CARNAVAL
moacircaetano
Não gostava de ziriguidum! Foi ao baile e matou todos... um a um!
Escrito por moacircaetano às 06h49
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ENTÃO
moacircaetano
Blogueiros Malditos-XVIII
Então despertei...
Pequenas borboletas sobrevoavam-me, indiferentes ao caos.
Olhei para o pôr-do-sol avermelhado se estendendo até o horizonte. Um cheiro de carne podre e sangue coalhado me atingiu!
O resto do que havia sido meus braços ardia em uma colorida confusão de nervos, queimaduras e movimentos involuntários. Minhas pernas estavam um pouco melhor, mas ainda assim não se pareciam em nada com algo minimamente humano. A mobilidade limitada da minha cabeça não me permitia ver além das minhas extremidades. Pela dor alucinante que eu sentia em meu abdome, cheguei a ficar feliz por ser poupado dessa visão.
A paisagem era uma montanha de escombros, abutres e fumaça. Um jato d’água jorrava sabe-se lá de onde. Algumas gotas atingiam meu rosto, fazendo com que meus olhos ardessem ainda mais.
Tentei atentamente ouvir algum som, algum suspiro, algum grito de dor. Queria desesperadamente saber que alguém sofria comigo. Nada! Apenas o rugido dos trovões ao longe.
Tentei arrastar-me, mas não havia ponto de apoio possível. Tentei gritar, mas minha garganta era um bolo amargo de fuligem e catarro.
Tentei morrer, mas não estava em minhas mãos!
Desfaleci!
Ao acordar, Ele estava à minha frente. Um velhote com seus 60 anos, barbeado e vestido com uma elegância simples. Usava óculos. E uma bengala.
Olhou-me nos olhos, e naquele instante a dor cessou.
Sem abrir a boca, disse-me:
“Povoarás o meu Novo Mundo!”
“Não acredito em você!”
“Eu sei!”
“Foda-se! Vá embora!”
“Não.”
“Me deixa em paz!”
“És o meu escolhido!”
“Eu sou ateu, porra!”
“Por isso mesmo!”
Ao meu lado, alguém tossiu. Uma mulher. Numa situação ainda mais deplorável que a minha. Me olhou com assombro e começou a chorar.
Blogueiros Malditos-XVIII
Escrito por moacircaetano às 13h44
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6:45
moacircaetano
Apaixonei-me por um raio de sol! Ele me vem todos os dias! Rasga, com seu corpo etéreo, cada um dos vãos da esquadria...
Apaixonei-me por um raio de sol! Ele, que me acorda logo de manhã bem cedo! Me puxa pela mão me arranca do sono e me traz o dia, pleno de sonho e segredo.
Apaixonei-me, amigos, vejam só, por tal criatura! Apaixonei-me pelos seus dedos que me aquecem a alma e me incineram os medos... Apaixonei-me por esse ser com nome de homem e corpo de mulher... Essa mistura de gente, de luz, de pecado e de fé!
Escrito por moacircaetano às 09h05
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DESPEDIDA
moacircaetano
A minha foto jogada em um canto qualquer da sala...
Antes que eu dissesse algo foi ela, quem, num rasgo, arrancou-me a fala!
Com a alma presa na garganta olhei o relógio e disse adeus!
Deixei naquele momento naquele apartamento o dedo acusador de Deus!
Escrito por moacircaetano às 09h00
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 Por enquanto, menino não há motivos pra preocupação! É só ligar os motores mirar o infinito e sentir seus pés saindo do chão...

Escrito por moacircaetano às 17h21
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Escrito por moacircaetano às 09h03
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Blogueiros Malditos - XVII
Escrito por moacircaetano às 08h47
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CURRUPACO!
moacircaetano
Currupaco! Currupaco! Que vida chata, que saco! Como eu queria ser gente! Ter tudo à mão eletricidade, carro, cinema, televisão, viagens, fotografia, ter o dia e a noite a noite e o dia pra fazer o que quiser... Ser livre, seja homem ou mulher! Sem limites pra inteligência sem amarras, sem correntes! Meu Deus, toda essa gente! Como devem ser contentes!
Currupaco! Que vida besta, que saco! E eu, que sou obrigado a ficar sempre aqui sem me mudar, sem evoluir obrigado a sempre estar nesse mesmo mesmo lugar sem paisagem diferente tendo somente à minha frente a mesma vida a se repetir... Todos os dias, à mesma hora comida, bebida e sono na maior parte do tempo, entregue ao abandono vivendo sozinho com tanta gente por perto! Se eu fosse gente nada seria assim! Disso estou certo!
Currupaco! Currupaco! Queria ser gente só pra fazer de cada dia um dia diferente! Currupaco! Ser papagaio é um saco!
Escrito por moacircaetano às 08h40
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NOVA
moacircaetano
Ei não te contei? Tudo é poesia! Tudo, sem exceção! Tudo que está ao alcance dos olhos e cabe, ou não, na palma da mão!
