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moacircaetano


ABRAÇO

moacircaetano


Minha roupa
abraçada ao teu vestido

teu cheiro
se misturando ao meu
transformando em real
o proibido!




 Escrito por moacircaetano às 01h22
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Como pode?
Alguém se apaixonar por uma vertigem?!?...
Mas ela se apaixonou! E se entregou. sem sombra de dúvidas.
O casamento foi ao ar livre, sem a interferência do concreto. À luz do fogo. Tochas e paixões.
Kir Royal e amor providenciavam aquela deliciosa sensação de torpor.
Os flashes iluminaram a vida, que passou a ser diferente a partir daquele momento.
Ela pertencia à vertigem, e seus braços quase não podiam conter tanta felicidade.
Colocou as roupas no chão e se entregou...


Em homenagem à Tati Seja feliz! Pra sempre!



 Escrito por moacircaetano às 08h00
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NATIMORTA

moacircaetano


Das trevas nasce, indesejada
se esgueira por sua estreita estrada
ocupa os espaços que lhe contém
natimorta, não importa a ninguém

heterogênea é a sua composição
mau-cheiro e degradação
segue o fluxo descendente da correnteza
sabe-se lá pra que redondezas

filha rejeitada
imediatamente esquecida
após seu funeral

os pais não lhe pranteiam...
amanhã mesmo
nascerá outra igual!




 Escrito por moacircaetano às 23h15
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MEIA-NOITE E UM

moacircaetano
Ah, essa Lua
que brilha ao longe...
mas desaparece
resolve, surge
depois se esconde...

Enquanto isso meus pêlos
nascem, depois somem
meus dentes se afiam
e cresce a minha fome
mas logo o processo se reverte
não sei se viro bicho
ou se permaneço homem!

Ah, essa Lua
que não se resolve!
Assim não se completa
a minha metamorfose!


 Escrito por moacircaetano às 08h13
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GOIÂNIA

moacircaetano


Hoje foi seu aniversário,
velha moça menina...
Hoje meus olhos te encontraram
Te transformaram em rima...

Hoje uma chuva tranquila
banhou tua pele de asfalto
Hoje percorri tuas esquinas
e me servi do teu orvalho.

Hoje o calor insuportável
deu algumas horas de trégua
e permitiu beijar-te com paixão...

Hoje minhas mãos enlaçaram as tuas
e minhas pálpebras apaixonadas
se misturaram aos teus fios de alta tensão!

Hoje fui teu amante uma vez mais
hoje reparti contigo a minha paz
penetrei um a um teus vestíbulos
feitos de acidentes automobilísticos

Hoje te encontrei em minha cama
hoje te tornei minha puta, minha dama
hoje limpei o césio de tuas lágrimas
te abracei enquanto sangravas
hoje gritei a magia que emana
da força do teu nome: Goiânia!





 Escrito por moacircaetano às 22h35
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INVIÁVEL

moacircaetano


Porque os teus olhos se escondem nas sombras?
Não sabes acaso o perigo que ronda?
Não sentes o medo ao final do momento
em que vês o último passo da lua?
(ou será que só eu sou quem ouve o lamento?)

Porque o teu cheiro se esconde nas dobras
de cada um dos teus rios de lava?
É o preço, é a fama, sou eu quem te paga?
Ou meus braços são fontes de poliuretano
e os teus caminhos de óleo e graxa?




 Escrito por moacircaetano às 07h51
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SIM

moacircaetano


Sim!
Sim, quero escolher a vida
quero escolher as flores
e as estrelas!

Sim!
Quero uma mão amiga
quero teu sorriso em mim
quero as crianças
quero poder vê-las...

Sim!
Quero o sim em minha boca
quero a palavra gritada, apaixonante
quero a mágica do instante

Sim!
Quero o direito ao sim!
Sem que ninguém me cerque
sem que ninguém se enfureça
sem que ninguém me aborreça

Não aborreci ninguém
então deixem-me desenhar em minha alma o sim
até que a paz me invada a cabeça
me preencha a alma
me desenhe a calma
e em meu coração floresça!




