Counters
Free Counter omnia mutantur, nos et mutamur in illis


Viagens...

> moacircaetano todo prosa <

> flickr <

> desenhos e photoshop <

> retratista <

> armazém de coisas <

> blog de 7 cabeças <

> músicas com josué <

> fotolog com Miriam e Ju <

Antes...

01/01/2017 a 31/01/2017
01/12/2016 a 31/12/2016
01/10/2016 a 31/10/2016
01/05/2016 a 31/05/2016
01/04/2016 a 30/04/2016
01/03/2016 a 31/03/2016
01/02/2016 a 29/02/2016
01/12/2015 a 31/12/2015
01/10/2015 a 31/10/2015
01/05/2015 a 31/05/2015
01/02/2015 a 28/02/2015
01/11/2013 a 30/11/2013
01/04/2013 a 30/04/2013
01/02/2013 a 28/02/2013
01/01/2013 a 31/01/2013
01/12/2012 a 31/12/2012
01/10/2012 a 31/10/2012
01/09/2012 a 30/09/2012
01/08/2012 a 31/08/2012
01/07/2012 a 31/07/2012
01/02/2012 a 29/02/2012
01/12/2011 a 31/12/2011
01/03/2011 a 31/03/2011
01/08/2010 a 31/08/2010
01/07/2010 a 31/07/2010
01/03/2010 a 31/03/2010
01/08/2009 a 31/08/2009
01/07/2009 a 31/07/2009
01/04/2009 a 30/04/2009
01/02/2009 a 28/02/2009
01/01/2009 a 31/01/2009
01/12/2008 a 31/12/2008
01/11/2008 a 30/11/2008
01/10/2008 a 31/10/2008
01/09/2008 a 30/09/2008
01/08/2008 a 31/08/2008
01/07/2008 a 31/07/2008
01/06/2008 a 30/06/2008
01/05/2008 a 31/05/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/03/2008 a 31/03/2008
01/02/2008 a 29/02/2008
01/01/2008 a 31/01/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/11/2007 a 30/11/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006
01/09/2006 a 30/09/2006
01/08/2006 a 31/08/2006
01/07/2006 a 31/07/2006
01/06/2006 a 30/06/2006
01/05/2006 a 31/05/2006
01/04/2006 a 30/04/2006
01/03/2006 a 31/03/2006
01/02/2006 a 28/02/2006
01/01/2006 a 31/01/2006
01/12/2005 a 31/12/2005
01/11/2005 a 30/11/2005
01/10/2005 a 31/10/2005
01/09/2005 a 30/09/2005
01/08/2005 a 31/08/2005
01/07/2005 a 31/07/2005
01/06/2005 a 30/06/2005
01/05/2005 a 31/05/2005
01/04/2005 a 30/04/2005
01/03/2005 a 31/03/2005
01/02/2005 a 28/02/2005
01/01/2005 a 31/01/2005
01/12/2004 a 31/12/2004
01/11/2004 a 30/11/2004
01/10/2004 a 31/10/2004
01/09/2004 a 30/09/2004
01/08/2004 a 31/08/2004
01/07/2004 a 31/07/2004
01/06/2004 a 30/06/2004
01/05/2004 a 31/05/2004
01/04/2004 a 30/04/2004
01/03/2004 a 31/03/2004