Vixe! Não te disse? Tudo é poesia! Tenho que te dizer! Como o vento, que é música mas só ouve quem aprendeu a entender!
Escrito por moacircaetano às 08h13
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À L'OMBRE
moacircaetano
Desde que podia se lembrar, havia sido sempre assim... Não tinha nem mesmo a mais remota recordação de que um dia tivesse sido de outra maneira. Sempre presa àquele homem, todos os dias de sua vida. Não tinha vontade própria, nem desejo que fosse satisfeito, nem palavra que fosse ouvida. Na verdade, acostumara-se a ser muda. Já nem sabia se podia, ou se pôde, um dia falar. Apenas o seguia, dia e noite, noite e dia. Lembrava-se de que, no início, essa situação não a magoava. Muito pelo contrário! Sentia-se feliz em estar com ele, passo após passo, segundo após segundo. Percorrer oe mesmos caminhos, andar pelos mesmos lugares, sempre repletos de sol e felicidade! Poucas vezes ele se dava conta de que ela estava ali, mas era assim que as coisas funcionavam... Mas os anos se passaram, e a vida já não tinha mais o gosto de infância que um dia teve. Ele começou a conhecer mulheres que o fascinaram... e um certo dia, deitou-se com uma delas! Ela, impassível, foi obrigada a presenciar tudo... o sol brilhava lá fora, e mesmo quando ele fechou as cortinas, uma réstia de luz a mantinha naquela situação insuportável, observando cada abraço, cada beijo, cada gemido de prazer... Outras vezes se seguiram. Mas quase todas na escuridão da noite. Seu sofrimento só durava até que as luzes se apagassem. Daí por diante, o mundo se transformava em uma massa disforme e densa, onde não lhe chegavam imagens nem sons. Semana passada ele casou-se. Com uma vagabunda que engravidou. Ela, como sempre, seguiu-o até mesmo ao altar. Foi sempre a única que ficou com ele durante todos os momentos. Foi a única que esteve aos seus pés, sempre... nos momentos alegres e nos desesperadores... nos dias de chuva e nos dias de praia... nas noites de sono e naquelas de choro. Na sua obsessão cega de o acompanhar, não notou nunca que havia outras como ela... que acompanhavam seus algozes, qualquer que fosse a jornada. Assim como ela, estas também se arrastavam pelo chão... também sentiam o gosto do asfalto e da poeira... também se esgueiravam pelos raios do sol e desapareciam na escuridão... Na sua obsessão, nunca vira nenhuma daquelas outras suas companheiras de infortúnio. E tampouco elas a enxergavam. Elas só tinham olhos para seus donos, e colavam-se, apaixonadas, às plantas de seus pés...
Blogueiros Malditos - XVI
Escrito por moacircaetano às 10h22
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ALVA
moacircaetano remexendo em texto dela!
Num cruzar de pernas o mundo desfez-se. Num cruzar de mundos, desfez-se a realidade. A pele alva carregava os poucos anos de sol e de ingenuidade.
Um vestido bege tocava-lhe vez ou outra os joelhos.
Raramente, se quisermos exatidão...
pois seus passos leves
lhe vestiam de amplidão.
Quis sujar-se com a carne de um homem
Quis gravar no fogo o seu nome.
Puxou devagar o vestido até a cintura.
A claridade invadiu-a, impura!
Escrito por moacircaetano às 21h08
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A quantidade de pano era imensa.
Como janelas de casas esquecidas
cobertas por cortinas pesadas.
Cortinas abertas,
suas pernas reluziram.
Incríveis. Intocadas.
Ele, com sua carne suja não acreditara
na cor daquelas pernas
na alvura que se instalara.
Mas ela, alva, não era uma mera mortal
e ele, sujo, gozou só de olhá-la.
E depois, já apaixonado
tomado por tudo que é raro
repleto de estranheza
chorou por saber
que nunca possuiria, de fato,
tamanha clareza...
Escrito por moacircaetano às 21h07
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COLISÃO
moacircaetano
nunca pensei que pudesse atingir alguém assim!
nunca pensei que pudesse entrar em sua mente e te fazer um pouquinho diferente...
nunca pensei que pudesse arrombar a porta e gravar em seus neurônios um pouco do meu estranho mundo de brumas e sonhos...
nunca pensei que pudesse ser assim... entrar dentro de você e fazer você se transformar um pouquinho em mim...
Escrito por moacircaetano às 14h03
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eu sempre sou outro... outro... outro... até me transformar no mesmo novamente!
Escrito por moacircaetano às 09h53
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ANDAIMES
moacircaetano
As pernas do negro As pernas do pobre As pernas de quem trabalha As pernas de quem sofre Não se vergam, não se dobram Não se furtam ao equilíbrio Pernas reforçadas em andaimes Em milhares de comícios Pernas-edifícios!
