EXERCÍCIO
moacircaetano
Como se esperar fosse a coisa mais natural do mundo e não o exasperasse a irritante e onipresente sensação do não-chegar
e já não era mais uma questão de mera geometria ou algo que se resolvesse com uma singela equação de cálculo diferencial
e sim a constatação pura e simples límpida como a chuva numa manhã de março: ela não voltaria!
saiu da janela voltou para a cama e dormiu, esperando o fim...
Escrito por moacircaetano às 08h09
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DECCA E ADY
moacircaetano
Através da camada espessa de espaço que preenche a dimensão indesejada a que chamamos distância
Através de milhares de metros de fios metálicos que transportam a felicidade em seu bojo
Através das dobras do tempo
O sol me chega em forma de sinais telefônicos que se decodificam imediatamente invadem meus ouvidos chegam à minha mente atravessam meus olhos, minha boca e se espalham pela tênue claridade do dia...
Como podem essas vozes colorirem assim o universo?
Escrito por moacircaetano às 14h59
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Escrito por moacircaetano às 10h54
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ANYWAY...
moacircaetano
Aprendi a viver com um homem que já se despedia. Aprendi a amar com uma mulher que nunca me pertenceria.
A mudança me foi sugerida numa tela de cinema. Aprendi que palavras são mais que um bocado de fonemas.
A depressão me apresentou seu cartão de visitas e eu, gentilmente, recusei.
Agora projeto meu mundo em ti. Governo meu próprio mundo com as sobras do que passei...
Escrito por moacircaetano às 13h43
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OS OLHOS DE PUKO
moacircaetano e nenzinha
os olhos de puko a olharam de soslaio e naquele instante ela pressentiu que o tempo para pintar o sapato de azul acabara... era hora de correr! era a hora da disparada!
não era vívido o que ali se derramava
mas ainda assim lhe comprimia...
num lápis de cor que tecia
como giz pastel...
ah, desconsolado tropel!
enquanto seu coração
já não suportava a pressão
que a tinta vermelha fazia
explodir em mil
até que maio viesse
e sobrevoasse abril.
dentro de uma bolha , com as mãos na parede e olhos de gelo
ela encarava seu mais novo brinquedo
mas agora não havia ali mais ninguém para lhe servir o chá
o ontem sussurrou-lhe em seu ouvido um segredo:
agora ela teria que continuar
a pilha de blocos sozinha...
(e se ela descascasse com cuidado
iria ver que o nada
lhe faria companhia...)
Escrito por moacircaetano às 10h48
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PARTICIPAÇÃO MINORITÁRIA
moacircaetano
Seu dotô, eu ajudei a construí esse predím. ficô bunito pra daná, hein? poss'entrá um pôquim pra vê?
...
Sai daqui, preto safado!
Escrito por moacircaetano às 09h39
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SOLIDÃO
prosa mari barras poesia moacircaetano
Sento aqui, essa é minha mesa preferida - ao lado da parede, sem vista para a janela. Deixo minha bolsa ao lado. Peço uma água, apenas para o garçom me deixar quieta. Desdobro o guardanapo de pano e não coloco-o no colo. Devolvo-o para a mesa.
Já há tempos que não sei
quem sou eu, sendo eu mesma
quem é que se esconde em mim
quando o sol prenuncia o fim... Não estou sozinha, minha solidão me acompanha. Ela sugere uma salada qualquer, como entrada. Digo que o garçom já se foi, que estou sem fome e peço a ela para deixar-me. Escuto uma gargalhada curta e fina. Ouço o eco. Solidão diz que não vive sem mim. Penso, penso e decido por um whisky.
Agora seria bem vindo
aquele rasgo na garganta...
saudades do tempo
em que eu não era tão jovem
e a apatia não era tanta... O garçom não me escuta, não me vê. Observo as outras mesas. Dentro de um vestido vermelho, que fracassa ao tentar ser sexy, uma loira espera por seu romance. Pode esperar por horas, mas ele não virá.
Não, eles nunca vêm.
Passam somente
levam as lágrimas da gente
como troféu...
Escrito por moacircaetano às 10h48
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Num movimento brusco, empurro a cadeira para trás, tentando me levantar. Alguém precisa avisá-la da inútil espera. Ela poderia estar em casa cozinhando batatas ou talvez retocando a raiz. Porém, a solidão me puxa pelo braço, fazendo-me sentar novamente em meu lugar. Posso ouvir quase como um sussurro “cada um com a sua solidão, meu bem”.