Links Amigos
 A Mulher que eu amo!!! (fotolog)
 A Mulher que eu Amo!!! (blog)
 Olívia e Bolívia
 A Madahlena sem Arrependimento
 Aline
 Andréa Del Fuego
 Ana Paula Mangeon
 Bizarro Deslumbre
 Borboleta e Joaninha
 Breves Histórias Cotidianas
 Calcinhas ao Léo
 Carla Juliano
 Césped Vesper
 Coisa Rara
 Coração na Boca
 Creolina
 Czarina
 Diovvani Mendonça
 Infinit Loop
 Decca e seus rabiscos
 Demasiadamente Inconstante
 e-pistolas
 Elaine Lemos
 Enfim tudo de novo
 Ensaios do Eu
 Escuchameporra
 Fada Milly
 Farinhada
 Fernando Palma
 Flores, Pragas e Sementes
 Gaveteiro
 Giramundo Giraeu Girassol
 Histórias e Vitórias
 Isabellinha, Movimentando o Nada
 Japonês em Braille
 Josué Gomes
 Keila, sobre caminhos e pedras...
 Leite de Letra
 Letra Preta
 Lobotomy Cafe
 Lomyne
 Lugar Gostoso
 Lume Vagante
 Marcelo Brettas
 Marluquices
 Mendoscopia
 Meu Contratempo
 Mia Geodésica
 Monopólio
 Múcio Góes
 Mundo Estranho
 Noturnolândia
 Rainha de Copas e seu sorriso de arco-íris
 Remo Saraiva
 Rita Apoena
 Samia
 Sandra Souza
 Saramar
 Torre de Bebel
 Um Anjo Pornográfico
 Um Tiro no Escuro
 Veronique
 Versos deLírios
 MUSICOVERY
 Devaneios Aéreos
 Nati Alves
 Hipácia
 O Mundo de Paco
 Tati Messias
 Suspiros de Sabrina
 Adyverso
 Verbologue
 Sentir é um Fato
 Mainha me deu lápis
 Ramon Alcântara









moacircaetano


NÚPCIAS

moacircaetano


Iza era feliz num sonho.
Não se dava com o mundo
e suas raias do absurdo.

Um dia Iza sucumbiu.
Igreja, véu e grinalda.
E num álbum de retratos
escondeu a sua alma.




 Escrito por moacircaetano às 15h20
[ ] [ envie esta mensagem ]



AQUI

moacircaetano


Estou aqui.
Como um rasgo no pano da mesa de bilhar.
Como a luz do sol
superexpondo a perfeita composição.
Como uma nuvem escondendo o sol.
Como um eclipse lunar.

Aqui estou eu.
Como um catarro incrustrado na sua garganta.
Como uma pedra entre os seus dentes.
Como areia movediça.
Como uma extrema unção.

Estou aqui.
E cabe a ti
o que fazer de mim!




 Escrito por moacircaetano às 13h32
[ ] [ envie esta mensagem ]



DESFRAGMENTAÇÃO - ÚLTIMO POST


Seguem as duas últimas desfragmentações do conto COINCIDÊNCIA, de Nano Costa, postado aqui no dia 25.

Hoje, sou Eu e mais o Ramon Alcântrara.


INCIDÊNCIA
moacircaetano

Tempos nojentos esses! Não tem um dia sequer que eu não tenha que enforcar ao menos uns quatro desgraçados! Antigamente eu até tinha prazer, mas agora... todo dia a mesma coisa, todo dia essa multidão, esse barulho, esse fedor de urina, de morte e desespero! E essa cambada de vagabundos? Não têm nada pra fazer? Vão pra casa, seus cornos. Suas mulheres devem estar dando pro vizinho agora! Vão pra casa, suas vagabundas, vão cuidar dos seus filhos! Lá vem mais um! Esse matou o próprio filho, como pode? Em outros tempos, eu teria um prazer imenso em mandar um degenerado desses pro Inferno. Mas hoje... A vontade que me dá é soltar esse pobre coitado; deixa o cara matar mais um monte de meninos por aí, ao menos desocupa um pouco o mundo! Ei, o que é aquilo? O que está acontecendo? Quem é essa velha?... O que...? (Ai meu filho deixa esse desgraçado ir embora me enforca no lugar dele me leva pra longe desse mundo não posso mais viver qualquer coisa é melhor que esse inferno bla bla bla bla bla bla) Com prazer, minha senhora! Alguma coisa diferente, pra variar! Nunca enforquei uma velha, deixa eu sentir como é a pele dela!(...) Áspera, que horrível! E que bafo medonho! Meu Deus, nem dente tem nessa boca! Merece a forca por crime de feiúra... hahahahahahahahah!!! Ei, cadê o cara que eu soltei? Mandei ele ficar aqui no canto! Agora só está esse menino no lugar dele! Que inferno!...Ah, foda-se! Vou matar logo essa velha!(TUMP)E essa porra desse menino, porque está chorando?Ah, caralho, lá vem mais um, deixa eu preparar o cadafalso!!!


http://moacircaetano.zip.net/

DESFRAGMENTO DA FORCA
Ramon Alcântara


" [ ] huuuuu [ ] trile, trile, trile.... snock, snock...TRAGU TRAGU TRAGU... trile, trile, trile... [ ] snock, snock.... TRAGU, TRAGU, TRAGU.... trile, trile, trile..... splechium...... trile, trile..... enhencu, enhencu..... trile, trile...... [ ]"


http://literatura.nadadenovo.zip.net/



 Escrito por moacircaetano às 14h18
[ ] [ envie esta mensagem ]



DESFRAGMENTAÇÃO - MAIS UM


Continuação da desconstrução do conto COINCIDÊNCIA, de Nano Costa, aqui postado no dia 25.

