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moacircaetano


 

Ninguém morre de amor... 

se morreu, seja como for,

é porque o amor faltou...

 

Ou porque fugiu,

ou foi embora,

ou morreu,

ou passou da hora,

ou o ciúme venceu,

e foi melhor acabar,

ou porque um dos dois 

não soube como amar...

 

Ninguém morre de amor,

de amor se vive, isso sim...



 Escrito por moacircaetano às 09h41
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GIRASSOL

 

Um raio de sol é coisa linda.

Dá vontade de segurá-lo nas mãos.

Dá vontade de prender, pegar pra si.

De costurá-lo em nossos desvãos.

 

Um raio de sol é um troço mágico.

E a gente quer que seja eterno.

A gente quer que seja só nosso.

Pra guardar pros dias de inverno.

 

Um raio de sol é poesia pura.

E a gente sabe que só dura

enquanto o dia está no céu.

Então queremos escondê-lo

na nossa sala de troféus.

 

Mas o raio de sol é esguio,

ô bicho escorregadio...

aquece nossas mãos, nossas costas,

espanta a nossa solidão,

planta o sim dentro do não,

dobra todas as apostas

e depois vai embora.

E a gente quase estertora.

 

Por isso, à noite, dormimos.

Pra sonharmos com o sol.

Por isso existem lâmpada, lanterna, farol.

 

Por isso os sonhos são importantes.

Enquanto se espera o raio de sol,

se é feliz antes!



 Escrito por moacircaetano às 09h40
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PERCORRER

 

Amanhã, mais um dia...

Mais um passo depois do outro...

Mais uma sucessão de minutos que,

prisioneiros de mim mesmo, 

se tornarão minha vida.

 

E não importa se eles serão conectados entre si

ou se haverão interrupções esparsas.

Ou se eles serão completamente dispersos,

estranhos um ao outro...

É mais um dia, e isso me basta.

 

Os pés, obedientes, se levantarão da cama de manhã,

trilharão os caminhos que surgirem

e em algum momento se deterão, cansados...

 

A velha canção do tempo soprará algo em seus ouvidos e

obedientes, eles voltarão a se mover...



 Escrito por moacircaetano às 10h20
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ORVALHO

 

Hoje a chuva me acordou, violenta.

 

Remexendo todos os objetos do quintal,

espantando moscas, mariposas e similares...

tornando revolta a superfície das águas.

 

Os relâmpagos, ariscos, rasgaram o escuro da noite

e iluminaram os caminhos

(embora poucos ousem andar sob a tempestade).

 

O ribombar dos trovões assustou a todos,

porém soou como música aos meus ouvidos ainda adormecidos.

 

Na textura diáfana e difusa do sono quase desperto

calcei meus pés com o sabor da manhã

e sorri...

 

Me deitei pra descansar mais um pouco, só mais um pouco,

e então começar, triunfante, o meu dia!



 Escrito por moacircaetano às 10h19
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MAR

 

As águas na superfície dependem do vento.

Da inclinação das águas da chuva.

Do ângulo de incidência dos raios solares.

Da atração gravitacional exercida pela Lua.

Da atividade humana no litoral.

 

E então as águas se turvam.

Ou se tornam revoltas.

Ou se acalmam.

Ou tragam barcos, com pessoas e sonhos.

 

Mas abaixo do espelho azul,

o mar é um só.

Com suas toneladas de água límpida.

Com seus peixes, plânctons, algas,

com seu ecossistema completo a viver,

indiferentes aos pequeninos seres humanos.

 

Abaixo do espelho absurdamente azul,

a vida segue, há milhões de anos...



 Escrito por moacircaetano às 10h19
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CORRENTEZA

 

Lava tudo, correnteza!

Leva o lixo, lava a rua...

Deixa a pele do mundo nua...

Logo a longa mão da chuva

Põe as cartas sobre a mesa...

 

Lava tudo, correnteza...

Limpa o pó dos meio-fios

E o chorume das sarjetas.

Lânguidas, as águas se entregam

Às suas dez mil corredeiras!

 

Lava tudo, correnteza...

Limpa os vidros dos carros pra gente ver

Com detalhes, com clareza, 

O que sobra após o jorro inevitável 

Da sua limpeza...

 

Leva eu, correnteza!



 Escrito por moacircaetano às 10h18
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ESTRADA

 

A estrada se estende à nossa frente...

tapete vermelho sobre os jardins da imaginação.

Caminho ainda não trilhado tem infinitas possibilidades.

 

O caminho percorrido, este não pode ser caminhado novamente

(a não ser com os pés descalços das lembranças).

Muitos tentam copiar e colar os mesmos passos.

Uns porque não erraram, e assim querem continuar.

Outros, sem motivo aparente, insistem nos mesmos erros...

 

(Um aparte sobre as lembranças...

sobre a força irresistível da memória:

Envenenam ou acalentam, 

entristecem ou inebriam).

 

Sei que o caminho se estende à nossa frente.

E é maravilhoso existirem opções.

Há um preço a se pagar por cada uma delas.

 

Podemos seguir em frente.

Podemos andar pros lados.

Pra trás.

Ou ficarmos, paralisados.

 

Eu prefiro olhar pra cima,

estender os braços pro céu azul

e voar...

 

A poesia me impulsiona, quase sem pensar...



 Escrito por moacircaetano às 09h26
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