo mesmo? Desperdiças teu intelecto tudo que te apraz é secreto e continuas vivendo a esmo
As amarras do real em sua mente se impõem não ousas, não adivinhas a ti próprio, não te cultivas não desafias, não te propõe
Apenas repete sempre o mesmo roteiro por outros escrito não ouves o teu pensamento não ouves teu próprio grito vives em eterno lamento escondido atrás de certezas que voam ao sabor do vento
E terminas a vida entorpecido pela ausência perene de si próprio sofres pelo que não tem mas não abandonas o vício de ser teu mesmo refém...
Até que te venha o fim, o fim que a todos vêm...
Luz e Palavras:
http://moacircaetano.fotoblog.uol.com.br
Escrito por moacircaetano às 21h48
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a mulher.
Breno Pessoa
abro a porta do ap. acendo a luz. a sala é, então, iluminada por uma claridade fraca, reflete no espelho. esconde a sujeira que se apossou do chão. Stella me aguarda de pijama, com os olhos de quem acabou de acordar. são 3 e meia da manhã de uma noite fria. estou molhado. tiro o casaco, penduro no cabide, já repleto de roupas. Stella beija a minha boca, desafivela o meu cinto, segura o meu pau e aperta. estou bêbado demais para dizer. minha consciência oscila, os olhos se apertam, ignoro tudo. proteção, ritos, bom-senso.
Stella senta no meu desejo, morde os meus dedos, que pedem desesperadamente para sua voz correr pra dentro. [tem muita gente nesta casa, Stella. um barulho, e eles acordam]. foda-se. adentramos o quarto, deitamos na minha cama, percorremos um o corpo do outro. saliva, hormônios, febre. enlouqueço. Stella me empurra pra fora, engole de uma vez os meus alguns centímetros. até. então, cospe as minhas gerações futuras no tapete velho, bebe da água esquecida sobre a cabeceira. e se vai.
já nem sei o que pensar. essa nossa rotina desvairada, os nossos motivos, descompromissos, as nossas trepadas. solidão a dois, a três, a quatro. [quando será que voltarei a ter meu próprio quarto?] não me respondo. apenas observo Stella na cama ao lado, abraçada a sua namorada.
http://www.gardenal.org/blogautores/
Escrito por moacircaetano às 12h19
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ALFABETO DRUMMOND
Z ZONA DE BELO HORIZONTE
A festa de aniversário de Pingo de Ouro acaba em frege. Maria Pinguinho corre nervosa à delegacia para soltar a Alemãzinha engalfinhada com Maria Triste no véu de cocaína e éter.
Serão sempre assim as mulheres perdidas, e perdidas porque nunca se acham mesmo no véu de cocaína e éter?
Termina aqui o Alfabeto Drummond, sem X porque não existe poesia de Drummond com X. E com essa última poesia, que é a única com Z.
Termina aqui uma homenagem ao maior poeta já nascido nesse país, seja por sua carga poética, por sua extensa obra ou por sua extrema facilidade de dar aos fatos cotidianos a grandeza que eles carregam. E ao tratar o excepcional como apenas mais um detalhe da grande arte de viver...
Aos que conhecem drummond profundamente, quis dar a chance de novamente se emocionarem com seus versos. Aos que conhecem apenas os clássicos, quis mostrar alguns poemas menos óbvios, pra que se surpreendam. E aos que não conhecem, quis gritar: "Descubram, mergulhem, se embebedem de Carlos!"
Escrito por moacircaetano às 17h05
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NAMELESS
moacircaetano
O cheiro das folhas secas atingiu teu olhar limpando-me do que era tua ausência
os tigres devoraram um a um nossos caminhos e o sol ainda mergulhava, esperançoso
me virei a tempo de desviar do amanhã mas já não era sólido, e despi-me então...
Escrito por moacircaetano às 18h28
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MACONDO
moacircaetano
Vão e voltam. Fazem do porvir seu alimento. Não têm nada a não ser o desgosto e o desejo de um dia de sol.
Sabem-se sós, e ainda assim aguardam o rumo dos acontecimentos a noite cai com suas oitocentas mil estrelas e só uma lua de sobremesa.
e quantas léguas ainda virão até que borboletas novamente floresçam sento-me, sirvo-me do pó da estrada e penso novamente em teus olhos.
Reescrevo um soneto ao contrário sem rima, sem métrica, sem soneto enfim estás nua, estou longe
e as plataformas rugem...
Escrito por moacircaetano às 13h46
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ALFABETO DRUMMOND
V VERDADE
A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta. Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos. Era dividida em metades diferentes umas das outras.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela. Nenhuma das duas era totalmente bela. E carecia optar. Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Escrito por moacircaetano às 22h58
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EPITÁFIO
moacircaetano
Já não eram mais homens nem bicho, nem gente e depois de sua partida de forma tão contundente não têm nem direito a nome na hora da despedida
Um ainda tem sorte Antônio Odilon dos Santos Um é 3309 não tem quem o chore o 3328 não tem quem lhe dedique um pranto e o 3333 é apenas mais um que morre nas ruas não tinha casa na morte encontra recanto
Atacados Objetos contundentes mártires do asfalto
Assassinados por mim, por você, indigentes de vida, de nome, de fato...
Escrito por moacircaetano às 21h27
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IVAN JUNQUEIRA
E se eu te disser que te amo, assim, de cara, sem mais delongas ou tímidos rodeios, sem nem saber se a confissão te enfara ou se te apraz o emprego de tais meios?
E se eu te disser que sonho com teus seios, teu ventre, tuas coxas, tuas claras maneiras de sorrir, os lábios cheios da luz que escorre de uma estrela rara?
E se eu te disser que à noite não consigo sequer adormecer porque me agarro à imagem que de ti em vão persigo?
Pois eis que o diggo, amor. E logo esbarro em tua ausência - essa lâmina exata que me penetra e fere e sangra e mata.
Escrito por moacircaetano às 13h25
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INFINITO
moacircaetano
Como queria não ser bomba, granada, corte, explosão, torrente, corrente, esguicho, derrame, vazão.
Como gostaria me perder lentamente, sem desespero, implosão, sem ferir...
Mas o que resta me surpreende...
Escrito por moacircaetano às 13h07
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