Dessa vez, é Murilo Guimarães quem nos desconstrói. 


DESFRAGMENTANDO O MENINO
Murilo Guimarães

Deixar-se ir
O pai do garotinho leva alguns minutos até alcançá-lo. Abaixa-se e vê seus olhinhos enuviados no meio
da multidão, que esperava a forca dos doze condenados. O homem segura forte a mão do menino e lhe
entrega o pião. A velhinha acompanha atenta a ação entre pai e filho, chora e lhe acena pela última vez.
O pai então leva a mão aos olhos do filho e o impede de ver a execução da velha senhora. Eles seguem
para casa, o menino contempla o pião por todo o percurso. O homem não lhe solta a mão.Os dias rodam,
a vida passa, o pião é brinquedo de todas as horas. O pai torna-se cada vez mais distante, entrega-se ao
trabalho, há muito tempo sem a mulher, que morreu também misteriosamente. A criança vez por outra
encara seu pai e o vê repetindo os golpes do machado na madeira recém extraída, para fazer a lenha do
forno onde assam as cerâmicas que vendem juntos na feira. Naquela tarde, o tempo passa tranqüilo. De
repente, do machado pula uma farpa que se enterra no olho do pai. O menino deixa o pião para socorrê-lo
e se espanta com as lágrimas vermelhas que se formam abaixo do olho esquerdo.No domingo em que se
completava o primeiro mês dos enforcamentos, a madrinha passa para levar o garoto à missa matinal.
O menino informa que pedirá a Deus pela alma da mulher que morrera em seu lugar. O pai abraça-o e lhe
pede para que comam juntos o almoço.O menino chega da missa e encontra o pai cozinhando. O cheiro
forte da comida toma toda a casa e o menino se anima. A madrinha despede-se, beija a face do garoto e sai,
mesmo percebendo a estranheza do momento.Pai e filho sentam-se e comem silenciosamente. O primeiro a
cair estremecendo no chão foi o pai. A criança desespera-se, mas em pouco tempo também já tremia. Antes
de morrer, repara que o quadro com a fotografia da mãe não estava mais sobre o armário feito pelas mãos
do homem que agoniza ao seu lado. Procura, como que para realizar um último desejo. Vê que o retrato se
deixa entrever entre os bolsos da camisa do pai, ensopada de sangue coalho. Lembra-se da mãe de sua mãe
à espera da forca. A madrinha, que tanto se parece com elas, retorna e chora, ao ver que nada mais pode
ser feito. O garotinho desenha na face um sorriso cândido, no momento em que se entrega à vontade
inquestionável da morte.


http://livrodebolso.zip.net/http://livrodebolso.zip.net/



 Escrito por moacircaetano às 18h17
[ ] [ envie esta mensagem ]



DESCONSTRUÇÃO - CONTINUAÇÃO


Continuação da desconstrução do conto COINCIDÊNCIA, de Nano Costa, aqui postado no dia 25.

Dessa vez, o pedaço é autoria de Decca.


