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moacircaetano


ANJO

moacircaetano


Meu mais novo vício:
não quero mais ser real...
agora sou fictício!

desmanchar-me ao vento
transvestir-me
em bolhas de sabão
escapar ao cerco
da tua percepção

devorar teus olhos
plantar-te o tanto faz!
roubar-te o sonho me apraz!

não mais ser real...
ser apenas fictício!
que momento propício!




 Escrito por moacircaetano às 20h56
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SÍNTESE

moacircaetano


Doe minha calma
aos donos de antiquários.
Despeje minhas palavras
nas tábulas rasas
de rábulas ordinários.

Deixe em cada esquina
cada um dos meus dizeres.
Não quero mais saber
de crápulas charlatães
e seus assépticos pareceres.

Apenas paralise o mundo
mais uma vez...
como ontem em nossa cama
pela milésima ocasião
você fez!




 Escrito por moacircaetano às 23h07
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DOS ANTIGOS...

moacircaetano


Veio,
sem que eu sequer esperasse,
aquele último beijo!

Não, não foi planejado.
Não foi filho do pecado
tampouco da angústia
ou da necessidade imperiosa
que um dia
me corroeu os dias...

Surgiu!

Coloriu de manhã a aproximação das mãos.
Coroou a caminhada dos meus dedos
pelos teus cabelos.
Premiou os carinhos infinitos
e pousou em nossos lábios.

Me deixou assim, feliz
e te seguiu até este mundo desconhecido...




 Escrito por moacircaetano às 15h12
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AQUARELA

moacircaetano


Dessa vez não encontrei
a São Paulo cinza
das vezes anteriores
desta vez
meteoros e estrelas
milhares de cores!

O amarelo de Decca
-não haveria outra cor
para a descrever-
amarelo-sol
amarelo-ouro
amarelo-luz
amanhecer!
Minha sempre ruiva
girassol após a chuva
sorriso satélite
órbita a me descrever!

O vermelho paixão
inebriante
de Ady Cavalcante
De novo digo: Valquíria
mulher tufão
furacão
deliciante.

Marcelo Brettas, que cor
lhe poderia desenhar?
O verde, é claro!
O verde em tua casa
o verde das tuas estradas
da tua esperança em um mundo melhor
verde tua alma
tua aura
verdes os teus caminhos
e os sorrisos que plantas ao teu redor.

Os tons de laranja 
surreais
de Marcelo Nogal
nosso fantástico Ovídio
guiando-nos do Inferno
à Estação Paraíso.
Dante e Beatriz extasiados
agradecem novamente
com os olhos marejados.

José Rosa e sua fleugma azul
e o sotaque tão paulista
aquele jeito meio londrino
escondendo dentro de si um menino
que brilha à nossa vista.
Rosa
azul
norte e sul!

Kel, tão... cor-de-rosa!
Tão menina, tão linda
tão doce...
maravilhosa!
Um jeitinho todo especial...
Pena que tão pouco
nos tenha dado
de sua presença, de seu astral!

Feijão, Fejones, grande cara!
Meio arco-íris, tantas matizes
tantos em um só!
Multicor, multi-homem
à procura de algo
que ainda não chegou...
Mas chegará!
Calma!
A vida tarda, mas não faltará!

Meire, meio escondidinha
um lírio branco
pernambucano
tão tímida ainda...
mas não me engana!
tem muita cor aí dentro!
Espero por suas palavras, hein?
Sempre atento!

Alguns não nos encontraram
mas me coloriram os dias
com suas vozes, suas palavras...
Edson Marques, belíssimo louco
maluco por opção
e grande inspiração!
Sandra Souza, que fugiu de mim!
rs... brincadeira...
eu sei que não foi assim!
Carla Juliano
que descobri: é atriz
mas não pôde se apresentar
em nosso etílico palco cigano!
Meu arco-íris ficou
com alguns espaços em branco
esperando por vocês!
Quem sabe da próxima vez?

É...
dessa vez
São Paulo me surpreendeu!
Que presente me deu!

Fui com meu pote de ouro
e fiz a viagem inversa:
percorri todas as cores do arco-íris
e agora volto, riquíssimo,
à minha caverna
carregando em meus olhos
o mundo em aquarela!




