Estatuto
Há que brotar substância e sentido do que digo. Há que surgir entendimento no momento em que meus signos se lançam ao vento. Há que se haver compreensão.
Há que pulsar um certo ritmo. Comedido ou galopante, histérico ou hesitante, ao sabor da hora. Da aurora há que nascer algum verão.
Há que ser assim a minha poesia. Sem hermetismos acrobáticos. Sem onirismos estrambóticos. Sem onirismos quase fantásticos. Simples. Como um pedaço de pão, uma fatia.
Pra que o leitor ainda adormecido possa recheá-lo como quiser. Manteiga, mel, margarina. Faca, garfo e colher. Pra que não seja necessária demasiada atenção. Pra que seja leve como uma canção (dessas que um estudioso adoraria, mas também o atendente da padaria).
Pra que o leitor distraído possa tocar de ouvido e tamborilar os dedos enquanto enfio-lhe em cada entranha cada um dos meus segredos.
Pra que eu seja pop, e assim, disfarçado de leve, imprima meu toque em cada floco de neve.
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Escrito por moacircaetano às 20h16
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Passeio
Na prateleira de baixo da estante repousa o poeta. Entre a poeira do chão e os livros de dieta. Aos pés da literatura modernosa e dos milhões de livros de prosa.
É até confortável ali. Ninguém o enxerga dessa vez. (O que é saudável à sua timidez).
Além do mais, pode olhar abaixo dos vestidinhos das madames em busca de romance e das Meninas-Revista-Carinho.
De vez em quando alguém se recorda. Mas ele se esconde atrás de um livro do James Bond.
Um dia ainda vai sair pra passear. Vai pra prateleira do meio. Deixa só acabar o estoque de Paulo Coelho!
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Escrito por moacircaetano às 19h40
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