SOLILÓQUIO DO CONDENADO
Decca

Filha da puta! ... que pressa é essa?... alimentará, os porcos com meus próprios horrores... os carniceiros podem esperar,... adie a degustação e faça-os gozar nas calças de tanta satisfação e quiçá vomitar seus males, se tiverem coragem... duvido!... enganem-se se dizendo melhores que eu,... "Mãe?! Mamãe?!!"... Bastaaaaaaaaaaaaa!,... Cala a boca, moleque jazido! Ela se foi... foi embora,... já não chega a minha dor? Já não me atordoou o suficiente denunciando meu fracasso e acusando-me: incompetente?,... e esse seu sorriso doce e o amor inocente pela vaca da sua mãe?... merda! Tinha que espelhar o pior de meus erros em mim?... Tinha que me esfaquear com seu sorriso chamando a mãe?,... e agora jaz, como eu, por essa mesma vagabunda que me deixou!... por que foi que partiu?... vamos, terminem logo,... sirvam-me aos porcos,... quando foi que deixei de te servir?... Quando?... onde está, Hannah?... Não a vejo! Vaca!... onde esteve? onde está? ... cala a boca, velha maldita! ... cala-te! ... a voz, ... essa voz... algo de conhecido,... algo de vivido,... Como, no meu lugar? ... está maluca? ... Eu o esfaqueei,... preciso dar um basta,... preciso,... cadela, vai me emocionar agora?... esse beijo me traz a memória do que não tive,... e esse cheiro envelhecido?! (...) rodopio em lembranças esquecidas de um tempo remoto,... cinco anos,... pião perdido no tempo num rodopio do destino,... Por que me vejo nesse olho só?... e vocês, porcos,... ela é melhor que todos juntos e não suportam suas próprias culpas? Vejam! Olhem! (...) Olhem, covardes!,... Olhem para a... "Mãe?! Mamãe?!!",... olhe para mim com esse olho e só,... (soluço)... adeus!


http://papirus.zip.net/



 Escrito por moacircaetano às 18h51
[ ] [ envie esta mensagem ]



DESFRAGMENTAÇÃO


Esta semana nosso querido Nano Costa nos propôs um interessante desafio: noa ofereceu, tal qual um Deus tardio, um filho seu para o sacrifício, salvando-nos assim.

Explico: ofereceu um conto de sua autoria para que cada um de nós o desconstruísse; ou seja, tecesse seu próprio conto a partir de sua prole.

Hoje, segue o original:


COINCIDÊNCIA
Nano Costa

O Tempo e o Destino completam-se, são paradoxos que giram em eterna harmonia: O Tempo é o consumir da vida, o Destino é o nascer de novas possibilidades...A coincidência é o encontro de ambos por uma força maior...

Um homem é levado para forca, foi condenado a morte por ter esfaqueado seu próprio filho de cinco anos, o povo enfurecido grita: "Forca ao assassino!" O homem segue sem ânimo, triste, desiludido, vai sendo arrastado pelo Garroteador para o cadafalso, até que uma velhinha, cega de um olho, no meio da multidão grita: "Me enforquem no lugar deste desgraçado!" Fez silêncio... O Garroteador sorriu e disse: "Se assim deseja, assim será..." A velhinha num lento remanso foi até o homem que estava imóvel, incrédulo; ela lhe deu um beijo e entregou um pião, se dirigiu para a corda púrpura e seguiu a sina escolhida, a multidão fechou os olhos, ela, permaneceu com o único que tinha, arregalado, e, em seus últimos suspiros, pode ver um garotinho no meio da multidão lhe dando adeus com os olhinhos imersos em lágrimas.


http://literatura.nadadenovo.zip.net/



 Escrito por moacircaetano às 16h43
[ ] [ envie esta mensagem ]



LEMBRANÇAS DE GUERRA

moacircaetano


Lembranças de guerra
adentro baús fechados por décadas
poeira nos olhos que cega por séculos
despojos de guerra

Lembranças de guerra
um quepe, um distintivo, a bala
extraída do seio da carne crua
a foto em preto e branco do pelotão orgulhoso
a placa de identificação
a dor antiga no osso
(piora tanto nas noites frias...)
lembranças que às vezes nem mesmo são suas

Lembranças de guerra
Lembranças na boca do gosto de terra
Lembrança dos dedos no gume da faca
Lembranças insones, que choram, que berram

Lembranças de guerra
o sono, que nunca, nunca mais veio
o sopro de ódio roncando no peito
Lembranças, resquícios, resíduos de guerra...




 Escrito por moacircaetano às 11h01
[ ] [ envie esta mensagem ]



CHUVA

moacircaetano


Não sei como, mas ela sabia que iria chover!