 Escrito por moacircaetano às 10h31
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PATÍBULO

moacircaetano
A multidão urrava, enfurecida!
Era dia de feriado! Dia de festa! Era dia de enforcamento!
Seu ponto de vista era o mais favorável. De onde estava, poderia acompanhar toda a cerimônia. Não perderia nem um segundo, nem um movimento, nem mesmo um som. Era o Condenado.
Seu ângulo era privilegiado. Bem acima da ralé, que se regogizava com gritos de histeria e prazer. Era ali que se realizavam como pessoas. Era o único momento de suas vidas inúteis e doentias em que podiam se expressar livremente acerca de alguma coisa. Ali eram ouvidos. Ali sua opinião fazia diferença (mesmo que a sua opinião fosse obrigatoriamente a mesma da Coroa).
De repente, silêncio. Pesados passos ecoavam no calor do meio-dia. O patíbulo tremeu. Era Ele. O Carrasco.
Por dentro, ele tremeu também.
Olhou pela última vez para a multidão. Um mar de cabeças pululantes e eufóricas. Suor. Fedor.
Seu olhar passeou pelas centenas de olhos injetados de sangue, alheios à realidade. Até que, súbito, viu um par de olhos diferentes. Tranquilos. Mansos. Azuis. Uma mocinha, talvez dezesseis anos. Ao seu lado, um velho barbudo babava de tanta satisfação, lançando-lhe os maiores impropérios, enquanto segurava a mão da moça. Ela não se movia, apenas o olhava. Vestido puído. Um rosto sujo quase escondendo os belos olhos.
Então, o impossível! Ela sorriu... um sorriso tímido, virgem... sorriso escondido entre a miséria e a tristeza. Mas um sorriso!
O Carrasco colocou-se entre ele e a magnífica visão. Olhou em seus olhos e gargalhou. Tinha em suas mãos a sua vida!
Mas não sabia o principal: não tinha mais nenhum poder sobre sua alma!


 Escrito por moacircaetano às 08h12
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FEBRE

moacircaetano


Quase quarenta graus açoitam meu corpo
e a realidade parece se desfazer...
tudo roda, tudo gira, interminavelmente
e nada é o que parece ser.

Sonho com coisas que não existem
e o que existe perde todo o sentido.
a mente se despe de toda a lógica
e se reveste de estranho tecido.

Até esse soneto todo quebrado
não consegue se erigir de minhas mãos
e parece meio desengonçado.

Me perdoem os que por aqui vagueiam
mas hoje só tem isso mesmo...
é o que deu pra fazer nesse estado!




 Escrito por moacircaetano às 07h35
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NEVE

moacircaetano & nenzinha

não sai mais nada de mim

não me inspiram mais meus pés, tão limpos...

porque olhar  com olhos as vezes não é ver com a alma

e essa menina-pés-sujinhos

(que pareciam peneiras do mundo)

queria sujar essa neve com barro do bom

vindo de alguma floresta tropical

 

mas qualquer coisa servia ...

o importante é que ela sentia

e ali, em frente a um monitor colorido

- atrás de si um mundo incolor -

ela novamente se suavizou

(ao menos um pouquinho)...

 

incolor?

não! não!

amarronzado!

cor de podre!

e aí dentro?

mundo!




 Escrito por moacircaetano às 07h55
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PASSARINHO

moacircaetano
Me abaixo...
e colho,
no chão do teu palácio,
algumas palavras...

levo-as à boca!
...
deliciosas!

quem sabe um dia
pela minha garganta
se multipliquem
como flores?


 Escrito por moacircaetano às 08h07
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FRONTEIRA

moacircaetano
Ela amava o muro de concreto que existia dentro dele...
Ao contrário das outras, não queria derrubar o muro. Não queria entrar à força. Não queria invadir, saquear, usurpar.
Não trazia consigo cavalos, armas ou exércitos.
Queria apenas se recostar naquele muro frio e forte.
Amava o muro e a sensação de isolamento e proteção.
Só queria se sentar à fogueira e beber do vinho daqueles sorrisos...


 Escrito por moacircaetano às 21h16
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ÔNIBUS

moacircaetano
Olha a poesia, moço!
Baratinho!
Só um real!

Sonho e fantasia
a um preço promocional.

Moça, compra aí,
só pra me ajudar!

Eu poderia estar roubando
tomando de outros a emoção
arrancando sorrisos
extraindo lágrimas
espalhando a destruição!

Eu poderia estar matando
mas estou aqui...
Compra aí, madame
só um real o quilo
o metrô já vai partir!

Não, não tenho troco pra cem!
Ninguém mais vai querer?
...
Ninguém?


 Escrito por moacircaetano às 05h36
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EXNOCÊNCIA

moacircaetano
Na tua pouca idade
não pudeste captar o óbvio
que jorrava como fonte
e permeava, íngreme, tuas calçadas...

Na tua inocência
não podias adivinhar
o que já existia em ti
de estranho, ávido
e incandescente!

Não podias, é lógico
sequer sonhar
com o que te escorria
pelos seios, pelas pernas...
quente...


