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moacircaetano


COMUNHÃO DE BENS

A televisão ligada.
Ele, confortavelmente deitado
no sofá da sala.
Em um canto, seu contrabaixo repousava.

Uma vez alguém lhe disse:
“Que a música não mate o poeta
que há dentro de você”.
Na época, achou nada a ver.

Hoje, entre programas de televisão 
e milhares de tablaturas,
enquanto escrevia mais uma canção,
resolveu descer até o porão.

Sua poesia, acorrentada,
ferida e amordaçada,
presa ao pé de uma mesa,
olhou-o, com carinho e surpresa.

Estuprou-a.
Gozou em sua cara.
Submeteu-a cada tara.

Resolvido o problema.
Trancou-a novamente
e arrancou mais um poema.



 Escrito por moacircaetano às 17h48
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PIQUE-ESCONDE

O amor se esconde
nos lugares mais insuspeitos...
Numa sala de espera,
em corredores estreitos,
do lado de fora da sala de estar,
morrendo de medo de alguém chegar,
em quartos sem ar condicionado
ou no escuro dos silêncios trocados.

O amor se esconde, veja,
em dois copos de cerveja,
ou num rock dos anos oitenta
em qualquer noite barulhenta...
Se esconde numa taça de tequila,
num pilequinho do bom...
No abraço por trás
ou na ausência do batom!

O amor é bicho esperto,
gosta de estar sempre por perto,
seja num fast-food japonês
ou numa frase em francês...

O amor é escorregadio,
quando chega sente frio,
mas depois se derrete em calor...
O amor ouve músicas qualquer,
e no seu doido bem-me-quer
goza seja lá como for!

O amor tem vários apelidos,
e atende por qualquer um, assanhado...
Ele pula o muro, atrevido,
fica se olhando em espelhos
e acha tudo engraçado!

O amor tanto pula e tanto apronta,
que um dia não vai dar conta
e vai ter que fazer raio-x:
Na chapa iluminada em preto e branco
vai aparecer, escrito em esperanto,
brilhando, a palavra FELIZ!



 Escrito por moacircaetano às 00h40
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TRÁFEGO

Na minha cabeça
Meus pensamentos avançam, tensos.
Trânsito pesado, lento.

Eles aceleram e fream.
Fazem ultrapassagem perigosas.
Se tocam.
Se esbarram.

São impacientes.
Xingam a mãe do próximo.
De vez em quando trocam porradas.
Buzinas, gritaria.
Algazarra.

Até que tudo para.
E ninguém se entende.

Vez em quando
Paro no acostamento
E durmo um pouquinho.

Mas ao longe, ouço o ruído.



 Escrito por moacircaetano às 00h31
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EDISON

Mano, o cara morreu...
Ultrapassou os limites do eu.
Pulou o muro
e alcançou o futuro:
Sabe agora o que será
de cada um de nós...
Mano, o cara perdeu a voz.

Véi, o cara se foi...
Saltou do ontem direto pro depois.
Alçou voo rumo ao vazio.
Atravessou o rio
mesmo sem saber nadar...
Desafiou os céus, a terra, o mar...

Cara, o cara estava lá
fazendo seu trampo numa boa...
A vida é mesmo uma coisa-à-toa...

Rapaz, é verdade, é fato...
Estava ele ali, deitado,
as estreitas e compridas listras pretas
estendendo-se ao longo do tecido branco.
Na minha goela, o pranto
me engasgou e não saiu.
Puta que pariu!
O cara sumiu!

É...
O cara foi embora.
(Muito, muito antes da hora).
O sorriso tímido e franco,
agora contido.
Em algum ali dentro, escondido.
Como ouro que não se entrega ao bandido.

E então, o que acontece
quando o corpo desce
e se planta ao chão?
Germina?
Ou não?

E aquele ouvido aguçado?
E o cuidado meticuloso
com cada acorde, cada compasso?
Perdem-se em algum vazio do espaço?

E tudo o que vivia em sua mente?
E tudo o que ele conhecia?
Se esparramará lentamente
pelos interstícios da terra fria
até alcançar outro alguém?
Quem?

Cara, eu estou muito triste:
o cara não mais existe.
E isso me incomoda.
Me deixa puto.
É foda.