Deitado sobre os lençóis, podíamos ver através da janela o mormaço que se elevava pela tarde. O céu, sem uma nuvenzinha seuqer. Calor. Insuportável.
Levantou-se. Foi até a janela. Maravilhei-me, pela milésima vez, com a visão de suas coxas, suas costas, seus braços. E aquela delicada região entre as costas e o início dos quadris, onde pêlos tênues como o próprio ar se entrelaçavam aos dedos da brisa morna. E o suor. Muito suor. Muito calor!
Mas divago! O que interessa é que ela olhou para o céu, azul infinito, e me disse, com aquela voz de destruir corações: "Vai chover!"
Eu só podia rir! "Vem pra cama, vem..."

E enquanto descansávamos da segunda batalha, alguns pingos entraram, cintilantes, pela janela!




 Escrito por moacircaetano às 10h09
[ ] [ envie esta mensagem ]



MICROCOSMO

moacircaetano


O sol até poderia sair
não tivesse tanto medo da chuva!


A pressão da areia sob meus pés:
isso sim, é realidade!


Com as mãos feridas, peguei o arco-íris.
Num movimento súbito, quebrei-o.
A tinta se espalhou pelos meus dedos...


Infelizmente Deus
não se dispõe a barganhas...




 Escrito por moacircaetano às 10h46
[ ] [ envie esta mensagem ]



ARDIL

moacircaetano


Esse ardil
infantil, doente, pueril

sem razão
sem expectativa, sem senão

destituído
de lógica, puro improviso

interpretação
vídeo de baixa resolução

sem sorriso
tempestade, chuva de granizo

implosão
diário, blog, atualização

sequencial
randômico, multimodal

e a visão
das suas unhas no meu coração!


Ao som de "Miss You Love" - Silverchair
"...and I love the pain,
a breeding ground for hate..."



 Escrito por moacircaetano às 08h55
[ ] [ envie esta mensagem ]



UM DIA...

moacircaetano


Um dia
teus olhos brilharam mais que o necessário
e enxergando nisso motivo vário
me submeti

àquilo que dentro de mim se acelerava
às batidas no peito, o ritmo
do sangue no ventre nas veias
do tremor nas pernas

e aí
sem que tivesse controle ou vontade
sem que soubesse o que é que me cabe
caí

desabei com tudo no chão de vidro
estilhaço estilete estilingue estranheza
me feri...


Ao som de Auto Pilot - Queens of the Stone Age
"I waana fly, wanna ride with you,
Is this the best that you can´t do?
Ahhh, auto pilot, no control..."



 Escrito por moacircaetano às 11h59
[ ] [ envie esta mensagem ]



EXCESSO DE BAGAGEM


Desde que criei esse blog, um dos itens que mais me orgulho é a relação de Links Amigos. Fiz um compromisso comigo mesmo de linkar apenas os blogs de que eu gostasse realmente, e que complementassem o que sinto, o que escrevo; enfim, o que sou.

Pra isso, coloquei pra mim mesmo um limite: apenas 20 blogs estariam linkados, sempre. Assim, eu me obrigaria a pensar muito antes de substituir um já existente por outro novo.

Porém, nesses últimos dias, tenho recebido muitas visitas novas, e todas elas com tanto em comum comigo, e de tão grande qualidade, que não posso deixá-las sem seus caminhos por aqui. No entanto, as que já estão linkadas são impossíveis de serem apagadas. Assim, vou deflorar minha relação de links e colocar todas essas pessoas maravilhosas que têm entrado em minha vida. Abaixo os limites!

São elas:

http://solstar04.zip.net/

www.poetisasimone.weblogger.com.br

www.meuparedro.blogger.com.br

http://johnpaulvc.blog.uol.com.br/

http://literatura.nadadenovo.zip.net/

www.tendesse.weblogger.terra.com.br

http://www.ahoamor.blogger.com.br/

http://www.descobrindoavida.weblogger.terra.com.br/

Beijos e abraços a todos!




 Escrito por moacircaetano às 11h21
[ ] [ envie esta mensagem ]



ALGO

moacircaetano


Há nos seus olhos algo de sangue!
Algo de dor, algo de morte.
Há nos seus olhos algo de grande!

Há alguma coisa em seus olhos que vai acabar nos matando.
Algo de muito estranho, muito forte
e que não quer estar, estando!

Algo triste. Confuso.
Inacabado. Sem uso.

Algo estéril. Extinto.
Algo! Eu sinto...

Há nos seus olhos algo de mim!