 Escrito por moacircaetano às 00h39
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18 DE SETEMBRO

moacircaetano


Finalmente!

Finalmente estamos aqui
esse bando de doces malucos
esse bando de estrelas cadentes
supernovas, cometas
incandescentes...

Finalmente as palavras apresentam
seus donos uns aos outros.
Esses falcões em vôo cego
esse tropel em disparada
desabalados potros.

Finalmente esses sorrisos
colorem minhas retinas
essas vozes adivinhadas
esses abraços tão esperados
essas saudades festivas
finalmente soterradas
no encontro dessas vidas.

Alguns não estão aqui
Mas não escapam de mim!
Espero-os até o fim!

Pena que essa alegria
tenha prazo de validade.
Mas dentro do meu peito
esses dias perfeitos
sobreviverão.
Felicidade.
Reconhecimento.
Explosão.




 Escrito por moacircaetano às 15h19
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PASSEIO

moacircaetano


Guiados pelas mãos cuidadosas
e resolutas
de nosso doce ditador
entramos nas entranhas da cidade
lhe descobrimos o gosto
lhe degustamos o sabor

Nossos pés estão cansados
nossos corpos, consumidos...
mas nossa alma, leve, leve
cheira agora a cidade
pena que seja breve
a nossa viagem...




 Escrito por moacircaetano às 17h26
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METRÔ

moacircaetano


O barulho do vento aprisionado
esmagado entre o muro de concreto
e a face deslizante
do rinoceronte inquieto

o ritmo monótono e asfixiante
a viagem sem horizonte
rápido se vai ao longe

o ar viciado, muitas vezes respirado
digerido e vomitado
jogado nas caras cinzentas
de sol isentas

a velocidade nos conduz
imperativa, indubitável
comendo-nos os azuis

deixando na boca um gosto metálico
e um cheiro insuportável
de aço pálido...




 Escrito por moacircaetano às 10h42
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ANTES DA VIAGEM

moacircaetano


De repente, choque térmico!
Uma maldita dor no músculo escapular!
"Seu médico, o que aconteceu?
Vou poder viajar?"

Antiinflamatório, analgésico,
cuidados ortopédicos...
e cerveja no jantar!

...e a bula que me dizia:
"Nada de álcool, meu amigo"!
Será que só corta o efeito
ou será que me come o "figo"?




 Escrito por moacircaetano às 10h37
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CANTO DE CHEGADA

moacircaetano


Estou chegando, meus amigos!
Levantem cedo, acordem o sol!
Digam-lhe que venho, e que trago comigo
saudades imensas, vontades infinitas
e a alma me dançando por dentro!

Estou chegando, já estão ouvindo
o bater de escola de samba
do danado do meu coração?
Já podem sentir o cheiro
de cerrado que trago no peito?
Já escutam meu érre arrastado
de menino nascido em solo goiano?

Sim, estou chegando
e trago em minha sacola
uns livros, uns CD´s
(presentes pra vocês)
e alguns nomes que já moram em mim
alguns nomes meus velhos conhecidos
infinitos de tantas horas
imensos...

Decca, a menina do sorriso luminoso
e que foi a primeira a me ler nas entrelinhas
Ady, a guerreira wagneriana
valquíria moderna, baiana mineira agora paulista
Kel, que já não mais troca letras
mas ainda me visita sempre com o seu carinho
José Rosa, o homem que carrega uma flor em seu nome
e revólveres em suas mãos
Nano Costa, que de nada de novo
nunca teve nada, foi sempre tão tudo
Marcelo Brettas e sua bicicleta
gritando slogans, mudando o mundo
Jefferson e seu pé de feijões
(mas o gigante é ele mesmo!)
Quem sabe Sandra Souza
e outros tantos mais...

vidas entrelaçadas
por uma rede tão nova
e tão antiga
uma rede que nos une agora
com fios de seda, fios de vida

Estou chegando!
Botem mais água no feijão!
Trago uma fome imensa de vocês...

Já sinto em mim o verão...