E eu sei que, quando ele souber
dessa minha tristeza
vai me dizer, com certeza:
“Véi, não esquenta com isso,
não esquenta a cabeça”...

E eu, sorrindo, admirado,
com aquele jeito tranquilo de ser,
vou dormir em paz, como um bebê...



 Escrito por moacircaetano às 00h26
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BANDA

Toda mulher de rockeiro
(Pensem só um pouco)
Ou tem um pouco de groupie
Ou tem um pouco de Yoko.



 Escrito por moacircaetano às 00h24
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FELIZ ANO SEMPRE

Vai virar o ano,
se não me engano.

Apesar do que dizem, querida,
à meia-noite não começa uma nova vida.
Nem se transforma a existente.
A gente
continua sendo quem é,
homem, mulher,
menino, menina,
feio ou bonito,
bom e ruim...
continuamos assim,
sendo o que fomos até o presente instante.
Nem mais nem menos interessante.

O ano vai virar.
E apesar
de todos os sinais em contrário,
nosso armário
não vai deixar de ter o mesmo tipo de vestuário,
nem nossas cabeças duras
sofrerão profundas rearquiteturas.

...

Mudar é tarefa pra formiguinhas,
carregando aqui e ali 
suas pequenas cargas perigosas,
escrevendo nas entrelinhas
nossa diária prosa
pra ver se um dia
algo vira poesia.

Ser melhor exige paciência,
perseverança,
exige ouvir com sapiência
o que dizem as crianças
e os velhinhos que já não correm mais
e de uma forma ou outra
estão próximos de sua paz.

Evoluir demanda sempre estudo
e trabalho duro,
extraindo de cada fresta na calçada
a riqueza que se esconde, assustada,
com medo de quem não a entende muito bem
e acha que a felicidade
não depende da gente mesmo, 
mas sempre de outro alguém.

O ano está acabando.
E isso não significa muito.
A não ser que o infinito circuito
do fim de cada dia
continua a existir.
E não é isso que, como mágica,
nos fará novamente sorrir.

Não, não sou pessimista, amor.
Nem estou de mau humor.
Apenas quero que amanhã,
quando acabar o espumante de romã
e a ressaca tiver se instalado,
ressuscitando o arroz com lentilhas,
a gente não se esqueça do combinado,
feche nossas cartilhas
e volte a ser o mesmo covarde.

Quero que o réveillon aconteça de novo
a cada final de tarde.
E que todos nós optemos, afinal,
por não fazer o mal,
não oferecer suborno pro polícia,
não furar a fila com um risinho de malícia,
não mentir, não aceitar favorecimento,
não tirar vantagem de alheio sofrimento.

Que saibamos repartir, 
gargalhar e fazer sorrir,
compreender, entender, doar
e ajudar quem está do lado de lá
da nossa cerca excludente...

Que todo mundo cuide de sua própria vida
sem fofocas e falsos testemunhos...
e que os punhos
sirvam apenas pra portar pulseiras.
E que aprendamos a sorrir das besteiras.

Que cada minuto não seja somente
um movimento de uma peça do relógio
e que o ódio
seja banido dos dicionários
e que em seu lugar 
coloquem uma poesia de Drummond 
ou um Edson Marques do bom.

...

Bom, se pra isso for preciso
um estouro de fogos de artifício
e uma contagem regressiva, que seja:
Que nesse ano que chega
vivamos cada dia, sem precisar esperar
o final de ano de novo.

E que cada um quebre a casca de seu próprio ovo!



 Escrito por moacircaetano às 00h23
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MOMENTO