 Escrito por moacircaetano às 16h59
[ ] [ envie esta mensagem ]



FIM

moacircaetano


Vem ver o fim do mundo comigo!

Aperta sua mão na minha mão
bem forte muito muito muito forte
encosta teu olho teu olho no meu
vamos andando mesmo a pé
até o Morro do Aranha
ou o Morro do Além
vem, senta comigo aqui no telhado dessa casa
vamos esperar...

Quando as chamas mais altas chegarem a nossos pés
você me dá um beijo no rosto
eu te abraço um pouquinho mais forte
um breve momento de anunciação
e nos dissolvemos, quase numa prece...


Ao som de "Poles Apart" - Pink Floyd
"Did you know?...
I never thought that you´d lose
that light in your eyes..."



 Escrito por moacircaetano às 10h25
[ ] [ envie esta mensagem ]



Os olhos de Cérbero

moacircaetano


água pra sua sede
pão pra minha fome
estranheza é meu apelido
volátil meu sobrenome

se calo, é por timidez
se falo, sou microfone
morte, só uma por vez
vida ainda que insone

histórias de assombração
um tango à meia-luz
esgoto, e da prisão
trouxe teus olhos azuis

os dentes dilacerados
os braços postados em cruz
meu sangue, pobre coitado
veneno embebido em pus

e antes que eu me esqueça
de tudo o que já te fiz
meto uma bala na cabeça
e morro um pouco feliz!




 Escrito por moacircaetano às 10h41
[ ] [ envie esta mensagem ]



THE LAST ONE THAT WAS PRINTED

moacircaetano


Não se sabe ao certo se o que interessa é o que ouve ou o que se atesta
Não se sabe ao menos o endereço do que deixa a vida mas não tem preço
Minha mãe não soube o que aconteceu até o dia em que viu o que perdeu
e eu corifeu apenas sorria pois meu mundo era música e poesia

e ainda que me digam que é mito ainda assim teimo e repito
e ainda que lhe ouça o conselho respeito apenas meu espelho
e apesar de me esconder sempre mais e mais e mais fundo
o momento da criação
é a data do fim do mundo!


Ao som de I Am Mine - Pearl Jam
"We're all different behind the eyes
There's no need to hide..."



 Escrito por moacircaetano às 11h29
[ ] [ envie esta mensagem ]



Reação

moacircaetano


No fun     do

as part          ículas já de          cantadas

                                                         começam a as           sumir

a              for             ma             cristalina

brilhante                             una                      simples

                  e o mais                     principia                          a desaparecer...

                                        Que efeito terá o fogo?




 Escrito por moacircaetano às 14h41
[ ] [ envie esta mensagem ]



Descobriram meus segredos mais íntimos.

Paulo Godoy Maruca Junior


Acho que isso acontece com todo mundo .... Eu recebo toda semana. São aqueles emails, denominados spam oferecendo:
- Viagra
- Viagra Natural
- Aparelhos para aumentar o tamanho do pênis
- Diplomas pela internet (inclusive de medicina) sem ter que cursar nada
- Fórmulas para ficar rico sem trabalhar
- Empréstimos a juros irrisórios
- Serviços espirituais para reaver um amor perdido ou conseguir um novo amor
- Curso infalível de sedução que vai me propiciar a oportunidade de comer as mulheres mais lindas do universo
- Remédios difíceis (abortivos, anti-HIV, quimioterápicos para câncer, anti-hipertensivos, anti-depressivos)

Afinal de contas quem foi que contou pra essa gente que, além de ter um pau pequeno, sou broxa, não consegui me formar, não consigo ganhar mulher, não consigo ganhar dinheiro, preciso fazer um aborto, tô com AIDS, com pressão alta, depressão, com câncer e mais tudo de ruim que se puder imaginar?! Eram segredos que eu guardava a sete chaves!!
A internet, realmente, abriu meus segredos para todo mundo.
http://paulomaruca.zip.net
Luz e Palavras:
http://moacircaetano.fotoblog.uol.com.br



 Escrito por moacircaetano às 09h38
[ ] [ envie esta mensagem ]



INSPIRAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO


clímax

valéria tarelho
fina e tímida:
a chuva,
quando garo(t)a.

até que cresce,
perde a pose:
engrossa,
goza aos montes.

ante-clímax
moacircaetano
Amazing
suas palavras,
dançando no hazing...