Ah, e que voz poderosa
é a voz da solidão
me joga, me balança
me leva de encontro ao chão
me faz lembrar do nada
aprisionado em minha mão... Ponho meus olhos em outra mesa. Um casal. Ele bebe. Ela corta o bife em finas tiras e coloca duas a duas na boca. Mastiga apenas porque a boca se mexe. Com o olhar ao longe, não sente o gosto da comida. A língua, porém, sente e anuncia o que já se sabe: é amargo. Sem se importar com o batom ainda forte, passa o guardanapo pela boca. Solidão comenta comigo “diga a ela que a amargura impregna nas entranhas, no intestino, nas vísceras”.
A amargura é o dom
dos que não tem nada a perder
é o presente tardio
de quem não abre os seus olhos
de quem não quer nem saber
é a companhia indesejada
que nunca foi convidada
que não se faz esquecer Já cansada da importuna Solidão, deixo-a ali e vou embora. Alguns passos depois, entretanto, ao meu lado ela caminha. Dessa vez não diz nada, pois eu já sei. Essa solidão não se deixa por aí. Essa solidão é minha.
Assim como eu, ela traz
os olhos voltados ao vazio
é uma safada, vagabunda
uma cadela no cio...
nos damos de novo as mãos
e nos perdemos em um rodopio!
Escrito por moacircaetano às 10h48
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falar
calar
falar
calar
falar
G
calar
R
falar
I
calar
T
falar
A
calar
R
R
R
R
R
!
!
!
!
Hoje, recebi meu comentário de número 2000...
E tinha que ser dela mesmo: a Decca!
Uma das primeiras visitantes do meu blog...
A única dos primeiros dias que ainda vem aqui até hoje...
A sempre presente Decca!
Beijos!
Escrito por moacircaetano às 08h43
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MONODIÁLOGO
moacircaetano
sim, é verdade... seus olhos falam! com sinceridade me dizem, uma a uma as realidades que suas palavras calam...
Um pouquinho de tristeza um pouquinho de alegria um quê de esperança um corpo de mulher embalando uma alma de criança...
Sim, seus olhos falam... então, o silêncio é meu amigo pois enquanto os ruídos cessam o som do teu olhar continuará comigo...
Escrito por moacircaetano às 14h09
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Escrito por moacircaetano às 22h52
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moacircaetano begins
Eu detestava poesia! Não entendia! Até que um dia me encontrei com Oswald no Esplanada! Salvou-me o verso livre... Nascia uma enxurrada!
Logo após conheci Drummond que bom!
Hoje escravo da poesia é normal a minha hemorragia...
Escrito por moacircaetano às 09h59
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Escrito por moacircaetano às 13h52
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Escrito por moacircaetano às 21h40
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SCARS
moacircaetano
o importante é que cada marca são territórios conquistados... pedaços de terra retomados de dentro de nós mesmos!
podem levar nosso ouro nossos filhos, nosso dinheiro mas não podem levar nossos desejos...
Escrito por moacircaetano às 23h23
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moacircaetano
Sim! Trouxe um não pra você. Do jeitinho que você pediu...
Pode pegar na sacolinha do Carrefour ao lado da incerteza embrulhado em indecisão.
Eu sei, eu te prometi! Mas meu corpo quer dizer sim enquanto tenho que dizer não!
Escrito por moacircaetano às 17h35
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Escrito por moacircaetano às 10h10
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LÁZARO
moacircaetano
Levanta-te e anda!
Olha através dos véus da morte limpa teus olhos sujos de terra retira enfim a venda que os cobre
Levanta-te mesmo sem porquê Mesmo que não tenha chegado ainda o tempo devido mesmo que não haja mais nada que te prenda a este mundo mesmo que tua presença configure o absurdo
Anda! faz-se notar no mundo dos vivos faz com que teu olhar vague incerto pelas faces incrédulas, que te assistem reviver
esfrega teu sudário na cara do mundo e recusa-te a morrer!
Escrito por moacircaetano às 10h08
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FANTASIA
moacircaetano
Ela arranhou o meu céu com unhas de barro e nunca voltou pra consertar...
Ela sujou minha água pisou na grama desfez minha cama roubou o meu ar
ela me abriu o estômago e de lá arrancou todo o meu ouro
e ainda teve coragem de me vender meu próprio couro.
(estava tão barato que eu comprei!)
Escrito por moacircaetano às 20h13
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L A B I R I N T O ! C O N S T R U Ç Ã O L A B O R C O N S T R U Ç Ã O I N S T I N T O ! C O N S T R U Ç Ã O
L A B I R I N T O ! F I C Ç Ã O L A B I R I N T O ! C O N S T R I Ç Ã O L A B I R I N T O ! C O N S T R U Ç Ã O
Escrito por moacircaetano às 05h33
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