 Escrito por moacircaetano às 09h51
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CATITA

moacircaetano




azul...

enquanto as flores no caminho
passam
passam
passam
pelo carro em movimento

estiquei minha mão
colhi uma pequenina
(sim, amarela!)
colei-a em teus cabelos
com um beijo...

é só uma florzinha
dessas, silvestre
simples, simples...
mas é uma flor!
e mora agora em teus cabelos...



 Escrito por moacircaetano às 00h16
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ESPASMO

moacircaetano


Espero que não chegue um dia o momento
triste, em que o sono se queda, eterno...
Espero que a vida que em mim insiste
não se desfigure ao chegar do inverno

Espero que os teus olhos em meus cabelos
irradiem em mim o que em ti sobeja.
E que na mesa mais fétida do bar em frente
seu copo denuncie minha cerveja

Espero que o sol não mais te queime
e que antes do féretro estelar
suas narinas se dilatem, infensas...

Sonho com a boca que me abandona.
Sonho com teu toque subliminar.
Sonho com teu escarro e tuas ofensas.




 Escrito por moacircaetano às 07h37
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SOMOS

moacircaetano
Somos a soma tudo o que somos...
Somos o tudo e somos o nada
somos o desnível na calçada
somos a fresta no absurdo

somos a estrela desgovernada
somos a criação do mundo
somos rasos, somos profundos
somos o sonho, somos a fada

somos, e pronto!
sem explicação!

um escudo no peito
e um poema em cada mão...

Essa eu escrevi como um comentário no blog da Patrícia... acho que em dezembro de 2004... quando nem sonhávamos que estaríamos juntos um dia...
Eu ainda nem sonhava que seria tão feliz!
Te amo, minha vidinha!


 Escrito por moacircaetano às 07h58
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ADY

moacircaetano


Um dia uma menina
nasceu numa cidadezinha.
Quinze mil habitantes somente.
Uma cidade chamada Wagner.
Uma cidade com nome de gente.

Criancinha ainda
foi-se embora dali
foi-se embora pra São Paulo
tinha um encontro marcado
com algo que ainda não conhecia...
com algo que cheirava a poesia!

Já encontrou? Não sei...
mas acho que encontrou seu caminho...
Vamos celebrar então a felicidade!
Bebamos uma taça de vida!
Nos embriaguemos de carinho!




 Escrito por moacircaetano às 08h21
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PROFECIA

moacircaetano


Minha mãe me dizia:
"Menino
desafasta da tv!
perto demais assim
vai acabar ficando cego!"

hoje uso óculos!
saco!



 Escrito por moacircaetano às 07h56
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DA DINÂMICA DOS CORPOS QUANDO CAEM

moacircaetano


Um corpo não cai por acaso!

Um corpo cai por bala
por faca, por explosão
às vezes é por uma pedra
que um corpo cai ao chão

Às vezes epilepsia
um início de derrame
Às vezes por uma vingança
por uma mentira infame
um corpo cai quando a vida
se lhe rompe o liame

Um corpo não cai por acaso
algum motivo haverá
seja por febre, maleita
seja por tanto amar

Um corpo cai, e o barulho
é quase insuportável
barulho, seco, imundo
barulho de destino imutável
um corpo cai, e logo
a imprensa o sabe!

Um corpo cai, e que razão
seria suficiente?
que razão teria a morte
pra se instalar na gente?
como a vida que nos habita
súbito se volatiliza?
nos abandona de repente!

Um corpo caiu ao chão...
foi o meu!
ai, quem me dera
eu não ser eu!




 Escrito por moacircaetano às 21h32
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SUPERNOVA

moacircaetano
criei coragem
e desloquei meu mundo
de sua ordem no Universo...

estrelas morreram, é certo!
mas no dia seguinte
o amanhecer
foi tão lindo!


 Escrito por moacircaetano às 23h43
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APENAS MAIS UM DIA...

moacircaetano


A situação era insustentável!

Ao meu lado, o suor do preto já havia formado uma poça no chão. Suor ruim. Misturava-se ao chão de terra, desenhando o meu destino.

