For ever

Com essa aliança se inicia um novo passo da nossa dança Uma dança feita de novas memórias de antigas histórias com cheiro de velha conhecida e cor de esperança
Com essa aliança recomeça a nossa brincadeira de criança e a gente roda, brinca e dança e corre, depois descansa e sabe que toda ciranda de roda nunca termina, pois é signo de eterna mudança
Com essa aliança nos recriamos à nossa imagem e semelhança e não há pecado original que nos livre do mal de estarmos sempre nessa festança
Vem, me dá a mão, vamos viver o que o vento, a vida nos prometer...
Escrito por moacircaetano às 11h15
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A Calma
Um dia fui criança... eu me lembro! E tudo era dança e desprendimento. E tudo era ser feliz ao sabor de cada momento. E tudo era bolacha, e café com leite, e desenho animado, e meu avô do meu lado. Mas meus ossos, minhas células, minhas glândulas e artérias, meu corpo todo, traidor, cresceu. E com ele a dor.
Um dia fui adolescente, me lembro muito bem. E sabia tudo sobre tudo, sabia sem perguntar a ninguém. E todo o mundo era minha estrada. A vida, uma motocicleta envenenada. E no entanto, colidi com meu próprio espanto. E esqueci-me de cintos de segurança. E matei minha esperança.
Um dia envelheci, eu me lembro. Há algum tempo atrás. E a poesia chegou um pouco tarde demais, quando já era gelo dentro de mim... quando já não havia montanhas-russas ou viagens à lua. Quando cheguei enfim ao outro lado da rua sem ninguém pra segurar minha mão... e o que era independência se tornou em somente solidão.
E há o hoje. Eu me lembro. E esse movimento... um rio me correndo por dentro...
Escrito por moacircaetano às 00h32
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Garoa
Ei, eu já te disse isso... é que chove dentro de mim... chove dentro de mim!
Chove assim, essa chuva fininha, chuva de molhar bobo. Chove e não para nunca, chuva que desce o morro inundando as plantações de dentro de mim. Chuva que insiste, insiste, chuva que não tem fim.
Mas enfim, não pense que eu sou triste. Meu céu é azul, aberto e o sol está quase sempre por perto. E a noite é quase sempre pequena (pois a minha alma não). E é sempre esse mesmo dilema entre a luz e a solidão.
Fico com os dois. É meu feijão com arroz. E sigo, completamente molhado pelos carros que passam ao lado.
É, vai ser sempre assim. Pois chove dentro de mim.

Escrito por moacircaetano às 01h46
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