Delighting
De lá de dentro
de mim
Dinastia Ming

I love
each one of your words
me move

And you
Em mim
Aninho
I´m in...


Luz e Palavras:
http://moacircaetano.fotoblog.uol.com.br



 Escrito por moacircaetano às 11h11
[ ] [ envie esta mensagem ]




Luz e Palavras:

http://moacircaetano.fotoblog.uol.com.br




 Escrito por moacircaetano às 12h13
[ ] [ envie esta mensagem ]



DEMÔNIO (inspirado em trecho de Nietzche)

moacircaetano


E se hoje abrisses tua porta
e em pé, solícito, impune
lhe aparecesse um demônio?
Se se lhe oferecesse
nas brumas fugazes do sonho?

Te diria, inclemente:
"A partir de hoje, exatamente
hoje, viverás conforme
esse mesmo dia, sem surpresas,
até o dia de tua morte;

Sem nada que lhe surpreenda,
sem sonho, sem oferenda,
sem suspiros, sem aspirações,
sem novos livros, novos filmes,
sem novas pessoas, sem novas canções;

atado ao tecido conhecido desse dia
para toda a eternidade permanecerás
não mais descobertas,
não mais deslumbramento,
não mais presentes ou ofertas

E cada dor, a saberás!
Cada alegria, cada agonia
cada grão de arroz degustado
cada gole d'água, cada centavo
um ensaio eterno, eternizado.

E ao final do dia, eu, de novo
a te oferecer nada mais que nada
a não ser o fim da perspectiva
o fim do que é vivo, do que vibra
apenas a mesma, mesma jornada".

Ah, se isso acontecesse
não enlouquecerias
ante a idéia do imutável
e o desespero decerto
preencheria o teu dia!

Mas acaso não é isso
que fazes contigo mesmo?
Desperdiças teu intelecto
tudo que te apraz é secreto
e continuas vivendo a esmo

As amarras do real
em sua mente se impõem
não ousas, não adivinhas
a ti próprio, não te cultivas
não desafias, não te propõe

Apenas repete sempre o mesmo
roteiro por outros escrito
não ouves o teu pensamento
não ouves teu próprio grito
vives em eterno lamento
escondido atrás de certezas
que voam ao sabor do vento

E terminas a vida entorpecido
pela ausência perene de si próprio
sofres pelo que não tem
mas não abandonas o vício
de ser teu mesmo refém...

Até que te venha o fim,
o fim que a todos vêm...


Luz e Palavras:

http://moacircaetano.fotoblog.uol.com.br




 Escrito por moacircaetano às 21h48
[ ] [ envie esta mensagem ]



a mulher.

Breno Pessoa

abro a porta do ap. acendo a luz. a sala é, então, iluminada por uma claridade fraca, reflete no espelho. esconde a sujeira que se apossou do chão. Stella me aguarda de pijama, com os olhos de quem acabou de acordar.
são 3 e meia da manhã de uma noite fria. estou molhado. tiro o casaco, penduro no cabide, já repleto de roupas. Stella beija a minha boca, desafivela o meu cinto, segura o meu pau e aperta. estou bêbado demais para dizer. minha consciência oscila, os olhos se apertam, ignoro tudo. proteção, ritos, bom-senso.

Stella senta no meu desejo, morde os meus dedos, que pedem desesperadamente para sua voz correr pra dentro. [tem muita gente nesta casa, Stella. um barulho, e eles acordam]. foda-se. adentramos o quarto, deitamos na minha cama, percorremos um o corpo do outro. saliva, hormônios, febre. enlouqueço.
Stella me empurra pra fora, engole de uma vez os meus alguns centímetros. até. então, cospe as minhas gerações futuras no tapete velho, bebe da água esquecida sobre a cabeceira. e se vai.

já nem sei o que pensar. essa nossa rotina desvairada, os nossos motivos, descompromissos, as nossas trepadas. solidão a dois, a três, a quatro. [quando será que voltarei a ter meu próprio quarto?] não me respondo.
apenas observo Stella na cama ao lado, abraçada a sua namorada.


http://www.gardenal.org/blogautores/



 Escrito por moacircaetano às 12h19
[ ] [ envie esta mensagem ]



ALFABETO DRUMMOND

Z    ZONA DE BELO HORIZONTE 


A festa de aniversário de Pingo de Ouro acaba em frege.
Maria Pinguinho corre nervosa à delegacia
para soltar a Alemãzinha
engalfinhada com Maria Triste
no véu de cocaína e éter.