Dia cinza, baço, quase triste. De dentro do carro vejo as coisas se passando. Cinzas, baças, quase tristes. O sol, escondido entre as nuvens, faz falta.
Paro no sinal. Um grupo de malabaristas conversa animadamente. Olho o console, verificando se há moedas, num gesto já automático.
Do grupo, uma moça se desloca até a frente do meu carro. 
Os movimentos são suaves, os pinos deslizam pelas mãos e cortam o ar com uma precisão quase cirúrgica. Os primeiros movimentos são os já clássicos. Enquanto um pino descreve uma parábola com seu ponto de inflexão em algum ponto entre os cabelos desgrenhados da moça e o céu. E ela parece se divertir com aquilo, pois um sorriso enorme nasce em seu rosto.
De repente, alguns movimentos diferenciados. Um dos pinos descreve uma curva um pouco maior, e parece que vai se espatifar no chão atrás dela. Mas o pé, com uma graça de bailarina, dá um novo impulso ao objeto, que volta pelo mesmo caminho e vai parar na mão esquerda. E assim sucessivamente. Ela, juro pra vocês, sorria para cada pino, como se fossem crianças numa brincadeira.
Depois os mesmos movimentos, porém espelhados. Os pinos se precipitam à frente, e o pé da moça os impulsiona para suas costas, onde as mãos os agarram por trás de si. Tudo com uma graça e uma leveza imprevisíveis. E aquele sorriso.
A apresentação termina, e eu percebo que se passaram apenas alguns segundos, embora o tempo tenha parado.
O sorriso se aproxima da janela. 
Constrangido, entrego as moedas. E penso comigo mesmo: que dinheiro pagaria um sorriso daqueles?

Entro numa rua lateral, e à minha frente três pássaros parecem acompanhar-me pelo trajeto, fazendo o mesmo caminho que eu.
De repente, a poesia transformou um dia cinza, baço, quase triste, num pequeno espetáculo.



 Escrito por moacircaetano às 00h14
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VINTE E CINCO

Vou desejar Feliz Natal a todo mundo que gosta,
mas também pra quem acha tudo isso uma bosta.
Feliz Natal pra quem compra presentes de monte,
mas também pra quem simplesmente se esconde
atrás dos muros do cinismo e do mau humor.
Feliz Natal pra quem morre de amor.

Feliz Natal pra quem pensa nesse dia
como o aniversário de Jesus Cristo,
mas também pra quem é ateu
ou mesmo agnóstico.
E também pra quem, como eu,
simplesmente acha que mais um dia pra ser feliz
é algo mais que lógico.

Feliz Natal pra quem trabalhou hoje o dia inteiro
mas também pra quem nem tirou
a cabeça do travesseiro.
Feliz Natal pra quem é abstêmio por natureza
e pra todos aqueles doidos por cerveja.

Feliz Natal pra quem não tem o que comemorar
e mora embaixo das pontes e viadutos.
Que eles deixem de ser invisíveis
e passem a ser vistos pelas crianças
que um dia serão os novos adultos.

Feliz Natal pra quem foi enganado 
pelo destino inconsequente
e hoje chora desesperadamente.
Que não se esqueçam que a vida
é um eterno vai e vém, uma via crucis infinita.
E que não importa a inclinação da descida,
ninguém sabe o que vem pela frente.

Feliz Natal também aos pobres de espírito,
pois deles será o reino da ignorância.
Que, como todos sabem, é uma bênção.
Feliz Natal a quem não alcança
o significado da própria história,
e vive feliz, na sua ausência de glória.

Feliz Natal a quem me aguentou esse ano
e aos que me aguentam a vida inteira.
Aos que gostam de mim como sou,
um elefante cego em pleno voo,
quebrando todas as pratarias.
Feliz Natal também a quem me odeia
e sofre com as minhas muitas conquistas.

Feliz Natal, enfim, a tudo que se move e respira.
A cada ser vivo desse pequeno universo
a que chamam existência.
Até que chegue o amanhã com suas sobras de farofa 
e seu gosto de engov e sonolência.



 Escrito por moacircaetano às 00h11
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TRABALHO

Zezinho não entendeu nada.
Sua mãe chegou em casa à noite
Completamente zangada.
Logo ela que, de manhãzinha,
acordou com um sorriso mais lindo,
Abraçando-o e desejando bom dia.

Ouviu seu pai dizendo, chateado,
Que o culpado disso tudo
Era um tal de trabalho.
Zezinho pensou, intrigado:
"Ou é alguém muito bobo
Ou é um lugar muito chato".

Mais tarde, num desenho da tevê
Viu seu herói preferido dizer:
"Mais um trabalho a fazer"!
E ele não estava triste,
Mas feliz e animado.
Salvou o dia e foi homenageado.

Um outro dia depois, seu pai
Chegou em casa super contente,
Trouxe flores e presente pra todo mundo
E disse que amava seu trabalho.
A cabeça do pobre Zezinho
Virou um baita embaralho.