 Escrito por moacircaetano às 23h24
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PRESENTE

ady cavalcante
A chuva havia lavado toda a cidade. Velozes serpentes de água levavam todo tipo de lixo para os bueiros. A chuva providencial havia lavado também sua alma. Andava devagar por entre as ruas tão conhecidas. Mas que agora lhe pareciam novas. Atravessando o chuvisco, um cheiro de comida sendo preparada. Era quase hora do almoço. Antigamente saber que havia para onde voltar o confortava. Mas pela primeira vez, ele se sentia bem por não ter pra onde voltar. Como pôde viver tanto tempo infeliz? Parece ter acordado de um sonho. Pessoas passam e não entendem seu sorriso idiota. Elas não conseguem ver que ele tem um pote de ouro pra buscar. No fim do arco-íris.

Obrigado pelo presente maravilhoso, minha querida!
Sim, sou feliz hoje!
Sim, encontrei meu pote de ouro, e ele tem um nome...
Patrícia!
E, sim, sou muito abençoado por ter amigos como você!
Beijos, mulher-vulcão!


 Escrito por moacircaetano às 08h43
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NÉVOA - Final

moacircaetano


Finalmente conseguira sair! Estava na calçada! Nunca imaginara que a calçada de sua casa pudesse ser um lugar quase inalcançável!
A noite o atingiu com um frio cortante! Uma névoa densa preenchia os espaços vazios da sua visão. Ouviu então um grito!
Uma velhinha um pouco à frente olhava em sua direção com uma cara de puro terror! Branca de susto, sua boca se contorcia num esgar atemorizante...
Mas como? Impossível! Ele estava invisível!
Olhou para si próprio e... puta que pariu! Podia divisar milhares de gotículas desenhando no espaço a forma de seu corpo! Era a névoa! A névoa depositava em sua pele toda a umidade, denunciando-o! A luz do refletor ao lado da guarita resplandecia na superfície das gotas!
Sem saber o que fazer, ficou imóvel, como se o próprio tempo houvesse paralizado tudo ao seu redor. Apenas aquele grito continuava soando, infinito, rasgando o escuro da noite.
De repente, ao som do grito somou-se outro som. Um som terrível... um estampido surdo, acompanhado por um cheiro estranho... um cheiro conhecido... (que cheiro era esse mesmo???)... ah, sim! Pólvora!
Seu olhar se dirigiu para o portão. Lá estava Eumênio, com um revólver nas mãos. Naquele rosto marcado, uma expressão de horror...
Sentiu-se zonzo... Uma dor aguda acometeu-lhe, generalizada, em ondas... ondas que surgiam a partir de seu estômago.
Olhou para baixo. Um líquido vermelho surgia do nada, como se fosse um riacho que nascesse de lugar nenhum. Era um belo espetáculo, aquele! O sangue vertendo do nada, fluindo do inexistente.
Então era isso? Sua aventura terminava ali, sem que houvesse sequer começado? Anticlímax! Não conseguiu mais se manter em pé. Foi ao chão, mergulhando através do tecido espesso da névoa.
Num último esforço, levou a mão até o rosto e coçou seu próprio nariz... Do rio de sangue começou a nascer a sua presença. Aos olhos estupefatos de uma pequena multidão que se juntava (de onde vinha tanta gente, meu Deus?), sua pele lentamente foi surgindo. O sangue cada vez mais escuro... As coisas em sua mente cada vez mais claras...
Até que finalmente um manto branco incandescente o envolveu. Paz...

Na mesma noite, Eumênio foi preso, apesar do depoimento delirante de sua mãe, uma velhinha que insistia em dizer que a vítima era um homem invisível! Louca! 




 Escrito por moacircaetano às 22h41
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NÉVOA - Cap. VI

moacircaetano
Esperou... esperou... esperou...
Que droga, ninguém iria chegar ou sair?
Olhou para o porteiro...
Eumênio! Isso lá é nome de gente? O que leva uma pessoa a colocar um nome desses no filho?
Aliás, pensando bem... o que leva uma pessoa a ser porteiro? Olhou fixamente o rosto sonolento daquele homem. Rosto marcado... olhos cansados... pele negra... barba malfeita.
Ele assistia a algum desses programas medíocres de comédia dos sábados a noite. Alguma coisa o fez dar uma gargalhada! Ele pôde então notar os dentes do sujeito... quase tão pretos quanto a pele... porque não se dignava a arrumar aqueles dentes? Não poderia ser tão caro assim!
Aliás, quanto ganharia esse pobre coitado? Um salário? Dois salários? Além de porteiro, Eumênio era o zelador, o encanador e eletricista do prédio! Queimou uma lâmpada? Chama o Eumênio! O esgoto vazou? Chama o Eumênio! Os meninos não queriam comer verdura? Chama o Eumênio! (senão ele leva vocês pra favela!)
E ainda assim, a presença de Eumênio era apenas suportada. Ninguém queria ficar muito tempo olhando praqueles dentes sujos e malformados. Nem praquele uniforme já puído, praqueles sapatos furados... Quantas vezes ele mesmo não fingira estar distraído pra não ter que cumprimentá-lo?
E no entanto ali estava ele, de repente notando a falta que fazia o Eumênio, nem que fosse pra abrir essa porcaria de portão!
Epa, alguém estava chegando... que ótimo, era o seu Ernesto! Oitenta e nove anos. Levava uns cinco minutos pra conseguir passar pelo portão e fechá-lo novamente. Ia ser sopa no mel...