Serão sempre assim as mulheres perdidas,
e perdidas porque nunca se acham
mesmo no véu de cocaína e éter?


Termina aqui o Alfabeto Drummond, sem X porque não existe poesia de Drummond com X. E com essa última poesia, que é a única com Z.

Termina aqui uma homenagem ao maior poeta já nascido nesse país, seja por sua carga poética, por sua extensa obra ou por sua extrema facilidade de dar aos fatos cotidianos a grandeza que eles carregam. E ao tratar o excepcional como apenas mais um detalhe da grande arte de viver...

Aos que conhecem drummond profundamente, quis dar a chance de novamente se emocionarem com seus versos. Aos que conhecem apenas os clássicos, quis mostrar alguns poemas menos óbvios, pra que se surpreendam. E aos que não conhecem, quis gritar: "Descubram, mergulhem, se embebedem de Carlos!"




 Escrito por moacircaetano às 17h05
[ ] [ envie esta mensagem ]



NAMELESS

moacircaetano


O cheiro das folhas secas atingiu teu olhar
limpando-me do que era tua ausência

os tigres devoraram um a um nossos caminhos
e o sol ainda mergulhava, esperançoso

me virei a tempo de desviar do amanhã
mas já não era sólido, e despi-me então...




 Escrito por moacircaetano às 18h28
[ ] [ envie esta mensagem ]



MACONDO

moacircaetano


Vão e voltam.
Fazem do porvir seu alimento.
Não têm nada a não ser o desgosto
e o desejo de um dia de sol.

Sabem-se sós, e ainda assim
aguardam o rumo dos acontecimentos
a noite cai com suas oitocentas mil estrelas
e só uma lua de sobremesa.

e quantas léguas ainda virão
até que borboletas novamente floresçam
sento-me, sirvo-me do pó da estrada
e penso novamente em teus olhos.

Reescrevo um soneto ao contrário
sem rima, sem métrica, sem soneto enfim
estás nua, estou longe

e as plataformas rugem...




 Escrito por moacircaetano às 13h46
[ ] [ envie esta mensagem ]



ALFABETO DRUMMOND

V   VERDADE


A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes umas das outras.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.




 Escrito por moacircaetano às 22h58
[ ] [ envie esta mensagem ]



EPITÁFIO

moacircaetano


Já não eram mais homens
nem bicho, nem gente
e depois de sua partida
de forma tão contundente
não têm nem direito a nome
na hora da despedida

Um ainda tem sorte
Antônio Odilon dos Santos
Um é 3309
não tem quem o chore
o 3328
não tem quem lhe dedique um pranto
e o 3333
é apenas mais um que morre
nas ruas não tinha casa
na morte encontra recanto

Atacados
Objetos contundentes
mártires do asfalto

Assassinados
por mim, por você, indigentes
de vida, de nome, de fato...




 Escrito por moacircaetano às 21h27
[ ] [ envie esta mensagem ]



IVAN JUNQUEIRA


E se eu te disser que te amo, assim, de cara,
sem mais delongas ou tímidos rodeios,
sem nem saber se a confissão te enfara
ou se te apraz o emprego de tais meios?

E se eu te disser que sonho com teus seios,
teu ventre, tuas coxas, tuas claras
maneiras de sorrir, os lábios cheios
da luz que escorre de uma estrela rara?

E se eu te disser que à noite não consigo
sequer adormecer porque me agarro
à imagem que de ti em vão persigo?

Pois eis que o diggo, amor. E logo esbarro
em tua ausência - essa lâmina exata
que me penetra e fere e sangra e mata.




 Escrito por moacircaetano às 13h25
[ ] [ envie esta mensagem ]



INFINITO

moacircaetano


Como queria não ser bomba,
granada, corte, explosão,
torrente, corrente, esguicho,
derrame, vazão.

Como gostaria me perder lentamente,
sem desespero, implosão, sem ferir...

Mas o que resta me surpreende...




 Escrito por moacircaetano às 13h07
[ ] [ envie esta mensagem ]