Na sua mão, o revólver tremia demais. Esses me metiam medo. Os que tremiam. Amadores. Não tinham controle de seus próprios nervos. Não tinham controle de si mesmos. Imprevisíveis.

Eu podia sentir o tremor do revólver na minha têmpora direita. Droga. Aquele era meu lado ruim. Canhoto.

Na cadeira à minha frente, o loiro sorria um sorriso chapado. Mal dava conta de se manter acordado. Amadores.

Pesei bem a situação. Eu conseguiria derrubar o loiro azedo com um chute na boca, desfazendo aquele sorriso insuportável. Mas a bala que se encontrava dentro da arma do preto penetraria minha cabeça. Não gostei da idéia.

Eu poderia ainda tentar desarmar o preto antes que a mão trêmula disparasse o gatilho. Mas o filhodaputa do loiro estava com a mão dentro do blusão de couro. E eu não sabia o que havia lá dentro.

De qualquer forma, eu morreiria se nada fizesse. E eu não quero morrer. Disso tenho certeza. Não que eu não mereça. Se alguém por aqui merece morrer, esse sou eu. Meu menor pecado é o assassinato do meu próprio irmão. O maior? Não queira saber.

Num golpe rápido e preciso, me abaixei enquanto minha mão esquerda se dirigia ao estômago do preto. A arma disparou. Milésimos de segundo depois do necessário. Amadores.

Quando o estampido chegou aos meus ouvidos, meu punho já havia atingido o estômago do preto. Senti alguma coisa se rompendo lá dentro. Meu pai sempre me falava que meu soco era poderoso. Era verdade.

Nem precisei de outro golpe. O preto caiu sobre seu suor no chão e ali mesmo ficou.

Quando me recompus, o loiro já estava em pé. Seu sorriso tinha desaparecido do rosto. Isso me fez feliz. Mas minha felicidade não demorou muito tempo. Me lembrei da mão dele dentro do blusão. Ela continuava lá.

Morto eu já estava. Estou morto desde que nasci. Condenado por um tribunal divino. Minha pena foi nascer no inferno. Morto não tem medo.

Disse a ele: se for me matar, mata logo, desgraçado. senão vai morrer no meu lugar!

Ele tirou a mão de dentro do blusão. Um canivete. Amadores.

Antes de me movimentar, já pude sentir o cheiro, o gosto do sangue daquele desgraçado. Ah, vai ser delicioso...




 Escrito por moacircaetano às 23h54
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FINAL FELIZ?

moacircaetano
Laranja Mecânica ou Carlitos?
em quem acredito?
na tela do cinema
o mundo se apequena
cabe em alguns metros quadrados
de tecido sintético
e ilusão...

Laranja Mecânica ou Carlitos?
em quem acredito?
melhor acreditar no meu coração...


 Escrito por moacircaetano às 19h42
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PROPINA

moacircaetano


O guarda me parou
me insinuou a contravenção
me quis vender minha própria paz de espírito
me quis cobrar por meu respeito próprio
tão barato... tão barato...
como se fosse eu
um ítem de supermercado

Tomei-o em minhas mãos
Olhei com pena para aquela farda
para aquele caráter corrompido
para aquele sorriso desgastado
para aquelas mãos sujas, disformes
para aquele uniforme

Olhei dentro daquele ser
e nada vi...
a não ser a ausência do que
o deveria impelir!




 Escrito por moacircaetano às 07h34
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PRESENTE

moacircaetano
em chocolate me disfarcei
pra ver se você me achava
me lambuzei, me embrulhei
fui pra frente da sua casa
dentro de uma cestinha
meu coração te esperava
toquei a campainha...

um ladrão passou e me levou!


 Escrito por moacircaetano às 07h32
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SEGURANÇA

moacircaetano
Alguns usam cercas eletrificadas
outros, arame farpado
alguns, o mais moderno sistema de alarme
e carro blindado.

Equipe de monitoramento
localização por GPS
seguranças armados
câmeras gravando em VHS

milhares de sensores de presença
vigilância por satélite
todo mundo quer estar seguro
todo mundo se protege

Eu?
eu me escondo dentro de você!
Que lugar maravilhoso
pra se viver!


 Escrito por moacircaetano às 08h04
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