 Escrito por moacircaetano às 21h44
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NÉVOA - Cap. V

moacircaetano
Agora tinha que sair para a rua...
Olhou para o portão ao lado da guarita... fechado!
Nos dias normais, bastava se dirigir ao portão, que se abria sozinho, como num passe de mágica. Claro, ele sabia que não se abria sozinho. Havia um porteiro dentro da guarita. Alguém que executava o ato simples e mecânico de apertar um botão quando alguém se aproximava.
Qual era o nome mesmo do paraíba? Hum... não se lembrava! Eufrênio... Euclênio... Ah, lembrou-se! Eumênio! Filho de dona Eumaíra e seu Efigênio, que também haviam trabalhado ali antes de se aposentarem.
Mas dessa vez o portão não se abriu. Apesar de sua presença cada vez mais próxima, o portão continuava fechado. Claro, o indivíduo acionador do botão não podia vê-lo. E agora? Danou-se...
Resolveu esperar. Em algum momento alguém visível se aproximaria e o portão então se abriria, escancarando sua boca sem dentes para a noite. Com aquele rangido característico, que há anos acompanhava a cerimônia de abertura do portão. Já tentaram de tudo para acabar com o ruído irritante... graxa, óleo, aperto nas dobradiças, chute... nada! Às vezes achava que o rangido era parte intrínseca do portão, assim como nossos ruídos... respiração, bater de coração...
Teria que ficar atento, pois o movimento teria que ser rápido e preciso... Assim que o portão se abrisse, deveria se colocar ao lado, para que houvesse espaço para o morador entrar (ou sair). No período mínimo de tempo entre a saída do morador e o novo fechamento do portão, se esgueiraria de forma rápida e, acima de tudo, cuidadosa... não queria esbarrar no coitado, pois isso poderia causar uma reação imprevisível...


 Escrito por moacircaetano às 18h02
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NÉVOA - Cap. IV

moacircaetano
O elevador chegara!
A porta se abriu, e a gostosa do 66 entrou. Ele entrou logo atrás, tentando se ajeitar de forma que não esbarrasse naquela maravilha. Enquanto ela cantarolava uma canção de Fábio Jr (você-me-faz-o-que-eu-sou-caça-e-caçadoooorrrr), seu cheiro chegava até ele. Um cheiro doce, suave... cheiro de cabelos... shampoo, condicionador... daquela boca deliciosa emanava um cheiro de chiclete... cheiro de juventude...
No 3° andar, o elevador parou novamente. Entrou o Anastácio... um armário de mais de dois metros de altura. Enorme. Acenou para a menina e virou-lhe as costas. Não era o tipo que gostava de Barbies. E não é que a vagabunda ficou olhando pra bunda do negão? E o sorriso na cara dela... safada!
2° andar. Entra o seu Manoel. 49 anos, casado com uma piranhinha de 20. Corno sabido e notório. Quase todos os homens do prédio já haviam comido a Martinha, menos ele e o boiolinha do 31. 
A situação ficou difícil, pois ele já se encontrava encostado na parede, todo espremido, e quase não conseguia evitar o contato com as pessoas. Se entrasse mais alguém, ele não conseguiria se safar. E o pior é que... puta que pariu.. estava ficando excitado com aquele maldito cheiro que exalava dos cabelos da vagabunda...
1° andar. O elevador pára. Aimeudeusdocéu! Está perdido! A porta se abre...
Ninguém!
Ufa.
O elevador volta a se movimentar até o térreo. A porta se abre e todos saem... Seus músculos relaxam... Alívio!
O vento frio da noite o acaricia o rosto.