Esperto que era, Zezinho então
Chegou à seguinte conclusão:
Esse tal de trabalho, como tudo na vida,
Pode ser uma coisa chata ou divertida
Dependendo de como a gente vê.

E nesse dia Zezinho começou a crescer.



 Escrito por moacircaetano às 00h10
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EXPRESSÃO

Eu não sei dançar.
Apenas imagino.

Nunca tive o dom da dança.
Nem mesmo a de salão.
Mas imagino.

Imagino meu corpo
cortando a carne do ar
com meu movimento.

Imagino minha alma
rasgando-me os poros.
Saindo-me de dentro.

Imagino os sons
através dos meus passos
fluindo de mim.

Às vezes imagino os olhos
acompanhando-me, atentos.
Dezenas, centenas de olhos.
Mas não é isso o que me alimenta.

O que me alimenta é a música.
Dizendo-me coisas 
Que os outros não entendem.

O que me movimenta é o som.
A suave pulsação do som em mim.
Eu, amplificador.
Pulsando.
Agradecendo ao mundo
por ser assim.

Quando a música termina,
os aplausos.
Simplesmente continuando 
o som da canção.

Não sei dançar.
Jamais ousaria.
Mas imagino.



 Escrito por moacircaetano às 00h09
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EXPRESSÃO

Eu não sei dançar.
Apenas imagino.

Nunca tive o dom da dança.
Nem mesmo a de salão.
Mas imagino.

Imagino meu corpo
cortando a carne do ar
com meu movimento.

Imagino minha alma
rasgando-me os poros.
Saindo-me de dentro.

Imagino os sons
através dos meus passos
fluindo de mim.

Às vezes imagino os olhos
acompanhando-me, atentos.
Dezenas, centenas de olhos.
Mas não é isso o que me alimenta.

O que me alimenta é a música.
Dizendo-me coisas 
Que os outros não entendem.

O que me movimenta é o som.
A suave pulsação do som em mim.
Eu, amplificador.
Pulsando.
Agradecendo ao mundo
por ser assim.

Quando a música termina,
os aplausos.
Simplesmente continuando 
o som da canção.

Não sei dançar.
Jamais ousaria.
Mas imagino.



 Escrito por moacircaetano às 00h09
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ENTRESSAFRA

Plantar um sonho é coisa fácil.
Nossos solos são férteis.

Plantar um sonho é coisa muito, muito fácil.
Vivemos sedentos.

Mas sonhos são plantas sem fim.
Com raízes que se estendem em todas as direções.
Perfuram cada camada de terra, de pedra, de alma.
E se instalam no fundo de nós.

Plantar um sonho, baby, é moleza.
Duro é plantar felicidade e colher tristeza.



 Escrito por moacircaetano às 00h08
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GARIMPO

Espiou o fundo da bateia.
Nenhum grama de ouro
pousou no volume cônico.

Olhou o céu nublado.
Procurou alguma luz.
Mas ele já sabia.

A corrente que o prendia ao solo
era a única coisa que ainda reluzia.



 Escrito por moacircaetano às 00h07
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MATHEUS

Um sabor de fruta ácida invadia a tarde.
Apressada, a vida quis logo nascer.
Viver é coisa boa, dá vontade.

A lua nasceu e se pôs.
O sol a seguiu no céu, apaixonado.
Seis mil e cento e quatorze vezes.

E feliz, a vida continua.
Com seu um metro e setenta e cinco
e seu par de tênis 42.

A vida continua.
E é assim que tem que ser.
Viver é coisa boa, dá sempre vontade.



 Escrito por moacircaetano às 00h06
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ABRUPTO

Vivo aos trancos.
Subo barrancos e desço ladeiras.
Vivo vidas inteiras em menos de um minuto.
Sou muitos.

Vivo aos golpes.
Me entrego à sorte.
Desafio a morte cortejando a vida.
Sou o anti-suicida.
Vivo mais que todo mundo.
Floto, profundo.

Vivo e pronto.
Meu ponto de inflexão é permanente.
Ando pelas gentes e ninguém desconfia
Quantas vezes renasço e morro
A cada dia.

Vivo.
Vivo.
Vivo.
E minhas tantas vidas são minhas drogas
E meu elixir.
Me alimento do que fui
E do que está por vir.



 Escrito por moacircaetano às 00h03
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