As pernas de quem, como nós Andaram em feiras e construções Andaram em busca de sustento Passaram por cima de ilusões Ergueram suas vidas com cimento As pernas que nos servem de alimento Quando nos roubam os verões!
Em homenagem a Ramon Alcântara
Escrito por moacircaetano às 05h41
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VOZES - Final
moacircaetano
Não havia mais dúvida... eles estavam ali... bem em frente ao quarto de meus pais! Os ruídos reais e os seus pensamentos se misturavam em minha cabeça... Uma onda de desejo me invadiu quando um dos malditos viu minha mãe, seminua, mal coberta sob os lençóis... Um desejo sujo, nascido de uma mente doentia e conturbada. Um deles pensou claramente: "Tomara que o desgraçado do Murilo não fode tudo dessa vez! Ele não pode ver mulher!", enquanto apontava a arma pra cabeça do meu pai. O terceiro vasculhava as gavetas do criado-mudo, onde eu sabia estarem as jóias de minha mãe. Ele era mesmo muito silencioso, embora seu medo gritasse em meus pensamentos. Um grito de satisfação nasceu em sua cabeça quando encontrou as jóias e a carteira. Fez sinal aos outros dois para darem o fora. Eu não conseguia ao menos me mover, apenas rezava pra que fossem embora logo e nos deixassem. Foram saindo lentamente. Já estavam na porta do quarto. Pra meu alívio, vi que o chefe do bando nem queria mais vasculhar os outros quartos. A noite já fora ganha. Foi aí que aconteceu... A mente do tal Murilo entrou em uma confusão total. Eu nunca tinha sentido coisas tão intensas, tão contraditórias, tão desesperadas em toda minha vida. Por sua cabeça passaram milhares de pensamentos em poucos segundos. Flashes. Visões bizarras. Minha mãe estava em todas elas. Minha mãe acorrentada, nua. Sangrando. Com a cabeça esfacelada, enquanto ele a possuía. Gritando de dor enquanto uma uma faca a rasgava por dentro. Sendo repetidamente estuprada, enquanto meu pai observava, aos prantos. Eu não conseguia mais saber o que era pensamento e o que era real. Então gritei! O chefe do bando, descontrolado, deu um tiro na cabeça do meu pai e outro no peito da minha mãe. Os dois morreram imediatamente. Tentei fugir pelas escadas, mas o tal Murilo me deu uma facada nas costas. E me jogou do parapeito. Foram embora, levando as jóias da minha mãe, o dinheiro do meu pai e a vida dos dois. Eu estou sentada nessa cadeira de rodas há três longos anos. Não consigo falar nem me mover. Uma enfermeira me alimenta, me dá banho e limpa minhas excrescências três vezes por dia. Pensam que sou louca, pois não respondo a nenhum tipo de teste. Não sou louca. Apenas não quero responder a nada. A nenhum estímulo. A nenhuma reação. Nunca mais. Pelo menos enquanto ressoar em minha mente o silêncio insuportável daqueles duas pessoas que eu tanto amo...
Escrito por moacircaetano às 08h27
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VOZES - Parte IV
moacircaetano
Acordei em meio à madrugada. Era um fato estranho, já que há algum tempo eu havia conseguido montar um filtro mental que me permitia dormir em paz. Mas aquela onda de pensamentos era completamente diferente de tudo que já havia sentido... Cada voz em minha cabeça estava imersa em ódio e medo. Pela primeira vez em minha vida, senti como se meu cérebro estivesse sujo por dentro. Já sentira muitas pessoas ruins em minha curta existência, mas aquilo era algo completamente novo. A raiva naquelas pessoas era quase sólida! Deviam ser umas três ou quatro. E a densidade de suas mentes não me deixava concentrar-me em cada uma delas isoladamente. Distinguia apenas um bloco único de fúria, desespero, solidão e perversidade! Tentei desesperadamente descobrir suas intenções, mas a balbúrdia em minha cabeça me deixava tonta, sem ação. Ainda em meio às brumas do sono, e atordoada com a força do que sentia, tentei me levantar, mas caí ao chão como uma marionete vazia. Tentei gritar, mas não cabiam mais em minha mente meus próprios pensamentos. Repleta. Estavam muito perto agora! Ouvi um barulho surdo no andar de baixo, e pela primeira vez em minha vida chamei por Deus... Lembrei-me de meu pai, que tinha uma arma guardada debaixo do travesseiro. Tentei ouvir seus pensamentos, mas encontrei apenas a massa disforme e difusa dos sonhos... Minha mãe sonhava com meu tio desaparecido na Guerrilha do Araguaia. Não havia telefone em meu quarto. Teria que correr até o corredor. Foi quando notei, não sei se pela telepatia ou se pelo barulho, que eles começavam a subir as escadas...
Escrito por moacircaetano às 07h12
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