 Escrito por moacircaetano às 21h56
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NÉVOA - Cap. III

moacircaetano


Banho tomado, agora sim... tudo em ordem!
Olhou-se novamente no espelho... apenas seus móveis refletidos no vidro. Ótimo.
Abriu a porta com todo cuidado. Não queria que algum vizinho bisbilhoteiro o visse... ou melhor, não o visse abrindo a porta!
Percorreu os passos que separavam a porta de seu apartamento do elevador. Uma estranha sensação, a de andar nu por um lugar onde sempre estivera vestido. Um ventinho intrometido incomodava. Seu corpo todo tremia. Medo. Não... pavor!
Atrás de si, uma porta se abriu. Era a gostosa do 66. Aquela mesma, que nunca olhava pra cara dele. Aliás, uma vez chegara a olhar... com cara de absoluto nojo!
Ele postou-se cautelosamente ao lado da porta do elevador. Ela estava linda, como sempre! Um vestidinho rosa, curto, muito curto.
Ela apertou ansiosamente o botão de chamada. Fez uma cara de nojo, daquelas costumeiras... Olhou dum lado pro outro, não viu ninguém. Então fez um gesto inesperado. Levantou a parte de trás do vestido e ajeitou a calcinha.
Foi um movimento rápido, uns dois, três segundos no máximo... mas o suficiente pra uma visão ampla, total e irrestrita! Mais tarde, ele se lembraria daquele momento, tinha certeza... de cada um daqueles movimentos! Ele podia recordar em slow motion...
A mão se dirigindo va-ga-ro-sa-men-te para a barra do vestidinho... Os dedos segurando muito, muito delicadamente aquele tecido diáfano... Um movimento contínuo e suave, desnudando pouco a pouco aquela maravilhosa obra da natureza... Uma calcinha branca de renda... Pêlos loiros, finíssimos, visíveis apenas à contraluz... Segundos intermináveis... Quadro a quadro...



 Escrito por moacircaetano às 18h12
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NÉVOA - CAP. II

moacircaetano


Quando finalmente se sentiu seguro, resolveu botar suas novas habilidades pra funcionar!
Infelizmente, ele não podia fazer como a Mulher Invisível, que fazia suas roupas também desaparecerem. Ou seja, teria que sair pelado! Nu com a mão no bolso! E se por acaso, sem querer, voltasse a aparecer em público... nu em pelo? Teria que ser à noite, sem dúvida!
E aonde iria? Hum... isso não era tão fácil quanto ele pensou! Afinal de contas, o que poderia fazer? Roubar não era pra ele (embora agora ele tivesse o disfarce perfeito)! Além do mais, as pessoas não poderiam vê-lo, mas certamente notariam o produto do roubo flutuando por aí!
Passar susto nos outros? Ah, sem-graça como ele sempre fora... não levava jeito pra coisa...
Ah, dane-se! Sairia e pronto! Já eram dez da noite, o clima estava quente, tudo certo! Coçou o nariz e... záz! Hehehe... Estava ficando bom nisso!
Olhou-se no espelho... Caraca! O que era aquilo? Um bocado de manchas das mais variadas cores dançava pelo espaço vazio do seu quarto... Ah! Era sujeira! Sua sujeira não sumia! Continuava existindo, e bem visível, por sinal.
Entrou no banheiro e começou a se banhar...

O pessoal do Aquele não me expulsou, acreditam?
Quem ainda não passou por lá:
http://www.aquele.com.br/



 Escrito por moacircaetano às 21h09
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NÉVOA - Cap. I

moacircaetano


Já havia tempos que se cansara daquilo tudo...
No começo era até divertido. Não sabia direito como havia ocorrido pela primeira vez... Só sabia que, de repente, aconteceu!
Estava conversando com seu primo chato - puta que pariu! - desejando não estar ali, quando subitamente viu um olhar de terror na cara do idiota, que começou a gritar feito um louco!
Achou que finalmente seu primo havia perdido a razão (já que desconfiômetro ele nunca teve...), quando passou em frente a uma vitrine e... não viu a si próprio!
Desesperou-se no início, pois achava que ficaria assim pra sempre. Mas quando começou a rezar pra todos os santos, sua imagem começou lentamente a surgir no vidro sujo, preenchendo seus olhos e apavorando as poucas pessoas que por ali passavam.
Com o tempo, começou a dominar o processo. Descobriu que precisava de algo, uma fagulha, um catalizador para iniciar o procedimento. Sei lá, acho que era pra se concentrar. Chegou a um método: coçava o nariz quando queria desaparecer, e botava a língua pra fora quando queria ressurgir...

O pessoal do Aquele resolveu me dar uma colher de chá... postaram um conto meu por lá!
Quem quiser dar uma passadinha:
http://www.aquele.com.br/



 Escrito por moacircaetano às 21h42
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